DOCUMENTOS
Homilia do Cardeal-Patriarca de Lisboa na Missa de 7º dia de Grão-Mestre da Ordem de Malta
Homilia proferida na Missa de 7º dia de Sua Alteza
O Príncipe Frei Andrew Bertie,
Grão Mestre da Ordem Militar e Soberana de Malta,
Sé Patriarcal, 14 de Fevereiro de 2008
Estamos reunidos para sufragar a alma de Sua Alteza Eminentíssima o Príncipe Frei Andrew Bertie, Grão Mestre da Ordem Militar e Soberana de Malta, no sétimo dia da sua morte. Esta faz uma unidade com a vida e pode, por isso, ser diferente em cada pessoa que morre. No telegrama de pêsames que enviou à Ordem, na pessoa do seu responsável interino, o Papa Bento XVI chamou-lhe alma eleita, o que testemunha a elevação cristã da sua vida e do seu serviço à Igreja. Sufragar a sua alma significa merecer, pelos méritos da Páscoa de Cristo, a radical purificação de todo o seu ser, para se tornar digno da glória celeste e louvar o Senhor pelo serviço à Igreja, seguindo e obedecendo à Palavra de Deus. E nesta acção de graças envolvemos a Instituição que ele integrou e serviu, ao longo da sua história. A diversificação das concretizações da missão pelo evoluir dos tempos, manteve inalterável o dedicado serviço à Igreja, à causa do Evangelho. Intervir na história, movidos pelo Espírito de Cristo e do Seu Evangelho, é forma de missão constitutiva do evoluir das culturas, tão necessária e urgente no nosso tempo, tão relutante em aceitar que os valores evangélicos conduzem as culturas a elevados graus de dignidade e de serviço do homem. JOSÉ, Cardeal-Patriarca
Celebramos a Festa dos Santos Cirilo e Metódio, Padroeiros da Europa. Os textos bíblicos, agora proclamados, falam-nos do ardor da missão e da vastidão da realidade humana a transformar pelo amor de Cristo e pelo anúncio do Evangelho. Viveram esse ardor e essa vastidão os setenta e dois discípulos, enviados pelo Senhor, o Apóstolo Paulo diante do qual se abre a vastidão do mundo não judeu. Viveram-na apaixonadamente São Cirilo e Metódio, apóstolos do mundo eslavo, mas que não se limitaram a converter pessoas, mas transformaram uma cultura, desde a língua à compreensão da vida e da história, dando origem a essa sabedoria cristã, marcada pela orientalidade, hoje um dos dois pulmões com que respira a Igreja, no dizer de João Paulo II. Eles perceberam bem que o Evangelho não toca, apenas, o coração das pessoas, mas o coração dos povos, transformando a sua cultura, tornando-se a base de uma sabedoria que é fonte de sentido para a vida e para a história. Este é, hoje, o grande desafio desta Europa de que eles são padroeiros, pois nela as Igrejas e os cristãos estão cada vez mais a resistir em ambientes culturais já não inspirados no Evangelho.
Neste quadro é importante o testemunho pessoal dos cristãos que vivem no meio do mundo com a sabedoria de Cristo; mas é também muito importante a intervenção na sociedade destas Associações, prestigiadas e enriquecidas pela história, cuja acção e presença no âmago da sociedade se tornam interpelações à cultura ambiente. A Soberana Ordem de Malta é uma dessas Instituições: começou pela coerência da caridade, e depois de um longo percurso histórico, liberta da dimensão militar e política, voltou a dar prioridade à caridade como forma de intervir na sociedade, e a caridade é uma forma de evangelização, porque é, verdadeiramente, o Verbo feito carne. Invocamos, para vós, as bênçãos de Deus, na certeza de que tendes agora mais um intercessor no Céu.
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