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04 de Maio de 2018

Uma nova narrativa na comunicação da Igreja

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A terceira edição da Jornada Diocesana da Comunicação reforçou a necessidade da criação de uma estrutura de comunicação da Igreja em Portugal. No painel conclusivo do encontro foram analisadas as consequências das ‘fake news’ nos media e a degradação do espaço público, provocado pelas redes sociais.

O ponto de partida foi a Mensagem do Papa Francisco para o 52º Dia Mundial das Comunicações Sociais, celebrado no próximo dia 13 de maio. As ‘fake news’ são o novo fenómeno mediático que, apesar de existirem desde sempre, têm um efeito cada vez mais nocivo e, muitas vezes, responde a grandes interesses que procuram mudar o rumo dos acontecimentos e da sociedade, como a conhecemos. Perante este fenómeno, quando associado a notícias menos boas que têm como foco a Igreja, como é que a instituição com mais de 2000 anos de história poderá responder? Este foi o desafio deixado para a 3ª Jornada Diocesana da Comunicação, que decorreu no passado dia 28 de abril, na Paróquia de Carnaxide, na Vigararia de Oeiras.
De manhã, os inscritos participaram numa sessão de media training, onde trabalharam e questionaram as diferentes atuações, enquanto responsáveis de comunicação, perante vários casos. 
No período da tarde, o painel conclusivo ‘Polémicas e escândalos – Que respostas?’ juntou, na mesma mesa, o jornalista do Observador João Francisco Gomes, o fundador da agência All Comunicação, José Aguiar, e o cronista Henrique Raposo, num debate moderado por Rita Carvalho, do portal SJ. Da discussão, submergiram caminhos que podem ajudar a Igreja em Portugal a criar, ela própria, uma nova “narrativa na comunicação”.

É notícia ou não?
“O que interessa aos media?”, foi a pergunta deixada ao jornalista de 22 anos, recém premiado com o prémio de jornalismo D. Manuel Falcão, atribuído pela Conferência Episcopal Portuguesa, em pareceria com a Renascença. Para João Francisco Gomes, é necessário existir uma compreensão, por parte dos agentes de comunicação da Igreja, de quais os “critérios que os jornalistas usam para considerar determinado fator uma notícia ou não”. Se assim não for, “talvez não estejam com todas as capacidades para fazerem o melhor trabalho possível”, considerou. Os “valores-notícia”, indicados pelo sociólogo italiano Mário Wolf, e enumerados pelo académico Nelson Traquina, foram apresentados pelo jornalista para dar a conhecer os critérios que “são considerados suficientemente importantes, significativos e relevantes para serem transformados em notícia”. São eles: “1º) A morte; 2º) Notoriedade das pessoas envolvidas; 3º) Proximidade; 4º) Relevância; 5º) Novidade; 6º) Tempo; 7º) Notabilidade; 8º) Conflito, controvérsia, infração”. “Esta é uma reflexão que todos nós, nas redações, fazemos diariamente, de uma forma muito apressada, muito rápida porque não temos tempo. Isto deve estar no ADN dos jornalistas, mas também nas pessoas que trabalham a comunicação, do outro lado”, apontou o jovem jornalista, que também apelou a uma maior abertura e disponibilidade da Igreja “para falar” com os jornalistas. 

Narrativa da realidade
Por sua vez, José Aguiar, da agência All Comunicação, trouxe ao debate a sua resposta sobre “como analisar o problema” das ‘fake news’ – uma realidade que considerou “tão antiga quanto o homem”. “Aquelas notícias falsas que nos devem preocupar mais são as que têm na origem da sua existência o poder”, considera. Para este profissional, que se afasta de uma tentativa de “proibição das notícias”, é dever de todos “não ficarmos quietos nem passivos perante aquilo que nos é apresentado como sendo verdade”. “Hoje em dia há mais notícias para além daquelas que aparecem no jornalismo através dos media. Há muita informação que circula nas redes sociais que é fabricada nas redes sociais e que é verdadeira. Mas também existe o contrário: informação falsa. O maior problema é quando essa informação salta para os media, parecendo existir uma espécie de legitimação. Hoje em dia, os media não têm os recursos para verificar, controlar, validar a informação”, analisou.


  • Leia a reportagem completa na edição do dia 6 de maio do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.


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