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29 de Julho de 2018

Homilia na Missa Abertura ACAREG

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  CNE Região de Lisboa  

Missa Abertura ACAREG – Cento de Atividades Escutistas Ferreira do Zêzere 

1. A Palavra de Deus que acabamos de escutar ilumina o tema das vossas atividades nestes dias: construir a cidade.Pessoas, fome, busca de respostas e de sentido para a vida, recebem uma luz e uma resposta por parte de Jesus, que procura envolver também os seus discípulos, e nos quer envolver também a nós hoje.
Jesus atravessa o lago de Tiberíades para a outra margem e a multidão segue-o, “por ver os milagres que Ele realizava nos doentes”.
Não havia hospitais, clínicas, centros de saúde e Jesus era como um hospital de campanha, que curava, libertava as pessoas dos seus males, consolava, dava esperança.

2. Jesus não era alheio, indiferente, insensível aos problemas das pessoas e à multidão que o segue.
Está atento às suas necessidades, sente que as pessoas têm fome, precisam de comer, e questiona a um dos seus discípulos, Filipe: “Onde havemos de comprar para lhes dar de comer?”
Filipe é rápido a fazer contas, e diz logo que nem duzentos denários de pão chegam, e era dinheiro que os discípulos não tinham; um denário correspondia ao salário de um dia de trabalho. E onde ir comprar?
André, que estava ao lado e que ouvira a pergunta, informa Jesus que, entre a multidão, há um rapazito que tinha cinco pães de cevada e dois peixes, mas acrescentando: “Mas que é isso para tanta gente?”
Nem Filipe nem André se deram conta que Jesus os estava a pôr à prova, para lhes abrir os olhos, a eles e a nós, de que a solução não está tanto no comprar, mas no condividir, no partilhar.

3. Jesus disse aos discípulos para mandarem sentar as pessoas.
Recebeu os pães e os peixes do rapazito, deu graças e distribuiu-os aos que estavam sentados, que comeram quanto quiseram, e mandou recolher o que sobrou.
A ação de Jesus reclama a nossa atenção, diz-nos que a solução das fomes não está tanto no vender e no comprar, mas no condividir. É por aqui que nós temos de construir a cidade: pela solidariedade, pela partilha.
É admirável a coragem e a generosidade deste rapazito que prescinde do que têm para o pôr à disposição de Jesus.Serieis capazes de fazer o mesmo?
A ação de Jesus diz-nos que a solução passa por cada um disponibilizar os pães e os peixes que tem, poucos ou muitos;
A solução passa, não pela defesa egoísta do que é meu, mas pela coragem de prescindir do que temos, pela generosidade, pelo partilhar, pelo dar.
A solução passa por colocar à disposição de Jesus o que temos e somos, as capacidades, dons, tempo, bens, para que Ele as faça frutificar com a sua graça, as multiplique, para bem de todos.
Esta ação de Jesus é sinal da vida que Jesus reparte connosco na Eucaristia, em que condivide a sua vida com todos, se dá para saciar a nossa fome.
Jesus reparte a sua vida connosco, para que, a partir dele, também, a nossa vida chegue a todos, a repartamos com todos, como Ele fez.

4.  São Paulo, na segunda leitura que escutamos, lembra-nos que neste repartir para construir a cidade, há um código de conduta cristão indispensável que deve regular as relações pessoais de uns com os outros. 
Esse código consiste na humildade, na mansidão, na paciência, na compreensão, na aceitação recíproca e na caridade.Só assim é possível construir a cidade na paz e na unidade, e resolver os problemas das fomes, também as do pão.

5. Ser Escuteiro não é apenas dar uma mão para a construção da cidade, mas dar tudo, tudo, para que a cidade se transforme e seja habitável, haja espaço para todos; seja um lugar para todos poderem ser felizes e realizar o sonho de Deus, que é o de uma cidade onde todos possam crescer e viver numa ecologia integral.
Ser Escuteiro é empenhar-se para transformar o mundo, e deixá-lo um pouco melhor do que ele está, como dizia BP.
Ser Escuteiro é dar tudo, tudo para construir a cidade ao estilo de Deus: uma cidade onde habita a justiça, a fraternidade e a paz; onde haja “um só corpo e um só Espírito”, debaixo da paternidade de Deus, Pai de todos, e que nos faz irmãos uns dos outros.
Que Jesus esteja no meio de vós e convosco, para com Ele ensaiardes neste ACAREG a construção da cidade como Deus a sonhou, e, depois, dardes tudo para a contruir no dia a dia nas vossas cidades.


† Joaquim Mendes,
Bispo Auxiliar de Lisboa


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