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09 de Junho de 2018

Senhora do Cabo Espichel: “Perceber que a Mãe de Deus está entre nós”

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O Círio Saloio de Nossa Senhora do Cabo Espichel “é das tradições mais antigas da nacionalidade portuguesa”, que deve ser “aproveitada pelas paróquias que a recebem como uma oportunidade pastoral”. A opinião é do presidente da direção da Confraria do Círio dos Saloios de Nossa Senhora do Cabo Espichel, padre Duarte Morgado, em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE.

Foi eleito, no passado dia 3 de junho, presidente da direção da mesa administrativa da Confraria do Círio dos Saloios de Nossa Senhora do Cabo Espichel. Que Confraria é esta?
Na segunda metade do século XV, foi fundada uma Confraria que procurava reunir as comunidades e promover o culto à Senhora do Cabo. O Círio Saloio é uma realidade que vem do tempo medieval. É uma prática de romaria, de peregrinação, de procura, como todas as tradições que são chamadas de Círios. A memória mais antiga que nos chega do Círio Saloio é da Chancelaria do Rei D. Pedro I. A partir de 1430, mais concretamente, temos a certeza de um Círio organizado que envolvia, na região norte de Lisboa, cerca de 30 paróquias. Esta Confraria conheceu, pelo menos, dois momentos importantes: o da fundação e uma reforma, concretamente nos finais do século XVII. No final do século XIX, a Confraria acaba por morrer por si própria, não por extinção canónica, decretada pelo Bispo, mas talvez porque, provavelmente, deixou de haver quem a assumisse – até porque esse é um período que se caracteriza por alguma fragilidade das comunidades cristãs. Passados estes mais de 100 anos, com a oportunidade da visita da Senhora do Cabo à Paróquia de Loures em 2016 – e aproveitando todo o trabalho que as comunidades de Sintra e Belas tinham vindo a fazer nos últimos 10 anos, com momentos de reflexão, formação e de consciencialização da necessidade de retomar não só a Confraria mas de fixar os costumes e as tradições que se julgavam um pouco perdidos nas comissões de festas e em cada comunidade paroquial –, quisemos pegar neste trabalho feito, motivar essas comunidades e outras que, historicamente, estão ligadas ao Círio, e avançar para a Confraria.

Qual a missão da Confraria?
São vários os objetivos da nossa Confraria. Acima de tudo, é uma Confraria católica, uma associação privada de fiéis, que pretende cumprir a sua missão católica e, como tal, a partir do culto mariano, desenvolver todas as ações que um católico ou uma instituição católica devem realizar no território, nomeadamente: acolher, promover e dignificar o culto a Nossa Senhora; ajudar a coordenar o Círio – não pretende substituir as comissões de festas, pretende sim auxiliar as várias comissões, que são autónomas e únicas, para que cada comunidade possa receber dignamente a imagem de Nossa Senhora do Cabo –; promover a investigação e o estudo histórico da própria tradição do Círio dos Saloios; salvaguardar o tesouro do Círio e dá-lo a conhecer, de forma digna. Como obra católica, a Confraria pretende também rezar pelos irmãos que já partiram, motivar, incentivar e apoiar para a vocação à santidade de todos nós, ajudar aqueles que mais necessitam, colaborar com as paróquias que recebem a tradição, zelar para que esta tradição não caia e, por fim, coordenar os aspetos administrativos.

Quem pode pertencer à Confraria do Círio dos Saloios de Nossa Senhora do Cabo Espichel?
Pegámos em alguns materiais que nos chegaram através de investigadores e também das comissões de festas de Sintra e Belas, e encontrámos uns estatutos já muito desadequados à nossa realidade pastoral e social. Havia até elementos que, hoje, eram totalmente discriminatórios, mas que têm de ser entendidos à época. Numa atualização, e de acordo também com aquilo que está previsto para as associações privadas de fiéis, nós encontrámos duas nomenclaturas para distinguir os irmãos: todo o irmão, toda a pessoa, todo o católico que queira integrar a Confraria é designado de ‘Romeiro’, porque essa é a atitude de quem se reconhece peregrino em direção a um santuário; na direção, nós designamos por ‘Mordomos’. É interessante, e este é um aspeto que quisemos salientar para dar também um carácter único a esta Confraria: só pode fazer parte dos Mordomos quem seja Romeiro paroquiano das paróquias que integram o Círio Saloio. Se eu for de Coimbra, por exemplo, posso ser Romeiro, mas não posso ser Mordomo. Isto é para salvaguardar que a identidade das comunidades originais nunca se perde e para que as comunidades se sintam vinculadas à própria Confraria. Queremos que esta identidade do Círio Saloio não termine, mas seja rica na sua expressão. Neste momento, temos 114 irmãos ou confrades, todos Romeiros e, alguns deles, Mordomos, e a expectativa é aumentar este número.


  • Leia a entrevista completa na edição do dia 10 de junho do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.
 


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