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“O cuidado das crianças é um sinal do Reino”
13 de Outubro de 2021
Ajuda de Berço
“O cuidado das crianças é um sinal do Reino”

Na inauguração da nova casa da Ajuda de Berço, que decorreu esta tarde, em Benfica, o Cardeal-Patriarca de Lisboa agradeceu o contributo de todos os benfeitores e referiu que o Reino de Deus “começa, precisamente, pela atenção aos mais pequenos”. “Esse é o lugar de Deus como criador de todas as coisas”, prosseguiu. Antes do descerramento da placa, D. Manuel Clemente apelou ainda à “confiança”, que ajuda a explicar a concretização desta obra que foi inaugurada na tarde de dia 13 de outubro – data em que se assinala a última aparição de Nossa Senhora aos Pastorinhos. “É a partir dessa confiança que a vida vai acontecendo. Se não temos este treino na confiança da paternidade divina, começando pelos seus sinais na maternidade e paternidade humanas, dificilmente crescemos”, avisou o Cardeal-Patriarca. 

Na sua intervenção, o Presidente da República agradeceu o papel “incansável” do Cardeal-Patriarca de Lisboa no processo de construção da nova casa da instituição.  “Acreditou muito e proporcionou, no Patriarcado, a contribuição para esta obra. Também aí traduziu, em atos, aquilo que era uma intenção”, observou Marcelo Rebelo de Sousa.
Começando por enquadrar o nascimento da Ajuda de Berço, em 1998, num “momento de reflexão e decisão na sociedade portuguesa que tinha por centro o debate acerca da vida”, o chefe de Estado disse compreender o papel daqueles que continuam a agir em defesa da vida. “Todos os dias há desafios à causa da vida, ou no começo, ou no termo, ou ao longo dela. Por isso, é perfeitamente natural que aqueles que estão sensíveis a essa causa, não se esqueçam dela nem um segundo”, afirmou. Por último, o Presidente da República partilhou a reflexão acerca da discussão na sociedade “sobre a melhor forma de enquadrar as crianças nas situações de risco, que são a razão de ser da Ajuda de Berço”. “A última grande discussão é se não é o caminho preferível, abandonar a via da institucionalização e apostar no enquadramento familiar, pensando nas famílias de origem, mas, em muitos casos – cada vez mais –, em famílias adotivas ou de acolhimento. Ultimamente, tem havido programas públicos, mesmo a nível orçamental, orientados para essa finalidade. Nenhuma dessas várias pistas anula as outras. É muito importante que haja uma aposta em mais famílias de acolhimento, com mais meios para esse acolhimento. Não é isso razão para, nomeadamente, a Segurança Social deixar de ver com apreço o testemunho e a obra daquelas instituições, baseadas no voluntariado, que criaram verdadeiras famílias de acolhimento. Teremos que conjugar as diversas dimensões, não deixando ninguém para trás, aproveitando o contributo de todos”, afirmou.


Ajuda de Berço - Bênção e Inauguração da nova casa

Já a diretora da Ajuda de Berço, Sandra Anastácio, salientou que a nova casa é “fruto do poder da amizade e da fé” e garantiu o compromisso da instituição no cuidado das crianças a seu cargo: “A Ajuda de Berço compromete-se a dar tudo o que que tem e sabe para proteger as crianças que nos são confiadas”, assegurou. 

No seu discurso, a comendadora Paula Caetano salientou a importância que esta instituição continua a ter na sociedade. “Os desafios para o futuro podem ser hercúleos, mas, enquanto houver crianças a viver situações dramáticas, há razões para que a Ajuda de Berço continue a fazer mais e melhor”, assegurou a esposa do comendador Horácio Roque (falecido em 2010), partilhando depois os motivos que a levaram a apoiar a construção desta nova casa. “O meu marido e eu, abraçámos, em Lisboa, a causa Ajuda de Berço, significando isso a criança que não tivemos. Entendemo-la como um espaço de angústias, de alegria, de conquistas e de construção de afetos. Hoje, inauguramos mais um marco desta instituição que é o dar melhor vida à vida destas crianças”. A Ajuda de Berço, “assume-se, em tempos de quebra demográfica como um pilar da continuidade de Portugal”, frisou.

Presente na cerimónia esteve também Maria Cavaco Silva que destacou os gestos solidários que vai testemunhando por todo o país, apesar de muitas contrariedades. “Há circunstâncias da vida em que parece que vai tudo ruir, cair, mas eu tenho verificado, ao longo dos últimos anos, que isso não é verdade. Quando parece que as mãos estão a deixar cair o que devem guardar, aparecem sempre outras mãos – como estas que aqui estão, e são muitas. E não só aqui, mas em tantos outros sítios e outras casas, ao longo do meu querido Portugal. Aparecem sempre outras mãos para agarrar, para ajudar e para fazer crescer. É isso o fundamental”, apontou. Agradecendo a presença de todos, esta “madrinha” da Ajuda de Berço, reforçou o apelo para não esmorecer o apoio à instituição. “A partir daqui, é preciso vir, continuar, ajudar, fazer crescer, quando a casa estiver habitada. Uma casa é para habitar e uma casa com bebés e crianças tem que ser uma casa muito feliz!”, assegurou. 

Jornal Voz da Verdade


Leia a reportagem completa na edição do dia 17 de outubro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.


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