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Sobral da Abelheira recebeu a Imagem de Nossa Senhora da Nazaré
24 de Setembro de 2021
Círio da Prata Grande
Sobral da Abelheira recebeu a Imagem de Nossa Senhora da Nazaré

A paróquia do Sobral da Abelheira, na Vigararia de Mafra, recebeu a Imagem de Nossa Senhora da Nazaré, com o Cardeal-Patriarca a desejar que, daqui a um ano, todos os seus habitantes possam parecer mais como a Mãe de Jesus. O pároco, padre Paulo Gerardo, espera que este acontecimento, que já está a transformar a freguesia, seja um “tempo de evangelização”.

“Aquilo que mais peço neste momento é que, daqui a um ano, se possa dizer de cada um dos habitantes desta linda freguesia – Sobral da Abelheira –, aquilo que nós tantas vezes dizemos de outro modo: ‘Tal Mãe, tais filhos’. Ou seja, que ao longo deste ano de presença tão especial de Nossa Senhora, Mãe de Jesus e nossa Mãe, todos vós cresçais como filhos de Deus!”, desejou D. Manuel Clemente, na Missa que assinalou, no Domingo, 19 de setembro, a chegada do Círio da Prata Grande – 17 anos depois – à paróquia do Sobral da Abelheira. “Que todos vós pareçais mais com Ela, também neste caminho de fé, percebendo, como Ela foi percebendo, e cada vez mais e melhor, o que Jesus trouxe a este mundo, que a vida de Jesus é a nossa vida, como foi a vida de Maria”, prosseguiu o Cardeal-Patriarca.
Numa freguesia visivelmente engalanada para este acontecimento, D. Manuel Clemente manifestou “muita alegria” por constatar também “a alegria das pessoas, aquela alegria que se tem na visita da própria Mãe”. “Sendo a visita de uma Mãe que é do tamanho do Céu, imaginemos a dimensão da alegria que se tem! Estas são realidades que Deus põe no nosso coração. Isto ultrapassa a nossa previsão e nem nós próprios somos capazes de explicar de onde vem tanta alegria, tanto contentamento com estes acontecimentos”, reconheceu o Cardeal-Patriarca, reforçando o desejo inicial: “Que ao longo da nossa vida, em todas as suas vicissitudes e contradições, nós cresçamos na fé e no conhecimento de Jesus, como aconteceu com Maria”.


Círio da Prata Grande - Sobral da Abelheira


Alegria e ansiedade
O culto à Virgem de Nazaré é um dos mais antigos de Portugal e crê-se que o surgimento do Círio da Prata Grande tenha acontecido no século XVII, juntamente com outras romarias. Atualmente, este círio passa por 17 paróquias daquela região. Hoje com 33 anos, Patrícia Matias Pereira lembra-se da última vez que recebeu a Imagem na sua paróquia. “Pertencia ao grupo de jovens ‘Filhos da Luz’, da paróquia do Sobral da Abelheira, e, na altura, a responsabilidade dos jovens era tratar da distribuição das loas no percurso do Círio, desde São João das Lampas até aqui, e, depois, da quermesse”, recorda, ao Jornal VOZ DA VERDADE. “Não me apercebia do trabalho que tinham os outros colegas”, afirma Patrícia, hoje com o título honorífico de ‘Procuradora’ e de ‘1ª secretária’ da Comissão de Festas em honra de Nossa Senhora da Nazaré.
No dia 18 de setembro, a Imagem de Nossa Senhora da Nazaré foi entregue ao Sobral da Abelheira pela paróquia de São João das Lampas. No entanto, a preparação deste acontecimento começou muito antes, em 2015. “A ansiedade é sempre muita porque, à medida que os anos vão passando, nas procissões que se realizam em cada paróquia por onde passa o Círio da Nazaré, a confraria é organizada pela ordem da entrega da Imagem e vamos vendo, em cada entrega, o nosso lugar a passar para a frente. Quando começamos a ver que somos os da frente, então está iminente a chegada! É grande a alegria, mas também é grande a ansiedade”, reconhece Patrícia Matias Pereira.

Que seja “um ano de graça”
A não ajudar à festa esteve a pandemia que veio obrigar a significativas alterações de planos. “Tal como os colegas São João das Lampas, sofremos com as consequências da pandemia, que nos limitou muito a organização. Tínhamos preparado três planos para esta festa. A certa altura, já com os orçamentos pedidos, já com as pessoas faladas, com toda a logística preparada para um tipo de festa... De repente, deixou de ser assim e passou a ser outra coisa”, conta Patrícia que, apesar de existir alguma “frustração”, constata que, “nos últimos dias, com o embelezamento das ruas, com a montagem do arraial personalizado à nossa imagem, as coisas começaram a serenar, naquela serenidade mais interior, mais espiritual”. “Chegámos à conclusão de que nunca conseguimos controlar tudo, porque há sempre coisas que fogem ao nosso controlo”, lembra.
Apesar das limitações impostas pela pandemia, que obrigaram a reduzir ao essencial o que estava projetado para este acontecimento, Patrícia Matias Pereira acredita que isso pode ajudar a trazer, para aquela paróquia, “uma leitura mais ligada à espiritualidade, que é preciso recuperar”. “Notámos que, com a limitação de lugares nas Missas, e apesar de termos mudado para o salão paroquial, a frequência diminuiu. Portanto, vamos esperar que este seja um ano de graça para que consigamos também levar Nossa Senhora e que Ela nos traga o Filho, sobretudo àqueles que estão mais afastados”, deseja.


  • Leia a reportagem completa na edição do dia 26 de setembro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.



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