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11 de Outubro de 2018

Grupo de Teatro Musical Religioso apresenta ‘Clara - Uma luz na noite’

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Começam cada ensaio com uma oração e vão agora dar a conhecer a vida de Madre Clara, religiosa beatificada em Lisboa, em 2011. Fundado há cinco anos, o GTMR - Grupo de Teatro Musical Religioso quer evangelizar pelas artes e passou, neste mês, a integrar os grupos de pastoral juvenil da Paróquia da Parede, em Cascais.

Era uma lisboeta. Uma pessoa normal, como qualquer outra, que deixou os salões dourados da nobreza do século XIX para se dedicar aos pobres. ‘Esta é que é a minha gente!’, dizia Libânia do Carmo Galvão Mexia de Moura Telles e Albuquerque, mais conhecida como Madre Clara, ou simplesmente Mãe Clara, fundadora da Congregação das Irmãs Franciscanas Hospitaleiras da Imaculada Conceição (CONFHIC). É a vida desta religiosa portuguesa que o GTMR - Grupo de Teatro Musical Religioso vai levar ao palco, no musical ‘Clara - Uma luz na noite’. “Esta peça demorou seis meses a ser escrita. O desafio inicial foi conhecer a Mãe Clara e ler todos os livros dela para perceber o carisma. Ao mesmo tempo, nos musicais, procuro sempre apelar à juventude e tinha de encontrar uma fórmula para os ‘convencer’. Estamos a falar de uma história do século XIX e o que me lembrei foi fazer uma storyline paralela, nos dias de hoje”, começa por explicar ao Jornal VOZ DA VERDADE o encenador Tiago Sepúlveda, fundador do GTMR. “A história começa assim: é uma família numerosa e há uma miúda, a Pipa, que vai numa visita de estudo ao Instituto Hidrográfico, em Lisboa. Os miúdos portam-se mal e a professora manda-os fazer um trabalho sobre o instituto. A Pipa começa a estudar e descobre que o Instituto Hidrográfico era o Convento das Trinas, das Franciscanas Hospitaleiras. É aqui que ela começa a descobrir a Mãe Clara e a sentir-se tocada pela sua pela história”, revela o encenador.

A primeira encomenda
Tiago Sepúlveda fundou o GTMR - Grupo de Teatro Musical Religioso em 2013. Após três musicais, ‘Clara - Uma luz na noite’ foi “a primeira encomenda” que teve. “As irmãs da CONFHIC viram o musical da Lúcia, na Boa Nova, e gostaram muito. O contacto inicial foi feito talvez no início deste ano e comecei logo a escrever”, recorda, lembrando igualmente “a celebração dos 175 anos do nascimento” da beata Maria Clara e as “várias iniciativas que a congregação tem organizado, como concertos e palestras”. “A Mãe Clara, desde o início da congregação, que era também muito ligada às artes. As irmãs sempre tiveram uma escola de música e um grupo de teatro”, frisa.
Depois de quase meio ano de pesquisa e escrita, ‘Clara - Uma luz na noite’ começou a ver a luz do dia em junho. “Os primeiros ensaios iniciaram-se ainda antes do verão. Batalhámos mais a parte musical, antes ainda dos castings, e aproveitámos para rodar as músicas. Em julho e agosto esteve tudo parado, porque são meses terríveis e não se consegue fazer nada, mas em setembro retomámos em força, já com alguns atores profissionais”, conta o encenador, referindo que ‘Clara - Uma luz na noite’ vai ter “para cima de 30 atores”.

O nascer de um projeto
Estávamos em 2013 quando Tiago Sepúlveda fundou o GTMR - Grupo de Teatro Musical Religioso. “Eu gostava de fazer musicais e como ninguém me convidava para fazer nenhum, decidi avançar e fazer os meus próprios musicais”, graceja. Um pouco mais a sério, este encenador lamenta que haja poucos musicais de cariz religioso, mesmo no estrangeiro. “Fiz pesquisas na internet acerca de musicais de cariz religioso e, mesmo a nível internacional, a verdade é que não havia assim nada de especial. Procurei em Londres, e também nos Estados Unidos, peças para poder comprar o librete, para adaptar e traduzir, mas o que havia era tudo muito infantil e não me apelava nada. Como não existia quase nada, pensei: ‘Bem, vou escrever eu. Vou-me aventurar, vou escrever e vou-me tornar libertista’”, conta. E assim foi. Tiago marcou uma primeira reunião, sabendo desde logo que “tinha de começar devagarinho, num projeto pequeno”. “Pensei em criar um grupo e fiz, em julho, uma reunião com vários elementos: um cunhado, uma colega minha da área da música, uma paroquiana da Parede para ajudar com o guarda-roupa… éramos somente quatro ou cinco pessoas. Peguei numa série de livros que tinha lá em casa, dos miúdos, daqueles com apenas dez folhas, grossas, com histórias da Bíblia, porque estes livros têm o que é essencial para se começar a trabalhar: quatro ou cinco personagens principais, a história contada muito rapidamente, eliminando tudo o que é ruído à volta da história e ficando somente o essencial. Pus cada um com um dos livros – era o David e Golias, Moisés, o Jardim do Éden, entre outros – e vimos como é que cada história se poderia pegar. Depois votámos e o que ganhou foi o Jardim do Éden, que levou ao musical ‘Nem tudo são rosas no Jardim do Éden’. Até calhou bem, porque no fundo é quase o início, apesar de não ter sido o primeiro livro da Bíblia, é como se fosse o início da história. Seguiu-se a fase de escrever o guião, em setembro/outubro começámos a ensaiar e apresentámos a peça em dezembro de 2013, no salão paroquial da Parede, que conseguimos encher com 250 pessoas, em cada uma das duas sessões”, refere o pai deste projeto. “Era um musical de cerca de meia hora, com seis ou sete músicas, não mais, e com quatro ou cinco personagens principais. Normalmente, não marco uma data para a estreia; vamos ensaiando, vamos vendo como as coisas vão correndo e depois vê-se quando se consegue fazer. Na estreia, gostei que as pessoas tivessem ficado com pena de ser um musical pequeno. As pessoas gostaram mesmo muito da peça”, recorda Tiago Sepúlveda, sublinhando a relevância do teatro musical: “O teatro musical é uma coisa relativamente simples. Não sendo simplista, o teatro musical é algo para ser apreendido imediatamente. Não é para irmos para casa pensar nesta ou naquela personagem e no que será que aquilo quer dizer. Quando vamos à ópera, são histórias baseadas em grandes livros da literatura; no teatro musical é tudo mais imediato, que vive da imediatitude”.

  • Leia a reportagem completa na edição do dia 14 de outubro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.



     
MUSICAL ‘CLARA - UMA LUZ NA NOITE’
Dia 14 de outubro, no auditório da Boa Nova, no Estoril, às 16h00 e às 21h00
Dia 21 de outubro, no Seminário de Vilar, no Porto, às 17h00
Preços: entre os 9€ e os 12€Reservas: 214241840 ou 962713075


Informações: www.facebook.com/GrupoTeatroMusicalReligioso


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