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Semana Santa: aspetos pastorais e litúrgicos em tempo de covid-19
31 de Março de 2020
Departamento da Liturgia
Semana Santa: aspetos pastorais e litúrgicos em tempo de covid-19

Retomando e complementando a carta do senhor Patriarca e dos senhores Bispos Auxiliares aos sacerdotes, de 30 de março, apresentamos um conjunto de sugestões relativas às necessárias adaptações e aplicação no Patriarcado de Lisboa das orientações dos diversos documentos emanados da Conferência Episcopal Portuguesa, da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, e da Penitenciaria Apostólica. 
As sugestões apresentadas organizam-se em dois grandes grupos: um, dedicado aos presbíteros, em particular, os presidentes das celebrações dos mistérios litúrgicos e, outro, às famílias. 

Os documentos que serviram de base às sugestões que se seguem são os seguintes: 

1. Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos sobre as celebrações da Semana Santa e Páscoa (19 março 2020)

2. Nota da Penitenciaria Apostólica acerca do Sacramento da Reconciliação na atual situação de pandemia (19 março 2020)

3. Decreto da Penitenciaria Apostólica acerca da concessão de Indulgências especiais aos fiéis na atual situação de pandemia (19 março 2020)

4. Comunicado da Conferência Episcopal Portuguesa sobre a celebração da Semana Santa e Tríduo Pascal (20 março 2020)

5. Decreto – Em tempo de Covid-19 (II) – Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos (25 março 2020)

6. Decreto sobre a intenção especial a acrescentar à Oração Universal durante a celebração da Paixão do Senhor unicamente para o ano de 2020 - Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, (30 março 2020)



I – SEMANA SANTA: ASPETOS PASTORAIS E LITÚRGICOS EM TEMPO DE COVID-19 SUGERIDOS AOS PRESBÍTEROS 

Em virtude da suspensão das celebrações litúrgicas comunitárias até ser superada a atual situação de emergência decorrente da pandemia de Covid-19, apresentamos as seguintes sugestões: 


Tríduo Pascal 

Os párocos que tiverem a possibilidade de celebrar e transmitir as celebrações dos mistérios litúrgicos do Tríduo Pascal, sugere-se que o façam a partir da sua igreja paroquial, sem concurso do povo, evitando a concelebração e omitindo o gesto da paz. Não se recomenda celebrações dos mistérios litúrgicos da Semana Santa, em particular, do Tríduo Pascal transmitidas pelos meios de comunicação social e/ou redes sociais a partir de outros locais diferentes de igrejas ou capelas. Recorda-se que as transmissões das celebrações litúrgicas devem ser em direto e não gravadas, em diferido. 
Sugere-se que os horários e locais sejam divulgados em página própria do site do Patriarcado de Lisboa (www.patriarcado-lisboa.pt), para que o povo possa, com a devida antecedência, organizar-se e preparar-se para as celebrações dos mistérios litúrgicos da Semana Santa, em particular, do Tríduo Pascal. 


Domingo de Ramos 
A Comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém deve celebrar-se dentro da igreja, nas igrejas paroquiais, outras igrejas ou capelas, de acordo com a terceira forma (entrada simples) prevista pelo Missal Romano


Quinta-feira Santa – Missa Vespertina da Ceia do Senhor
Sugere-se o seguinte esquema: 
Antífona de entrada, Glória e Oração Coleta; Liturgia da Palavra, Homilia e Oração Universal; Liturgia Eucarística; conclui-se com a reposição do Santíssimo Sacramento no Sacrário e alguns momentos de adoração eucarística. Omite-se o lava-pés, já de si facultativo.

No momento da comunhão, como convite à comunhão espiritual, sugere-se, por exemplo, que seja recitada a Oração de Comunhão espiritual de santo Afonso Maria de Ligório: 

Ó Jesus, vinde e vivei em mim. 
Ó meu Jesus, eu creio que Vós estais no Santíssimo Sacramento. 
Amo-vos sobre todas as coisas e desejo que venhais à minha alma. 
Já que agora não Vos posso receber no Santíssimo Sacramento, 
vinde, ao menos espiritualmente, ao meu coração. 
Como se já tivésseis vindo, eu vos abraço e me uno a Vós. 
Não permitais que eu jamais me separar de vós. 


Sexta-feira Santa – Paixão do Senhor
Sugere-se que a celebração siga o esquema do Missal Romano, salientando que a Adoração da Santa Cruz decorra sem o beijo habitual, com exceção do celebrante que a poderá beijar, e sem qualquer outra manifestação que envolva o sentido do tato. 

Proposta de oração para acrescentar à Oratio Universalis de Sexta-feira da Paixão do Senhor:


IX b. Pelas vítimas da atual pandemia

Oremos por todos os que sofrem as consequências da atual pandemia;
para que Deus nosso Senhor, conceda a cura aos enfermos,
força aos que trabalham na saúde, conforto às famílias
e a salvação a todas as vítimas mortais.


Oração em silêncio. 


Depois o sacerdote diz:

Deus eterno e omnipotente,
único refúgio daqueles que sofrem,
ouvi benignamente a aflição dos vossos filhos que sofrem esta pandemia;
aliviai a dor de quem sofre,
dai força a quem está a seu lado,
acolhei na vossa paz os que já pereceram
e fazei com que todos encontrem o auxílio da vossa misericórdia
neste tempo de tribulação.
Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho,
que é Deus convosco na unidade do Espírito Santo.


Domingo de Páscoa – Vigília Pascal 
Celebra-se exclusivamente nas igrejas catedrais e paroquiais. 
Sugere-se o seguinte esquema: Liturgia da Luz: acende-se o círio pascal e segue-se o Precónio pascal (Exsultet); Liturgia da Palavra; Liturgia batismal: Renovação das promessas batismais; Liturgia eucarística. 


Domingo da Ressurreição
Sugere-se o esquema previsto no Missal Romano. No sentido de sublinhar a unidade de toda a Igreja de Lisboa, sugere-se o toque festivo dos sinos de todas as igrejas possíveis ao meio-dia (12h) do Domingo de Páscoa, como manifestação de que Cristo está vivo e ressuscitado. Caso não seja possível a essa hora, sugere-se o mesmo toque no final da missa da manhã. 

De um modo geral, para todos os sacerdotes que presidem às celebrações litúrgicas transmitidas pelos meios de comunicação social e redes sociais, sugere-se: 

1. Definir o horário em que se vai realizar a celebração dos mistérios litúrgicos da Semana Santa e, em particular, do Tríduo Pascal, e anunciá-lo previamente, para que o povo se possa preparar devidamente. 

2. De preferência, celebrar a partir de uma igreja ou capela, onde já estão inseridos os elementos do espaço litúrgico. 

3. Falar e ler clara e pausadamente, para facilitar a audição dos participantes. 

4. Preparar, antes da celebração litúrgica, as alfaias litúrgicas que serão necessárias, em função do número de presentes fisicamente na celebração litúrgica para que tudo corra com ritmo e harmonia.  Estes serão apenas os estritamente indispensáveis e guardando a devida separação entre si. 



II – SEMANA SANTA: ASPETOS PASTORAIS E LITÚRGICOS EM TEMPO DE COVID-19 SUGERIDOS ÀS FAMÍLIAS

Em virtude da suspensão das celebrações litúrgicas comunitárias até ser superada a atual situação de emergência decorrente da pandemia, apresentam-se as seguintes sugestões às famílias relativas a aspetos pastorais e litúrgicos em tempo de Covid-19, em particular, para a Semana Santa e Tríduo Pascal de 2020. 

Sugere-se, neste tempo excecional e na medida do possível, que as famílias participem nas celebrações litúrgicas através dos meios de comunicação social ou das redes sociais. Sempre que possível, e tendo em conta a situação de pandemia que vivemos, auxiliem-se os idosos e doentes para que possam também participar do mesmo modo nas celebrações litúrgicas. 

Os horários das celebrações litúrgicas presididas pelo Bispo diocesano deverão ter particular destaque na sua divulgação no site do Patriarcado de Lisboa (www.patriarcado-lisboa.pt) e através dos outros meios de comunicação social e redes sociais disponíveis, face às restantes celebrações litúrgicas nas várias paróquias ou comunidades religiosas. 

Como auxílio à oração familiar sugerem-se dois subsídios publicados pelo Secretariado Nacional de Liturgia (http://www.liturgia.pt): 


  • Na esperança que sustenta a casa - Celebrar e rezar em tempo de pandemia Domingo de Ramos e Tríduo Pascal (Descarregue aqui)


Sugere-se também a publicação "Tríduo Pascal em Família", da autoria de um sacerdote do nosso presbitério e disponibilizado on-line pela Paulus Editora (Descarregue aqui)


Sugestões gerais para a participação nas celebrações litúrgicas através dos meios de comunicação social e/ou redes sociais: 

1. Escolher previamente o horário em que se vai participar na celebração litúrgica, só ou com toda a família, para permitir que cada um se prepare devidamente. 

2. Convém preparar o espaço com uma vela e uma cruz junto ao meio de comunicação através do qual ocorre a transmissão da celebração litúrgica (rádio, ou televisão, computador, etc.). 

3. Vestir-se adequadamente. 

4. Desligar telefones e telemóveis, ou outros meios de comunicação, que não sirvam à transmissão da celebração litúrgica. 

5. Antes da celebração litúrgica fazer um momento de silêncio, ou de partilha em família, para tomar consciência de que se vai participar numa celebração dos mistérios litúrgicos, identificando: o que é que eu agradeço ou o que é que eu ofereço nesta celebração? O que é que eu vou colocar no altar para oferecer a Deus? Quais as intenções de cada um, ou da família, que oferecemos a Deus neste momento que iremos celebrar desta forma excecional? 

6. Durante a celebração litúrgica é importante fazer os gestos como se estivéssemos na igreja, se for possível, se a saúde de cada um ou o espaço familiar o permitir (sentar, levantar, ajoelhar). 

7. É importante dar valor ao silêncio para interiorizar a Palavra de Deus e, depois da Comunhão de quem preside, cada um ou em família, fazer um ato de comunhão espiritual. Escolher previamente, cada um ou em família, a oração para fazer essa comunhão espiritual. Ou, então, fazer a oração de comunhão espiritual sugerida por quem preside à liturgia eucarística. 

8. É importante não ter pressa. Depois da Missa, ficar um breve tempo em oração individual, ou fazer um momento de partilha em família, sobre o que a Palavra de Deus suscitou no coração de cada um. 

9. Em casa, convém escolher um espaço adequado para a oração em conjunto com dignidade e recolhimento. Onde for possível, prepare-se um pequeno «recanto da oração» (cf. Catecismo da Igreja Católica, 2691) ou, pelo menos, um espaço da casa onde se coloca a Bíblia aberta, a imagem do crucifixo, um ícone/imagem da Virgem Maria, uma vela para acender no momento oportuno, se possível sobre uma toalha branca. 

10. Na Semana Santa e, em particular, no Tríduo Pascal Tríduo Pascal, se for possível, se a saúde de cada um ou o espaço familiar o permitir, sugere-se que: o Domingo de Ramos – se coloque em destaque um ramo de oliveira ou uma palma junto ao crucifixo. 

11. Sexta-feira Santa – se coloque em destaque um crucifixo que acompanha a oração em família e a transmissão da celebração litúrgica da Paixão do Senhor. A participação nesta transmissão deve iniciar-se de joelhos, em silêncio. O momento da Adoração da Santa Cruz deve acontecer em silêncio, fazendo uma genuflexão diante do único crucifixo presente. 

12. Domingo de Páscoa. Vigília Pascal – se coloque em destaque uma vela, se possível com uma dimensão razoável, que acompanha a oração em família e a transmissão da celebração litúrgica da Vigília Pascal. 



Cónego Luís Manuel Pereira da Silva
Diretor do Departamento da Liturgia



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