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“O instrumento dos instrumentos” volta a ressoar
11 de Dezembro de 2020
Igreja de São Martinho, Sintra
“O instrumento dos instrumentos” volta a ressoar

O órgão da Igreja de São Martinho, em Sintra, “esteve muitos anos em silêncio”, mas volta agora, depois de recuperado, para impulsionar o “culto cristão” que é “criador de cultura”, sublinhou o Cardeal-Patriarca. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, o pároco, padre Armindo Reis, destaca a mobilização dos paroquianos e das autoridades civis para a concretização do projeto de restauro e fala das “realidades diversas” desta Unidade Pastoral.

O órgão da Igreja de São Martinho, em Sintra, pode agora, e novamente, “ressoar, para o bem de todos”. Na reinauguração deste instrumento musical, o Cardeal-Patriarca de Lisboa destacou a importância daquele bem cultural para a transmissão da fé. “Tratando-se do culto cristão, é cultura. E sempre assim foi porque o culto cristão é prestar a Deus aquela retribuição que em Jesus Cristo nós aprendemos a dar a Deus Pai”, apontou. “Repercutir o que aprendemos de Jesus Cristo” é a “expressão mais bonita que podemos encontrar para que os sentimentos que nos vão na alma depois transbordem e sejam sentimentos de todos e para todos”, assegurou D. Manuel Clemente, no passado dia 4 de dezembro, na bênção do órgão histórico da Igreja de São Martinho, em Sintra.
Na intervenção inicial, o Cardeal-Patriarca referiu-se àquele tipo de instrumento musical como “o instrumento dos instrumentos”, pela variedade e gama de sons que consegue produzir e que encontrou no culto cristão “a sua esteira mais forte e que chega aos nossos dias”. “O culto cristão é criador de cultura. Cultura é o desenvolvimento máximo que podemos dar aos nossos sentimentos, onde se toca a verdade de Deus, a bondade e a beleza. Porque a beleza é o esplendor da verdade e a verdade é a caridade. Esse é o culto cristão em todas estas dimensões e que bom é verificar aqui, nesta terra de Sintra e nesta Igreja de São Martinho, o reencontro desta tradição, a sua oferta a todos e que assim prossiga por muitos anos e que nunca mais volte a ficar calado”, desejou D. Manuel Clemente.
Na homilia da Missa que se seguiu ao concerto pelo organista António Esteireiro, o Cardeal-Patriarca lembrou que “todas as comunidades cristãs existem para reproduzirem, em qualquer tempo e em qualquer espaço, tudo aquilo que foi e continua a ser, através de nós, a vida de Jesus”. “Ele, ao partir, dá-nos o seu Espírito para que nós reproduzamos, na nossa vida, o Evangelho que Ele trouxe ao mundo”, frisou, exemplificando com a transmissão secular da fé que, naquelas comunidades, se tem realizado de geração em geração. “Cristo continua vivo através dos cristãos que aqui viveram e dos cristãos que aqui vivem, hoje. Essa é a oferta que a comunidade cristã faz ao mundo”, concluiu. 


O ponto de partida para o restauro
A construção deste órgão de 527 tubos, na Igreja de São Martinho, data de 1776 e é, segundo a organização, o único órgão, em Portugal, classificado como bem de interesse público (enquanto peça isolada de um edifício). Uma placa revela que foi fabricado pela família Fontanes e, pela caligrafia, especula-se que esta possa ser uma obra de Joaquim António Peres Fontanes – um dos mais conhecidos organeiros, responsável, entre outras obras, pela construção de três dos seis órgãos da Basílica de Mafra. A encomenda foi feita durante a reconstrução do templo em Sintra, que tinha ficado destruído pelo terramoto de 1755, mas, até hoje, o instrumento ficou “muitos anos em silêncio”, começa por partilhar, ao Jornal VOZ DA VERDADE, o pároco, padre Armindo Reis. “Já ninguém tinha memória de o ouvir tocar. Pelo menos, desde os anos 30 do século passado e, provavelmente, também não tocou durante todo o século XX”, lamenta o sacerdote, que encontrou na comunidade paroquial os impulsos para o restauro deste instrumento secular. “Em 2004, por decisão do pároco de então, padre Carlos Jorge, foi feita uma avaliação e percebeu-se que era possível recuperar o órgão e que este não estava tão danificado quanto isso. Fez-se a primeira tentativa para a concretização do projeto e, apesar de não ter resultado na obtenção do financiamento previsto, acabou por despoletar a classificação do órgão como bem de interesse público”, conta. No entanto, o órgão de tubos continuou no coro alto da igreja, encostado a duas paredes.


Reinauguração do órgão da Igreja de São Martinho, Sintra

  • Leia a reportagem completa na edição do dia 13 de dezembro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.


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