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Meditação e oração da manhã no Congresso da UNIAPAC
24 de Novembro de 2018
Meditação e oração da manhã no Congresso da UNIAPAC
Saúdo cordialmente os organizadores e todos os participantes no Congresso da UNIAPAC (União Internacional Cristã dos Dirigentes de Empresas) e tenho todo o gosto em rezar convosco no princípio deste dia.
“Olhar os negócios como uma nobre vocação” é fundamental para um cristão. É importante que o tenham escolhido para tema deste Congresso.
«Negócio, do latim negotium, é atividade que consiste na troca, compra e venda de mercadorias, de serviços, de valores… com vista a obter lucro» (Dicionário da Academia). Sublinhemos as palavras “atividade, valores e lucro” – dando a este último o sentido pleno de realização humana, própria e alheia, com geral benefício.
Para um crente, que sabe não estar no princípio nem no fim das coisas e dá essa primazia unicamente a Deus – antes de tudo, em tudo e em todos – a atividade humana é suscitada pela própria operação divina, em continuada criação.
Para um cristão, que entrevê na ação e nas palavras de Jesus Cristo a própria ação divina (cf. Jo 14, 9), o negócio é também “vocação”. Porque vocação significa “chamamento” e Jesus chama-nos a colaborar com Ele. 
Recordemos a “parábola dos talentos”, que Jesus contou: «Será como um homem que, ao partir para fora, chamou os servos e confiou-lhes os seus bens […]. Aquele que recebeu cinco talentos negociou com eles e ganhou outros cinco […]. Passado muito tempo, voltou o senhor daqueles servos e pediu-lhes contas. Aquele que tinha recebido cinco talentos aproximou-se e entregou-lhe outros cinco, dizendo: “Senhor, confiaste-me cinco talentos, aqui estão outros cinco que eu ganhei.” O senhor disse-lhe: “Muito bem, servo bom e fiel, foste fiel em coisas de pouca monta, muito te confiarei. Entra no gozo do teu senhor”» (Mt 25, 14 ss).         
Neste trecho encontramos o essencial do vosso tema, o negócio como vocação. Começa e termina com o chamamento do “senhor”. Primeiro para desenvolver os talentos confiados e finalmente para compartilhar uma alegria completa. Pelo meio está o negócio, a atividade que duplica o valor. 
Creio que esta motivação “religiosa”, ou seja, que liga quem trabalha ao próprio trabalho divino, será muito forte e criativa para um gestor cristão. Juntará o seu trabalho ao trabalho de Jesus Cristo, que coincide com o trabalho de Deus Pai, na força dum único Espírito: «O meu Pai continua a realizar obras até agora, e Eu também continuo!» (Jo 5, 17).  
Assim se poderá rezar a oração que Jesus nos ensinou. Oração ao Pai que está nos céus e cujo nome se santifica também na terra, quando nos encontra verdadeiramente do seu lado e a colaborar na sua obra; alargando um reino onde não faltará o pão para todos e onde sempre se possa recomeçar, numa mútua reconciliação que nos reabilite e relance, sem desfalecer nem cair no seu contrário.
Rezemos pois, como o Senhor nos ensinou: «Pai nosso…»

Lisboa, 23 de novembro de 2018
+ Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa

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