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Inauguração das novas instalações da Rádio Renascença
13 de Maio de 2016
Inauguração das novas instalações da Rádio Renascença
Ex.mos Senhores Presidente da República, Presidente da Assembleia da República e Primeiro Ministro. Ex.mos e Rev.mos Senhores Núncio Apostólico, Arcebispos e Bispos. Ex.mos Convidados. Senhor Cónego João Aguiar Campos, tão dedicado Presidente do Conselho de Gerência, Revº Padre Américo Aguiar, Vice-Presidente, e demais membros do referido Conselho, com toda a Equipa de Direção. Antigos responsáveis e colaboradores. Caríssimos colaboradores e amigos da “nossa” Emissora Católica: 

Congratulamo-nos vivamente com a inauguração das novas instalações da Rádio Renascença – Emissora Católica Portuguesa. E o plural que usei – “congratulamo-nos” – verifica-se na presença aqui, além dos que a integram, do Episcopado Português em tão expressivo número, e das mais altas figuras do Estado, cuja comparência penhoradamente agradeço.
Porque esta Emissora é e quer ser católica. Mas pretende igualmente ser portuguesa, não apenas na localização e na nacionalidade dos seus membros, mas na atenção constante e construtiva à nossa terra e à cultura e anseios do seu povo. Aliás, a grande audiência que mantém e o carinho com que é acompanhada por tantos bem demonstram este caráter nacional, que a condição católica reforça. 
Católica é, como assim nasceu. O seu fundador, Monsenhor Lopes da Cruz, nunca a quis doutra maneira, como escrevia em 11 de novembro de 1937: «A Rádio Renascença nasceu e tem-se desenvolvido enquadrada na Ação Católica. Não temos feitio para obras individualistas, isoladas, nem nos parece que sejam estas as mais aconselháveis nos tempos que correm». Recolhamos dois pontos desta afirmação: o enquadramento eclesial e a oportunidade de ser assim.
O enquadramento eclesial referia-se na altura à Ação Católica, organizada quatro anos antes entre nós para unir e encaminhar a ação da Igreja militante. O seu grande propulsor, Cardeal Cerejeira, apoiava também Lopes da Cruz na respetiva irradiação radiofónica. E assim mesmo a queria este, com todo o ardor com que servia a causa, incluindo-se criativamente no sujeito plural que era o seu. Como nos queremos nós, tantas décadas depois.
Porque a oportunidade de ser assim, e só assim, se mantém. Como cidadãos entre cidadãos, temos legitimamente opções e gostos próprios, articulados na corresponsabilidade geral. Participamos como preferimos e com outros, de crenças ou não crenças, nas expressões variadas da sociedade e da cultura, em laicidade sã e preenchida. Simultaneamente, aqui, nesta Emissora, como noutras realidades eclesiais, estamos como Igreja, de convicção e proposta definidas, assim mesmo enriquecendo com o contributo cristão-católico essas mesmas sociedade e cultura. E assim fica claro o que somos, para que francamente contem todos connosco – e saibam com o que podem contar.
Contar e lucrar, pois de catolicismo se trata, com inspiração evangélica concretizada em acolhimento e boa vontade, para com todos e nos mais diversos assuntos, para os elucidar e desenvolver positivamente. Na sua recente Mensagem para o 50º Dia Mundial das Comunicações Sociais, o Papa Francisco é sobremaneira claro e incisivo, quanto ao que havemos de ser e fazer, nesta Emissora e em iniciativas congéneres.
Diz-nos sobre o estilo: «Seja o estilo da nossa comunicação capaz de superar a lógica que separa nitidamente os pecadores dos justos. Podemos e devemos julgar situações de pecado – violência, corrupção, exploração, etc. -, mas não podemos julgar as pessoas, porque só Deus pode ler profundamente no coração delas».
Diz-nos sobre a verdade: «É nosso dever principal afirmar a verdade com amor (cf. Ef 4,15). Só palavras pronunciadas com amor e acompanhadas por mansidão e misericórdia tocam os nossos corações de pecadores. Palavras e gestos duros ou moralistas correm o risco de alienar ainda mais aqueles que queríamos levar à conversão e à liberdade, reforçando o seu sentido de negação e defesa».
Diz-nos sobre a escuta: «Comunicar significa partilhar, e a partilha exige a escuta, o acolhimento. Escutar é muito mais do que ouvir. Ouvir diz respeito ao âmbito da informação; escutar, ao invés, refere-se ao âmbito da comunicação e requer a proximidade. […] Escutar significa também ser capaz de compartilhar questões e dúvidas, caminhar lado a lado, libertar-se de qualquer presunção de omnipotência e colocar, humildemente, as próprias capacidades e dons ao serviço do bem comum». 
E diz-nos o essencial: «Não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de fazer bom uso dos meios ao seu dispor».
Caríssimos colaboradores da Rádio Renascença – Emissora Católica Portuguesa: Estilo inclusivo, verdade amiga e escuta atenta - sejam estas indicações pontifícias a vossa marca e o critério no trabalho que aqui continuareis. E assim mesmo fareis jus e homenagem a tantas décadas e gerações que a sustentaram.
Assim contamos convosco e assim contareis connosco!

Lisboa, Quinta do Bom Pastor, 13 de maio de 2016

+ Manuel Clemente, Cardeal-Patriarca de Lisboa  

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