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Tomada de posse da nova equipa reitoral da UCP
31 de Outubro de 2016
Tomada de posse da nova equipa reitoral da UCP
Senhoras e senhores, estimados membros da comunidade académica da Universidade Católica Portuguesa, ilustres convidados

As minhas primeiras palavras são de profundo agradecimento à Senhora Professora Doutora Maria da Glória Garcia e a toda a equipa reitoral cessante. Foram quatro anos de intensa e generosa atividade, que permitiu à nossa Universidade consolidar a formação dos seus alunos e o progresso científico dos seus docentes. Garantiu também à sociedade portuguesa e não só a continuação do inestimável serviço que há meio século presta. Quase só por si, pelo contributo das famílias e por algum apoio que consiga granjear, a Universidade Católica Portuguesa tem oferecido a Portugal milhares de diplomados nos vários ramos, muitos deles no topo da excelência, que integram o melhor do que o país tem no seu presente e para o seu futuro. Com inesperadas dificuldades de saúde, a Professora Maria da Glória levou por diante um mandato de grande tenacidade e eficácia, de que todos lhe ficamos devedores, como ao seu grande exemplo de dignidade e coragem. Muito obrigado, caríssima amiga. Agradecimento justamente extensivo aos outros membros da sua equipa reitoral, com cujo apoio pôde sempre contar e nós todos lucrarmos também.

Entre eles, destaco necessariamente a Senhora Professora Doutora Isabel Maria Capeloa Gil, que lhe sucede no Reitorado, assim confirmada pela Congregação para a Educação Católica. O muito trabalho que já realizou na nossa Universidade em geral e na Faculdade de Ciências Humanas em particular assegura-nos que teremos nela e na equipa reitoral que escolheu a melhor garantia do futuro que construirão. Em todos e cada um dos Centros em que a nossa Universidade se implanta, de Braga a Lisboa e do Porto a Viseu, todos contaremos convosco, caríssima nova Reitora, Vice-Reitores, Pró-Reitor e Administradora, com a vossa competência e dedicação sempre demonstradas. Universidade, Igreja e Pais, todos contamos convosco, bem como os nossos alunos estrangeiros e as sociedades donde provêm. 

Acrescento um breve apontamento sobre a identidade e a contribuição da Universidade Católica, no conjunto da academia portuguesa e nas atuais circunstâncias socioculturais. Retomo, para tal, as palavras do Papa Francisco dirigidas há tempos a uma conhecida Universidade norte-americana: «[As Universidades Católicas] empenham-se em demonstrar a harmonia entre fé e razão e em evidenciar a relevância da mensagem evangélica para uma vida humana vivida em plenitude e autenticidade. […] Desejo que a Universidade […] continue a oferecer o seu indispensável e inequívoco testemunho neste aspeto da sua fundamental identidade católica, especialmente diante de tentativas, provenientes donde forem, para a diluir. Isto é importante: a identidade própria, como se quis desde o princípio. Defendê-la, conservá-la, fazê-la prosseguir» (cf. Papa Francisco, Audiência a uma delegação da Universidade de Notre Dame, 30 de janeiro de 2014).    

O que “identidade própria” significa foi versado pelo Papa Francisco, no horizonte sociocultural mais amplo, com a sua encíclica Laudato si’, sobre o cuidado da casa comum, publicada a 24 de maio de 2015. Neste documento, que requer uma receção académica que a nossa Universidade não esquecerá, o Papa não fala de ecologia no sentido fraco, como solução de recurso para minorar problemas ambientais. Escreve assim: «A cultura ecológica não se pode reduzir a uma série de respostas urgentes e parciais para os problemas que vão surgindo à volta da degradação ambiental, do esgotamento das reservas naturais e da poluição. Deveria ser um olhar diferente, um pensamento, uma política, um programa educativo, um estilo de vida e uma espiritualidade que oponham resistência ao avanço do paradigma tecnocrático» (LS, 111).

Das Ciências Humanas à Filosofia e à Teologia, do Direito às Artes, da Economia à Gestão, da Biotecnologia à Saúde e à Politica, da Família à Comunicação – seja qual for a área de aplicação dos seus cursos, centros e institutos, a Universidade Católica terá de avançar no sentido do conjunto, a que o Papa também chama “ecologia integral”. Ecologia que, «inclua claramente as dimensões humanas e sociais» (LS, 137). E explicita: «É fundamental buscar soluções integrais que considerem as interações dos sistemas naturais entre si e com os sistemas sociais. Não há duas crises separadas: uma ambiental e outra social; mas uma única crise socioambiental. As diretrizes para a solução requerem uma abordagem integral para combater a pobreza, devolver a dignidade aos excluídos e, simultaneamente, cuidar da natureza» (LS, 139).Concluo estas palavras de reconhecimento e estímulo lembrando que o emblema da Universidade Católica Portuguesa junta humanidade e verdade. Estou certo e seguro que a nova equipa reitoral, prosseguindo quem a antecedeu, não perderá este horizonte largo e não desistirá de tal desígnio. Nisso mesmo contará com a Igreja e a sociedade portuguesas, que reconhecem nela uma realidade essencial para o bom futuro de nós todos. 

Lisboa, 28 de outubro de 2016

+ Manuel Clemente   

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