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04 de Outubro de 2018

Nossa Senhora do Cabo: “Ternura da Mãe de Deus abanou corações”

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As paróquias do Giro dos Saloios esperam 25 anos para voltar a receber Nossa Senhora do Cabo Espichel. A espera de Arranhó foi um pouco mais longa e durava desde… 1716, há mais de 300 anos! “A vinda da Senhora do Cabo a Arranhó foi um sonho tornado milagre”, salienta o pároco, padre Rui Cantarilho.

A primeira vez que a Paróquia de Arranhó recebeu o Círio da Senhora do Cabo foi no ano de 1447. A última visita, contudo, não foi há 25 anos, como acontece com as paróquias que integram o Giro dos Saloios, mas há 302 anos. Nos dias de hoje, já ninguém sabia que Arranhó tinha integrado esta tradição. “Quando aqui cheguei, em 2012, pesquisei um pouco sobre a história religiosa e cultural da paróquia. Não havia muita informação, mas numa das primeiras pesquisas que fiz na internet aparece-me o nome de Arranhó envolvido na tradição do Giro dos Saloios da Senhora do Cabo. Fiquei muito admirado, porque não tinha esse conhecimento, e comecei, aqui na terra, a perguntar se alguém sabia de alguma coisa. Ninguém tinha conhecimento de nada”, começa por contar ao Jornal VOZ DA VERDADE o pároco de Arranhó. A data em que a paróquia tinha recebido, pela última vez, Nossa Senhora do Cabo era 1716, o que levou o sacerdote a querer assinalar essa data dos 300 anos que, então, se passavam. “Há seis anos, pensei logo que daí a quatro tínhamos de comemorar a data de qualquer maneira; porque é, de facto, histórico para esta paróquia. Mesmo sem a presença da imagem, Arranhó tinha de assinalar a efeméride”, projetava, em 2012, o recém-nomeado pároco. Na cabeça do padre Rui estava a possibilidade de pedir a imagem ‘emprestada’ para ir a Arranhó a uma celebração dominical. Outra possibilidade era organizar uma peregrinação ao Santuário do Cabo Espichel. O que é certo é que no ano em que se cumpriam os 300 anos da última visita do Círio a Arranhó, em 2016, a imagem de Nossa Senhora do Cabo estava em Belas e ia para a Paróquia de Loures. “A igreja paroquial estava em obras, houve também a Visita Pastoral, e chegámos ao verão e já não houve hipótese de a imagem vir a Arranhó. Chegámos a setembro e o Círio foi para Loures. De lá, dizem-nos que era engraçado a imagem ir a Arranhó celebrar os 300 anos da última visita”, lembra o sacerdote.
Passado uns meses, um dos mordomos de Loures telefona ao padre Rui Cantarilho com a informação de que Carnide, “muito provavelmente”, não iria receber a imagem e que ia sair do Giro. “Como tínhamos mostrado muita vontade de comemorar os 300 anos da vinda da Senhora do Cabo a Arranhó, perguntaram-nos se estávamos interessados em reentrar no Giro do Círio dos Saloios. Dissemos logo que sim e aquilo que, para nós, era inicialmente impossível, acabou por acontecer. Este milagre – porque, para mim, foi um milagre –, foi um desejo de Nossa Senhora de vir a Arranhó”, manifesta o pároco.

“Um ano de grande graça”
A Paróquia de São Lourenço de Arranhó tomou então o lugar da Paróquia de Carnide, que tem como orago… São Lourenço. “É muito engraçado esta coincidência de as paróquias terem o mesmo orago”, assinala o padre Rui.A verdade é que estávamos nos primeiros meses do ano 2017 e tudo tinha que ser preparado e organizado para receber Nossa Senhora em outubro. “Quando aceitámos voltar a integrar o Giro, tivemos somente quatro meses para organizar tudo, todo o ano que a imagem iria passar connosco. Na altura da Páscoa do ano passado, eu anunciei solenemente à população que iríamos receber a imagem da Senhora do Cabo. A partir daí, foi criada uma comissão, que era constituída por gente que não tinha sequer noção do que era a imagem da Senhora do Cabo, mas que acreditou nestes festejos. Houve uma preparação histórica, também a nível do Círio, e as festas foram feitas”, sublinha, satisfeito.
A 7 de outubro de 2017, a Paróquia de Arranhó recebeu, então, Nossa Senhora do Cabo. “Tem sido um ano de grande graça”, aponta o pároco. “Encerraremos as festas a 6 de outubro e, de facto, todos os dias do ano foi, para nós, momento de uma grande presença sentida de Nossa Senhora”, frisa o padre Rui Cantarilho. Este sacerdote, de 34 anos, sentiu-se tocado “pela devoção das pessoas”. “Perante uma imagem que, nesta paróquia, era desconhecida, vê-se, de facto, que o povo tem amor à Mãe de Deus, à Virgem Santíssima. Esta imagem tão bonita, com cara de menina, tão simples, tão ternal, tão maternal, com o abraço que está a dar ao seu Filho, tocou e toca o coração desta gente. Foi impressionante”, aponta.

  • Leia a reportagem completa na edição do dia 7 de outubro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.


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