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Celebração Ecuménica na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos
23 de Janeiro de 2005
Celebração Ecuménica na Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos

SEMANA DE ORAÇÃO PELA UNIDADE DOS CRISTÃOS

CELEBRAÇÃO ECUMÉNICA
Apresentação


O tema da celebração é: Cristo, único fundamento da Igreja.

A assembleia começa louvando a Cristo pela sua obra de salvação.

Esta oração está centrada no conjunto do texto de 1Co3, mas apenas aos versículos 10-13 é dado destaque na liturgia da Palavra. As outras leituras possibilitam desenvolver o tema da solidez e da qualidade da construção da Igreja em Cristo, pedra angular e fundamento da nossa unidade.

A caminhada penitencial e a oração de perdão foram colocadas após a proclamação da palavra de Deus. Isso permite torná-las num elemento essencial deste culto. Algumas assembleias preferirão deixá-la no lugar tradicional. Essa parte tem o objectivo de levar cada comunidade a um exame de consciência colectivo diante de Cristo (v.4), fundamento da Igreja una: expressões de arrependimento, símbolos e testemunhos contribuirão para isso.

Anunciamos juntos o Evangelho reconhecendo e partilhando os dons que o Senhor concede às nossas Igrejas (v.5)? Aceitamos o papel complementar das nossas Igrejas em algumas situações locais? Reconhecemos o primado de Cristo de quem somos servidores? Trabalhamos verdadeiramente juntos na obra de Deus (v.9)?

O símbolo aqui proposto é o de duas tábuas ou vigas de madeira que são unidas numa simples cruz durante a celebração. O símbolo pretende evocar, simultaneamente, as portas do inferno destruídas após a Páscoa de Cristo e os materiais sólidos vulgarmente utilizados para a construção de uma casa. Depois da cruz ser colocada no chão, outros símbolos — de arrependimento, de expressão da nossa fé e da nossa pertença a Cristo para edificação da sua Igreja — poderão, pouco a pouco, ser colocados junto dela (velas, grãos de trigo germinando, flores, desenhos de crianças etc.).

Durante as intercessões, inspiradas em 1Co3, 1-23, a assembleia confia a Cristo, único mediador, a obra dos cristãos e a diaconia das Igrejas no mundo.


DESENVOLVIMENTO DA CELEBRAÇÃO

I. Abertura da celebração

Palavras de boas-vindas

Caros irmãos em Cristo: Hoje, estamos aqui reunidos para dar graças a Deus que nos chamou a procurar a unidade. Nós lhe agradecemos em nome de todos aqueles que, nas diversas partes do mundo, aspiram e rezam pela unidade dos cristãos. Nesta Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos, é particularmente às Igrejas da Eslováquia que nos associamos na oração e na meditação. Deus concedeu-lhes novas oportunidades de servir, de se reconciliar e de receber os dons espirituais. Estimulados pelo seu ministério, com os cristãos do mundo inteiro, reflectimos sobre os fundamentos da nossa fé comum que é Jesus Cristo, nosso Senhor.

Enquanto a oração tem início, duas traves de madeira serão depositadas perto do altar. Elas recordam-nos as portas do inferno quebradas por Cristo e as da nossa vida nova nele. A madeira, material tradicional de construção, convida-nos também a reflectir sobre o facto de sermos todos chamados a construir e a promover a unidade entre os cristãos. Durante esta celebração, reuniremos os dois pedaços de madeira formando uma cruz em sinal do fundamento sobre o qual nós construímos: Jesus Cristo.

Saudação

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ámen.
Palavras de introdução
Quanto ao fundamento, ninguém pode lançar outro que não seja o já posto: Jesus Cristo (1 Co 3,11).

Oração de introdução

Rezemos juntos (breve silêncio):

Senhor, Deus vivo, nós te damos graças pelas obras magníficas que completaste entre nós. Nós te damos graças, particularmente, por teu filho Jesus Cristo que, aceitando morrer na cruz, nos ofereceu a salvação. Conserva-nos perto dele, ao pé da cruz onde buscamos o reconforto e a alegria, a cura e a sabedoria. Com todos os fiéis, em palavras e em acções, nós cantamos o louvor, por Jesus Cristo nosso Senhor, que vive e reina contigo e o Espírito Santo, agora e pelos séculos dos séculos.

Ámen.

Acção de Graças

L: Leitores: 1, 2
A: assembleia
Após cada estrofe iniciada por “Eu”
— na qual o sujeito que fala é Cristo —, à maneira de “impropérios”, a assembleia bendiz o nome do Senhor. Em seguida, dirige-se a ele numa resposta cantada, formulada em “nós”. Pode-se começar a leitura por: Assim fala o Senhor Jesus.

L1 Porque te amo, meu povo, nasci em Belém.
Eu recebi o nome de Emanuel
Pois eu sou Deus contigo pelos séculos.
A Bendito sejas, Senhor.

L2 Eu desci ao Jordão onde fui baptizado na água em sinal do baptismo no Espírito
que viria para que toda carne seja purificada e renovada.
A Bendito sejas, Senhor.

L1 Eu fui conduzido ao deserto pelo Espírito para lá afrontar o tentador, vencê-lo
e te libertar das correntes.
A Bendito sejas, Senhor.

L2 Eu proclamei a boa nova do reino do Pai: reino de justiça e de misericórdia, de
amor e de verdade, de paz e de felicidade.
Eu realizei os sinais dos novos tempos, minhas mãos curavam os doentes,
minha presença levava a paz.
A Bendito sejas, Senhor.

L1 Eu te reuni, pequeno rebanho, como a galinha reúne os seus pintainhos, como
o pastor reúne o seu rebanho.
Eu quis pôr-te nos ombros e conduzir-te ao paraíso.
A Bendito sejas, Senhor.

L2 Eu parti o pão e servi o vinho novo para fazer aliança contigo e te dar a
vida em abundância.
Eu pedi a Deus que a minha alegria esteja em ti.
A Bendito sejas, Senhor.

L1 No madeiro da cruz eu entreguei o espírito, morri pelo perdão dos pecados
e para reunir os filhos dispersos do Pai, e eu abri as portas dos infernos.
No terceiro dia eu ressuscitei dos mortos.
A Bendito sejas, Senhor.

L2 De junto do Pai eu derramo sobre ti o meu Espírito Santo.
Ele te lembrará de tudo o que eu te ensinei.
Ele é o sopro de vida.
Ele é luz e consolo, força do teu testemunho, inspiração da tua oração.
A Bendito sejas, Senhor.

L1 Escuta, meu povo, eu estou contigo todos os dias até o fim dos tempos, para
que sejas um como eu sou um com o Pai, a fim de que o mundo creia.
Escuta a minha voz, ó meu povo, e segue-me para que haja um só rebanho
e um só Pastor.
A Bendito sejas, Senhor.

Hino da assembleia (resposta cantada)

- Efésios 1,
- ou “Glória a Deus no mais alto dos céus”,
- ou “A ti a glória”,
- ou outro hino, de preferência alusivo a Cristo.

II. Liturgia da Palavra

Oração para antes das leituras bíblicas

Faz brilhar em nossos corações, Senhor amigo dos homens e das mulheres, a pura luz do teu divino conhecimento. Abre os olhos do nosso espírito para a compreensão da tua mensagem evangélica. Inspira-nos o respeito pelos teus bem-aventurados mandamentos, a fim de que, reprimindo em nós os desejos da carne, possamos conduzir uma vida segundo o Espírito, orientando todas as nossas intenções e todas as nossas acções para o teu prazer. Pois tu és a luz da nossa alma e do nosso corpo, Cristo Deus, te damos glória, com teu Pai Eterno e teu Espírito santíssimo, bom e vivificante, agora e sempre, pelos séculos dos séculos.

Leituras (opção 1 ou 2)

Opção 1 Gn 28,10-17 Opção 2 1Co 3,1-23

Sl 118,16-24 Sl 118,16-24

1Co 3,10-13

Hino

Evangelho:Mt 7, 24-27

Homilia (ou depoimentos)

Recomendamos uma homilia breve.

Hino (o ofertório pode ser durante este hino)

Confissão e perdão

(fundo musical)

Duas pessoas juntam as duas traves de madeira formando uma cruz. Colocam a cruz no chão em um ponto do espaço de culto que seja bem visível.

Entre cada expressão de arrependimento, os membros da assembleia podem depositar junto à cruz o símbolo que escolheram de Cristo fundamento da Igreja: vela, flor, grãos de trigo, desenhos de crianças. O gesto de colocar um símbolo junto à cruz expressa o nosso desejo de conversão e de pertença renovada a Cristo para a edificação da Igreja una.

L1 Senhor, tu és paz e reconciliação!
L2 Por ter frequentemente escolhido a inveja e a animosidade e não a confiança
e a estima entre Igrejas, perdoa-nos Senhor.
(silêncio – depositar um símbolo junto à cruz)

L1 Senhor, tu nos cumulas com as tuas bênçãos na unidade da fé!
L2 Por termos às vezes escolhido fechar-nos em nós mesmos recusando-nos
a conviver entre Igrejas, sendo bênção para uns e outros, perdoa-nos Senhor.
(silêncio —  depositar um símbolo junto à cruz)

L1 Senhor, tu deste aos aflitos a alegria, aos cativos a libertação, aos pecadores o
perdão!
L2 Por termos fechado as mãos e desviado o rosto daqueles e daquelas que
precisam de ajuda, perdoa-nos Senhor.
(silêncio  depositar um símbolo junto à cruz)

L1 Senhor, tu nos reuniste como o pastor reúne o rebanho e vai buscar a ovelha
perdida!
L2 Por muitas vezes nos termos afastado de ti e acentuado as nossas divisões,
perdoa-nos Senhor.
(silêncio
— depositar um símbolo junto à cruz)

Podemos acrescentar aqui depoimentos de abertura ao ecumenismo que tenham exigido uma real conversão pessoal e comunitária.

Oração de perdão

Deus todo-poderoso, ninguém pode estabelecer um fundamento diferente daquele que foi estabelecido. Esse fundamento é Jesus Cristo. Nós reconhecemos neste momento que não fomos capazes de construir sobre esse fundamento de modo a tornar-nos uma construção de Deus. Às vezes fomos até instrumentos de degradação. Ainda que a nossa obra tenha sido perdida, salva-nos e dá-nos uma nova oportunidade de buscar a unidade. Faz-nos desejar ardentemente a unidade da tua Igreja e dá-nos trabalhar por ela com eficácia. Ámen.

Troca de um sinal de Paz:

A paz do Senhor esteja sempre convosco.
E contigo também.
Irmãos e irmãs, desejem a paz uns aos outros.

Credo de Niceia

III. Orações e intercessões

O apóstolo Paulo dirigiu esta Epístola aos cristãos de Corinto para os encorajar. Possamos nós  ter a mesma esperança que a Igreja de Corinto quando rezamos pela Igreja de Deus e por todos os homens.

Deus santo e eterno, nós te agradecemos por chamares cada um de nós pelo nome. Em ti vivemos, agimos e crescemos. Rezamos pelas Igrejas e pelos cristãos do mundo inteiro. Lembra-nos do nosso fundamento em Cristo. Faz que vivamos sempre mais na fé e no amor até chegarmos à unidade que tu queres.
Reúne-nos todos em Cristo.
Faz de nós a tua morada.

Difunde sobre nós o teu Espírito para que conheçamos Jesus Cristo e possamos dar testemunho da nossa vida e da nossa unidade nele. Possamos conhecer o seu espírito, de modo a proclamar a sabedoria de Deus no mundo inteiro. Confirma-nos na nossa acção em favor da paz e da reconciliação na Igreja e na sociedade.
Reúne-nos todos em Cristo.
Faz de nós a tua morada.

Nós rezamos pelas Igrejas da Eslováquia e por todas aquelas que atravessam um período de mudança, quer esta implique crescimento ou dificuldades, reconciliação ou conflitos. Inspira-os e confirma-os no testemunho e no serviço.
Reúne-nos em Cristo.
Faz de nós a tua morada.

Nós rezamos por aqueles que não têm abrigo, não têm país, não têm alimento, não têm trabalho, não têm medicamentos, não têm paz. Que possamos reconhecer e servir Cristo através daqueles que sofrem e passam necessidades.
Reúne-nos em Cristo.
Faz de nós a tua morada.

Nós te damos graças por todos os dons da criação. Ensina-nos a partilhar com os outros o nosso tempo, a nossa energia, os nossos recursos, o nosso amor. Torna-nos mais sensíveis e atentos diante das feridas da família humana e da criação. Que possamos ser fiéis à nossa missão e viver longo tempo na terra. Que possamos fazer de toda a nossa vida um dom a Cristo pois a ele pertencemos e é nele que se unem todas as coisas da terra e do céu. Ámen.

(Os participantes são convidados a propor intercessões referentes ao contexto da própria vida e à experiência pessoal).

Pai-Nosso (cada qual na língua materna)

IV. Bênção e envio da assembleia

Bênção (bênção de Araão):

Que o Senhor nos abençoe e nos guarde! Que o Senhor faça brilhar sobre nós o seu olhar e nos dê a paz! Ámen.

Envio

Ide na paz de Cristo.
Demos graças a Deus.

 

REFLEXÕES BÍBLICAS E ORAÇÕES PARA OS OITO DIAS

Primeiro Dia

Chamados à maturidade espiritual (1Co 3,1-4)

Os 2,21-25 Eu direi a Lo-Ami: “Tu és meu povo”.

Sl 24 Quem subirá à montanha do Senhor?

Cl 1,25-28 O mistério mantido escondido no decurso das idades.

Jo 15,1-8 Eu sou a vinha, vós sois os sarmentos.

Meditação

Na epístola à comunidade cristã de Corinto, onde havia desempenhado um papel importante estabelecendo os fundamentos da fé, Paulo chama com fervor os coríntios à maturidade espiritual. Ele louva os dons que Deus concedeu a essa comunidade, mas ao mesmo tempo menciona os rumores de divisão que chegaram até ele, resumindo: Eu pertenço a Paulo, eu a Cefas, eu a Apolo. Paulo pergunta, agora incisivamente: Cristo está dividido?

No Antigo Testamento existe uma tradição judaica que deseja que Deus dê a um povo o nome correspondente à sua natureza espiritual a fim de poder chamá-lo à fidelidade e à conversão. Assim, Paulo define os coríntios como homens carnais, crianças em Cristo, lamentando não poder falar-lhes, no momento, como a homens espirituais. Ele considera imatura a preocupação deles de fidelidade e não conforme o espírito de Cristo. As palavras de Paulo são bruscas, não porque o comportamento dos coríntios seja particularmente mesquinho, mas porque contrasta fortemente com a grandeza e a origem divina da vocação cristã, pois são o templo de Deus onde habita o Espírito de Deus. Eles pertencem a Cristo e nele receberão todas as coisas. Esta identidade em Cristo comporta uma missão: com Paulo, eles devem tornar conhecido o mistério mantido escondido no decurso dos séculos; eles devem anunciar esse mistério proclamando a grande acção redentora de Deus em Cristo e contribuindo com o próprio testemunho através de uma vida transformada.

É preciso lembrar que em Corinto as divisões estavam ligadas aos conflitos a respeito do acolhimento da pregação dos Apóstolos: Eu pertenço a Paulo, eu a Apolo, eu a Cefas. Podemos ver aqui o prelúdio das divisões que, ao longo da história, feriram a nossa unidade em Cristo construída na fé dos Apóstolos. É, de facto, tentando aprofundar o conhecimento da fé da Igreja primitiva que hoje os cristãos se esforçam por reencontrar a unidade. A questão de Paulo é sempre actual: Cristo está dividido? Maturidade espiritual significa, em parte, saber recuperar e encarnar a unidade que nos é dada em Cristo. Em que medida a nossa desunião deriva do facto de não termos ainda chegado a uma certa maturidade na fé e a não percebermos ainda toda a grandeza da visão cristã? De que modo a nossa desunião nos impede de prosseguir na missão de salvação e de reconciliação de Cristo num mundo partido e sofredor?

Oração

Deus de misericórdia, tu nos chamas sem cessar a crescer espiritualmente. Queres que pertençamos a ti. Abre nosso coração e nosso espírito à grandeza do teu apelo e ajuda-nos a perseverar no caminho da unidade — em comunhão com Paulo, Apolo e Cefas — proclamando e nos comprometendo ao serviço da tua obra redentora no mundo.

Segundo Dia

Deus faz crescer 1Co 3,5-9

Gn 1,26-2,9 O Senhor Deus planta um jardim em Éden.

Sl 104 (103),24-31 Tu renovas a face da terra.

Rm 8,14-25 A criação espera com impaciência a revelação dos filhos de Deus.

Lc 8,4-15 Produzem frutos aqueles que compreendem a palavra.

Meditação

Para falar às pessoas de Corinto, Paulo utiliza a imagem, familiar para elas, da plantação e do crescimento. É uma imagem rural tomada para ilustrar a acção de Deus que age directamente entre eles e suscita servidores que vão cooperar com a sua obra.

Como os coríntios, nós somos convidados a ser instrumentos, servidores, ouvintes fiéis que devem prestar contas de como desempenham esse serviço. É uma tarefa eminente estar nesse serviço e investido da responsabilidade do trabalho que se desenvolve para glória de Deus. Nós devemos oferecer nossos talentos Àquele que servimos; colocar as nossas competências no único fundamento que é Cristo a fim de construir um edifício a serviço do amor.

Deus criou o mundo bom. Vemos isso no primeiro capítulo do Génesis. Os humanos não souberam desempenhar o próprio papel. Nós destruímos esse mundo perfeito. Por isso somos chamados a exercer no mundo um ministério de cura. Esse ministério nos une. Ele comporta numerosos aspectos que transcendem as barreiras confessionais e culturais. O mundo está ferido, como o viajante estendido na estrada de Jerusalém a Jericó. Nós não devemos ter medo de tocar o que está destruído no nosso mundo. Deus quer curar por nosso intermédio. A criação espera com impaciência que a cura venha de Deus.

Na unidade procurada, os cristãos podem trocar as próprias experiências para demonstrar que, além de “Paulo e de Apolo”, eles são de Cristo. Apenas ele pode fazê-los crescer no amor do Pai, a serviço do Espírito de santidade e de unidade que quer salvar o mundo.

Oração

Ó Deus! Nós te agradecemos pela confiança e pela bênção que ofereces àqueles que trabalham para a vinda do teu reino ao mundo.

Ajuda-nos a descobrir novas possibilidades de manifestar a tua acção no serviço daqueles que nos cercam; que nós sirvamos mais do que procuremos ser servidos, e que o teu poder de cura aja entre nós.

Mantém-nos unidos como uma só família do teu Filho único, faz que sejamos fiéis tesoureiros da tua criação a fim de que, através de homens e mulheres, pequenos e grandes, coisas e pessoas, tu sejas reconhecido como vivo e verdadeiro, salvador e criador de tudo.

Ámen.

Terceiro Dia

Cristo é o fundamento (1Co 3,10-11)

Is 28,14-16 Eis que firmo em Sião uma pedra, uma pedra a toda prova,
uma pedra angular preciosa, estabelecida para servir de fundação.

Sl 118 (117),16-24 A pedra rejeitada tornou-se a pedra angular.

Ef 2,19-22 Jesus Cristo como pedra mestra.

Mt 7,24-27 A casa construída sobre a rocha não desabará.

Meditação

Em Cristo, Deus colocou, por obra do Espírito Santo, o fundamento comum a todos os baptizados. Os cristãos podem, então, afirmar a sua fé em Cristo, único fundamento sobre o qual a Igreja de Deus está construída. Ninguém pode ali colocar um outro; por isso os cristãos confessam, juntos, que o que Deus realizou em Cristo é o fundamento sobre o qual está construída a sua fé. Esta convicção é fonte de gratidão e de humildade.

No esforço de enraizar-se nesse único fundamento, os cristãos devem continuamente fazer face às vozes que contradizem e rejeitam o Cristo. Nessas circunstâncias, os cristãos são chamados a ser fermento na sociedade, confiando na ajuda da graça de Deus. Assim, diante das provações, não devem nunca vacilar. Como Jesus que foi rejeitado, também os seus discípulos devem estar prontos para passar pelos mesmos sofrimentos.

Apoiando-nos no fundamento que Cristo e o seu ensinamento representam, podemos enfrentar os desafios da sociedade contemporânea. Enquanto cristãos, não tememos utilizar, como ponto de partida do nosso testemunho no mundo, o que outros consideram inútil.

Os cristãos estão convencidos de que construir sobre o fundamento sólido e comum que é Cristo, significa trabalhar juntos partindo do mesmo ponto e dirigindo-se para o mesmo fim, isto é, a unidade de todos os discípulos de Cristo.

O que Jesus Cristo representa para nós define antecipadamente, de modo único e profundo, o carácter de toda actividade que nós empreendemos juntos e separadamente. A potência do amor de Cristo enche-nos da esperança de que tudo o que nós criamos em seu nome está destinado a durar e a sobreviver no meio das dificuldades, pois Cristo é o começo e o fim.

Oração

Senhor, nosso Deus, através da obra do Espírito Santo tu estabeleceste em Cristo o único fundamento sobre o qual a Igreja está construída. Nós te agradecemos por tudo o que, em Cristo, fizeste em nosso favor. Nós te agradecemos também por sustentar continuamente a Igreja contra todas as tentativas que visam a sua destruição. Ajuda-nos, pela tua graça, a construir sobre o fundamento que tu colocaste em Cristo nosso Senhor. Ámen.

Quarto Dia

Construamos sobre esse fundamento (1 Co 3,12-13)

Ne 2,17-18 Vamos reconstruir a muralha de Jerusalém.

Sl 127(126) Se o Senhor não construir a casa, em vão trabalham os que
a constróem.

1 Co 12,4-11 Há diversidade de dons, mas o Espírito é o mesmo.

Mt 20,1-16 Um senhor de casa saiu de manhã muito cedo, a fim de contratar
operários para a sua vinha.

Meditação

Cristo é o dom de Deus para o mundo. Nele são reveladas a salvação e a libertação de toda a humanidade. Ele é o fundamento e fonte da vida nova que Deus nos deu. Esse dom de Deus é completo. Nós nada precisamos acrescentar a ele. Entretanto, isso não significa que devemos permanecer passivos e desinteressados. Paulo exorta-nos a construir sobre as fundações. Ele sublinha qual é a nossa vocação e como lhe devemos corresponder. Nós somos chamados a participar da obra de renovação que Deus empreendeu e a trabalhar na sua casa.

Deus deu-nos diferentes dons (1Co12). Devemos utilizá-los para uma só finalidade: glorificar Cristo e o poder da sua paz. Pelo nosso trabalho, devemos testemunhar o amor de Deus e a nossa união em Cristo.

Entretanto, se consideramos a história das Igrejas, percebemos que tudo o que é feito em nome de Cristo não é forçosamente “imagem de Cristo”. Às vezes, Cristo e a sua reconciliação foram eclipsados pela arrogância, divisões e luta pelo poder. “Construir a Igreja” não significa levantar barreiras confessionais uns contra os outros ou construir nossos próprios “monumentos”.

Hoje, as Igrejas devem ensinar a construir pontes e a colaborar. Assim, testemunharão a esperança e o fruto da própria unidade em Cristo. As velhas feridas podem ser curadas e novos desafios do nosso mundo em mudança podem ser enfrentados em conjunto, cada qual respeitando as tradições e os dons do outro.

O fundamento comum em Cristo faz de nós irmãos e irmãs. Ele é a base sobre a qual deve ser construída a única e verdadeira Igreja de Cristo, plena de amor pelos pobres, pelos marginalizados, e por aqueles que se dirigem a Deus e à esperança da vinda do seu Reino.

A reconciliação de Deus compromete-nos, individualmente e enquanto Igrejas, a ser pedras vivas da nossa unidade em Cristo. Assim, o nosso fundamento em Cristo aparecerá de modo sempre mais evidente.

Oração

Senhor, nós te damos graças pelo dom único da vida e da paz que tu nos dás através de teu Filho Jesus Cristo. As nossas Igrejas receberam de ti numerosos e diversos dons. Ajuda-nos a ver esta diversidade como um enriquecimento que nos permite construir a tua casa no mundo. Faz com que possamos mostrar o que salva a nossa unidade e nos ajudará a levar o teu amor aos homens e às mulheres com quem convivemos. Ámen.

Quinto Dia

Deus julga os nossos esforços de construtores (1Co3,13-15)

Gn 4,2 Sou eu o guardião do meu irmão?

Sl 51 (50), 1-4,9-13 Pequei contra ti, e só contra ti.

Fl 2,1-5 Considerai os outros superiores a vós.

Mt 25,14-30 Um homem chamou os seus servos e confiou-lhes os seus bens.

Meditação

É um eterno milagre que Deus, desde todos os tempos, tenha desejado e querido que os homens participem com ele na obra que ele realizou no mundo. Ainda que o fundamento seja Jesus Cristo, nós devemos continuar a assumir o nosso dever de construtores.

Explicando isso aos cristãos de Corinto, Paulo insiste igualmente no facto de que Deus colocará à prova o que nós construímos: ele deve certificar-se de que somos bons arquitectos. A nossa salvação não depende das nossas obras mas permanecemos responsáveis pelas nossas acções diante de Deus. Para Paulo, tudo isso era função do fogo purificador do juízo final que ele pensava estar iminente. No que nos respeita, estamos sempre em urgência — cada oportunidade poderia, de facto, ser a última — e nós compreendemos que seremos julgados a partir do bom uso que faremos dos dons que Deus nos concedeu para construir o seu Reino. Os cristãos sentem a urgência de descobrir novas possibilidades que, enquanto cristãos, desejam oferecer à comunidade.

Somos todos responsáveis pelos nossos actos, diante de Deus e do nosso próximo. De facto, as Igrejas também são responsáveis umas pelas outras no que se refere à busca da unidade. Elas são como os servidores da parábola, aos quais o Senhor confia os próprios bens e pede que deles façam bom uso. Nós todos recebemos um tesouro: a vida do nosso frágil planeta, irmãos e irmãs, de que cuidar em todo o mundo e a preciosa nova do Evangelho para difundir. Esses bens são oferecidos a todo o povo de Deus e uma oportunidade de partilha com os demais, de aprendizagem dos nossos sucessos e fracassos. A nossa capacidade de trabalhar bem e de construirmos juntos, ainda hoje é posta à prova.

Oração

Senhor, vindo a nós pelo teu Filho Jesus e manifestando-te através de pessoas falíveis, tu te mostrastes aos nossos olhos como um Deus vulnerável. Nós te damos graças pela confiança que colocaste no serviço e no trabalho que realizamos para construir o teu Reino. Faz com que permaneçamos atentos à tua vontade e aos teus desígnios e esclarece-nos a fim de que possamos ver as verdadeiras necessidades das pessoas à nossa volta. Faz com que sejamos capazes de aprender uns dos outros a fim de permanecermos unidos na nossa mútua responsabilidade e devotados ao serviço do teu Reino. Por Jesus Cristo, nosso Senhor. Ámen.

Sexto Dia

Vós sois o templo de Deus (1Co3, 16-17)

Gn 1, 26-27 Deus cria o homem à sua imagem e semelhança.

Sl 8 Quem é o homem?

1 Pd 2,9-10 O povo de Deus.

Mt 16, 24-27 Se alguém quer seguir-me.

Meditação

A questão da identidade não é um assunto novo. Os seres humanos sempre tentaram compreender e viver o que são de facto e o que consideram que devem ser. Hoje, que vivemos num mundo caracterizado por mudanças constantes e num pluralismo difuso, a busca de uma identidade própria tornou-se uma questão de crescente importância. Nós somos confrontados com esse problema não apenas enquanto pessoas, mas também enquanto comunidades e Igrejas. Tentamos encontrar a nossa própria identidade naquilo que nos distingue dos outros e nos torna únicos.

Aquilo que o apóstolo Paulo, há dois mil anos, dizia aos cristãos de Corinto, é igualmente válido nos nossos dias. Devemos tratar o problema da identidade a partir de uma outra perspectiva: nós não somos “especiais” porque somos diferentes uns dos outros, mas porque recebemos o dom do Espírito Santo, dom presente em todo ser humano, pois fomos criados à imagem e semelhança de Deus.

Nós somos o templo de Deus, sagrado e digno. Ninguém tem o direito de o destruir. Somos aqueles entre os quais Deus quer sentir-se em casa — um lugar onde mora o seu Espírito de bondade. Deus deseja entrar em comunhão connosco, o que indica e exige que estejamos em comunhão uns com os outros. Esse apelo à comunhão ultrapassa os limites das nossas comunidades cristãs. O escândalo das nossas divisões, enquanto Igrejas cristãs, é intensificado e exige de modo imperativo que o ultrapassemos.

As diferenças também fazem parte da nossa identidade, pois vivemos em situações e culturas diferentes, somos homens e mulheres marcados pelas nossas experiências pessoais particulares e pela história das comunidades em que vivemos. Mas onde quer que vivamos, quaisquer que sejam os desafios que devemos enfrentar ou os talentos que recebemos, somos unidos pelo Espírito Santo que nos concede viver como Deus deseja e como isso nos foi revelado em Jesus Cristo: santos, capazes de oferecer e de receber amor.

Oração

Deus eterno, tu criaste o céu e a terra, criaste o ser humano à tua imagem dando a cada um de nós identidade e dignidade próprias. Nós te damos graças pelo dom da vida - desta vida que nos une a ti e à tua criação. Ajuda-nos, enquanto cristãos e enquanto Igrejas, a receber esse dom em toda a sua plenitude, a fim de que possamos superar tudo quanto entrava ou reduz o teu dom de vida. Cumula-nos do teu Espírito de bondade a fim de que possamos crescer em Cristo e tornar-nos a imagem dele no mundo. Ámen.

Sétimo Dia

Loucura e sabedoria: a vida em Cristo (1Co 3,18-20)

Jó 32,7-33:6 É o sopro, o hálito do Poderoso que dá entendimento.

Sl 14(13),1-7 O Senhor se inclinou para os homens, para ver se há alguém
perspicaz que busque a Deus.

1 Co1,17-30 O que é loucura no mundo, Deus o escolheu para confundir
os sábios.

Mt 10,17-25 É o Espírito do vosso Pai que falará em vós.

Meditação

A democracia e a liberdade trazem-nos muitas vantagens, mas também tentações. Isso é verdadeiro tanto para os indivíduos como para as Igrejas. Nos países de antiga tradição cristã, as Igrejas frequentemente foram tentadas pelo acesso ao poder ou pelo uso incorrecto deste. Consequentemente, o seu testemunho revelou-se menos portador da Palavra de Deus que das suas concepções humanas. Hoje, nós poderíamos ainda ser tentados quer a apoiar-nos nas relações de poder e nas vantagens que pode trazer a pertença à maioria, quer a abandonar os debates das nossas sociedades, frequentemente fúteis. Ora, enquanto Igrejas, recebemos o mandamento de testemunhar que há um fundamento comum para a vida do mundo, Jesus Cristo e a sua palavra, e que nada o pode mudar.

Os profetas ressaltaram que não proclamavam as próprias palavras, pensamentos ou posições, mas uma palavra recebida de Deus. Job escuta os que lhe dizem ser necessário buscar a sabedoria, além das próprias reservas, no sopro de Deus.

O apóstolo Paulo bebeu na fonte dessa sabedoria para proclamar a todos o Senhor Jesus Cristo crucificado. Ele diz ter decidido querer conhecer somente Jesus Cristo. Pela mensagem do Evangelho de Cristo crucificado, estava pronto a passar por louco aos olhos dos sábios do seu tempo. Ele escreve aos cristãos de Corinto que a sabedoria de Deus é oferecer a salvação “pela loucura da pregação” de Cristo crucificado. Era um escândalo e uma loucura para as pessoas daquele tempo. Mas Paulo diz que a loucura de Deus é mais sábia que a sabedoria humana, e que a fragilidade de Deus é mais sólida que a força humana. O Cristo que os Evangelhos nos mostram não age como um herói mas como aquele cujo poder não é deste mundo. Ele debruça-se sobre os que foram entregues à própria sorte, toca os moribundos, perdoa os pecados, conduz para onde os justos e os piedosos não vêem nenhuma possibilidade de perdão. Eis o Deus que desceu até a poeira dos caminhos humanos.

A palavra da cruz foi confiada também a nós, cristãos de hoje. Entre as nossas Igrejas separadas pela loucura dos homens, o acolhimento da unidade pode parecer um projecto insensato: no coração de um mundo dividido, assassinado por guerras e violência, a busca de paz e de reconciliação permanece a única sabedoria. À luz da Cruz se desenha o fundamento do nosso testemunho comum. Com Cristo, Deus se debruçou sobre a humanidade e nos envia para aqueles que o buscam através desta proclamação: o caminho da vida passa por Cristo crucificado e ressuscitado.

Oração

Deus pleno de sabedoria e de verdade,
Tu nos fizeste conhecer a loucura do teu amor quando os humanos crucificaram Jesus, teu filho único; quando tu o ressuscitaste como Cristo, nós reconhecemos tua imensa sabedoria.
Nós te pedimos: mantém-nos nos traços de teu Filho, no estreito caminho de vida.
Faz-nos proclamar a boa nova da salvação pela cruz de Jesus Cristo que testemunha a Vida por todos.
Que a tua Igreja hoje permaneça fiel Àquele que é o seu fundamento e que ela abra todas as nações à sabedoria do teu Espírito.
Ámen.

Oitavo Dia

Vós sois de Cristo (1Co3,21-23)

Is 44,1-8 Eu sou o primeiro e o último.

Sl 89(88), 1-4 Tua bondade está edificada para sempre.

Ap 4,1-11 Eles adoravam o que vive pelos séculos dos séculos.

Mc 9,33-35 Se alguém quiser ser o primeiro, seja o último de todos

Meditação

Nós pertencemos a Cristo. Somos dele e de ninguém mais. Sobre isto se funda a nossa unidade: pelo baptismo, Cristo reivindicou-nos e fez-nos um, nele. A unidade pela qual participamos de Cristo é maior que todas as diferenças passadas e presentes que hoje dividem as nossas Igrejas.

Nós pertencemos a Cristo e pertencemos uns aos outros e somos responsáveis uns pelos outros. Por isso, Cristo nos chama juntos para edificarmos o seu corpo, que é a Igreja, como companheiros de trabalho e servidores fraternos. Por isso os cristãos e as Igrejas são chamados a viver e a trabalhar juntos, como irmãos, testemunhando a própria fé e trabalhando no serviço das pessoas que passam necessidade. Eis porque as divisões, as discórdias, as querelas e as facções que nascem à volta das pessoas (quer estas se chamem Paulo, Apolo ou Cefas), todas essas fracturas rejeitam não apenas os nossos irmãos e irmãs em Cristo, mas o próprio Cristo.

Enquanto templo de Deus, a Igreja é um lugar de oração e orar juntos é a mais poderosa expressão da nossa pertença comum a Cristo. Cada oração comum é uma vitória sobre as nossas divisões e celebra a nossa real unidade em Cristo. Nós nos unimos a todos aqueles que – pouco importa o lugar e a época – pertencem ou pertenceram a Cristo e em espírito veneraram o Senhor. Nós não agimos sempre de acordo com a unidade que Cristo nos deu. Quando não podemos orar juntos, particularmente ao redor da Mesa do Senhor, a nossa desunião torna-se evidente para todos. É por isso que todas as Igrejas sem excepção ainda têm muito para “construir”.

Por sermos de Cristo, nós somos de Deus. Paulo o afirma com audácia: “tudo é para vós”. Com os nossos companheiros de trabalho e nossos irmãos no serviço, nossa vida e nossas acções fazem parte do plano de Deus para toda a criação. Deus realiza a sua obra no mundo para a salvação e a cura daqueles que sofrem, para a reconciliação daqueles que estão em guerra, para a renovação de toda a criação. Deus nos julga com equidade: sabemos que o que edificamos é posto à prova e que o resultado das nossas acções se manifestará. Vivemos por antecipação o balanço final das nossas acções. Não sabemos exactamente quando nem como acontecerá esse julgamento, mas sabemos que o nosso juiz será Deus, que é vida e bondade.

Louvamos a Deus e lhe damos graças pelas riquezas da criação e pela redenção que Ele nos oferece, e pelo seu Espírito nos une em Cristo. Podemos oferecer a nossa edificação comum de Igreja do Cristo, nossa busca da unidade como louvor à glória de Deus.

Oração

Senhor, Deus de bondade, nós te damos graças por nos terdes feito um em Cristo. Reforça e nossa imaginação e a nossa coragem para que possamos construir juntos a tua Igreja na unidade e no amor. Faz que as nossas vidas e a vida das nossas Igrejas sejam um testemunho do teu amor por nós e por toda a criação. Senhor, dá-nos, desde agora, a unidade. Ámen.


ORGANOGRAMA DA CÚRIA
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