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Homilia no Aniversário da Dedicação da Sé Catedral de Lisboa
25 de Outubro de 2017
Homilia no Aniversário da Dedicação da Sé Catedral de Lisboa
“A minha casa será chamada casa de oração de todos os povos” 

Senhores Bispos 
Senhores Cónegos
Caríssimos Padres e Diáconos
Caríssimos Seminaristas
Caríssimos Membros da Irmandade do Santíssimo Sacramento
Irmãos e Irmãs em Nosso Senhor Jesus Cristo

1. Celebramos a dedicação desta igreja catedral, igreja-mãe da Diocese, sinal da Igreja comunhão, povo congregado em nome do Pai, do Filho e do Espirito Santo.
Escutamos na primeira leitura do profeta Isaías, a mensagem de Deus ao povo de Israel, que o Senhor escolhera, para, através dele, se dar a conhecer a todos os povos.
O Senhor diz-lhe que deve ser um povo acolhedor, misericordioso e justo; um povo aberto para acolher todos aqueles que desejam unir-se a Ele para o servirem e para o amarem. 
A condição é a de que estejam dispostos a converterem-se e a seguirem os caminhos da Aliança.Ninguém é excluído da comunidade da salvação, porque Deus é Deus de todos, ama a todos, a todos quer conduzir ao seu “monte santo”.

2. Também nós, povo da Nova Aliança, somos chamados a ser um povo acolhedor, justo, misericordioso como o é o Senhor nosso Deus.
Um povo que acolhe a todos, que não faz distinção de pessoas; um povo que, como Jesus, acolhe ricos, pobres, pecadores, excluídos, marginalizados e pródigos que decidem retornar à casa do Pai, à comunhão com Deus, como escutamos na passagem evangélica proclamada.
Um povo que acolhe os que chegam, mas também sai para ir ao encontro dos que estão fora, fazendo-se próximo dos afastados, dos indiferentes, dos que vivem como se Deus não existisse, dos pecadores, como fez Jesus.Somos chamados a ser uma Igreja samaritana que se detém diante dos que estão caídos à beira do caminho; uma Igreja que manifesta a compaixão, a misericórdia e a ternura de Deus.
O acolhimento e a proximidade fazem-se, antes de mais, com o coração. O coração do cristão é a «casa» que acolhe a todos, que não exclui ninguém, onde todos podem encontrar um sinal do amor e da misericórdia de Deus.
É bom e desejável ter as portas da igreja-templo abertas, como recomenda o Papa Francisco, mas de pouco servirá, se as portas da Igreja-comunidade, que é o coração de cada de um de nós, não se abrirem também para acolher. 

3. No caminho da nossa conversão missionária e pastoral que nos propusemos na nossa Constituição Sinodal, guiada pelo “sonho missionário de chegar a todos”, elegemos o acolhimento como uma tarefa pastoral permanente, porque “dele depende em grande medida, a constituição de laços de pertença à Igreja” (n.36) e de “fazer da Igreja uma rede de relações fraternas” (n.60), à imagem da Santíssima Trindade que é “a fonte e o modelo da comunhão humana e, por isso, também origem e sustento da comunhão eclesial” (n.60).
Esta comunhão é indispensável para realizar a missão evangelizadora, que o Senhor nos confiou, porque a primeira forma de evangelização é o testemunho de comunhão: comunhão com Deus e comunhão entre nós.
Somos chamados a construir “uma rede de relações fraternas” (CSL, n.60), de modo que as nossas comunidades se manifestem como “oásis” de comunhão, “família de famílias” e uma família para os que não têm família, dando o nosso contributo para a construção da unidade da família humana.
O Concilio Concílio Vaticano II recorda que “que a unidade da família humana recebe um grande esforço e encontra o seu acabamento na unidade dos filhos de Deus” (GS, n.42), na unidade pela qual Jesus rezou ao Pai antes de morrer, pedindo que todos aqueles que viessem a acreditar nele, fossem um, como Ele e o Pai eram um, para que o mundo acreditasse nele (cf. Jo 17).
Esta unidade, sinal da nossa identidade de filhos de Deus e de discípulos de Jesus, deve tornar-se, para uma sociedade dividida e fragmentada como a nossa a diversos níveis, um sinal de que a união social é possível, em Cristo ressuscitado.

4. O apóstolo São Pedro, na segunda leitura, recordava-nos a nossa identidade eclesial de ”pedras vivas”, de “templo espiritual”, chamados a “constituir um sacerdócio santo”, e convidava-nos a aproximarmo-nos sempre mais do Senhor, “pedra viva”; a “entrar na construção deste templo espiritual”; a consolidar e a crescer na nossa pertença à Igreja; a ser nela, membros vivos, não mortos, nem adormecidos.
Cristo é “a pedra viva”,  o fundamento da vida de cada um de nós, da Igreja, e da missão que somos chamados a realizar em comunhão, juntos, na senda do caminho sinodal empreendido, e da renovação eclesiológica promovida pelo Vaticano II e pelo Papa Francisco (cf. CSL, n.68).
Construir sobre Cristo, é, antes de mais, contruir sobre a sua Palavra.
Este deve ser o nosso propósito e o nosso caminho no presente ano pastoral: “Fazer da Palavra de Deus o lugar onde nasce a fé” (CSL n.38).
Não nos faltam estímulos e subsídios, nem nos há de faltar a criatividade pastoral, nem o “esforço pastoral para que a palavra de Deus apareça em lugar central na vida da Igreja”, intensificando a “pastoral bíblica”, “não a justapondo a outras formas de pastoral, mas como animação bíblica de toda a pastoral” (VD n.73).Como refere o Papa Bento XVI na exortação apostólica Verbum Domini “não se trata simplesmente de acrescentar qualquer encontro na paróquia e na diocese, mas de verificar que, nas atividades habituais das comunidades cristãs, nas paróquias, nas associações e nos movimentos, se façam reais esforços em ordem ao encontro pessoal com Cristo que se comunica a nós na sua Palavra” (VD, n.73).

5. Trata-se, como é referido na nossa Constituição Sinodal, de “recolocar a Palavra de Deus no centro das nossas comunidades cristãs, mobilizando os recursos necessários para que seja conhecida, escutada, meditada, rezada, celebrada, cantada, vivida testemunhada e bem proclamada” (n.38).
Este será também um modo excelente de consolidar a fé e a comunhão eclesial, edificar a Igreja, e de realizar mais eficazmente a missão de anúncio e de testemunho do Evangelho, de ser uma Igreja missionária, “um povo para todos” (EG,112), “fermento de Deus no meio da humanidade (EG,114), “casa de oração para todos os povos”.

† Joaquim Mendes
Bispo Auxiliar de Lisboa

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