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01 de Março de 2018

Renúncia Quaresmal: “Contribuir para curar as feridas da violência”

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Na República Centro Africana, um país em estado permanente de guerra desde 2013, as Irmãs Oblatas do Coração de Jesus cumprem a missão de “acolher” crianças cristãs e muçulmanas e contribuir para a reconciliação. Ao jornal VOZ DA VERDADE, a superiora geral da comunidade, irmã Júlia de Sousa, pede a ajuda da diocese de Lisboa, nesta quaresma, para a construção de um novo edifício da Escola Sacré Coeur, em Bangui.

Depois das obras no Seminário dos Olivais, em 2017, este ano a renúncia quaresmal do Patriarcado de Lisboa destina-se à construção de um novo edifício da Escola Sacré Coeur, em Bangui, na República Centro-Africana. Neste país, devastado pela guerra civil, trabalham as irmãs Oblatas do Coração de Jesus. “Devido aos conflitos armados, todas as escolas foram destruídas. As crianças têm de fazer vários quilómetros a pé, para chegar a uma escola. Os mais pequeninos não vão por causa da distância e da insegurança. Por este motivo, a Congregação das Oblatas do Coração de Jesus, a pedido do Cardeal Dieudonné Nzapalainga [arcebispo de Bangui], responde a esta necessidade da comunidade: a educação das crianças”, explica a irmã Júlia de Sousa, Superiora Geral das Oblatas do Coração de Jesus em Portugal, desde 2006. O projecto de construção do novo espaço ronda os 200 mil euros. 
A Escola Sacré Coeur começou a ganhar forma em 2016, por iniciativa de duas irmãs da congregação, que criaram um espaço de ensino para órfãos e crianças cujos pais não conseguem suportar as despesas educativas. O ano passado, a congregação abriu uma sala para o pré-escolar, com a ajuda da Kinder Mission, missão patrocinada pela marca com o mesmo nome. “No fim do ano, os pais estavam tão contentes com a formação dada às crianças que pediram para abrir salas para dar seguimento ao processo educativo. Construiu-se uma palhota, que serve de sala. Pensava inscrever-se 30 crianças para o 1º ciclo, só que o número de inscrições duplicou. Na impossibilidade de construir um novo edifício e de comprar o equipamento necessário para acolher as crianças para o próximo ano, vimos pedir ajuda”, refere a religiosa portuguesa, de 54 anos. Neste momento, a comunidade educativa de Bangui é constituída por três irmãs, além de professoras, leigos, perfazendo um total de 11 pessoas. 

Uma luta armada com quase cinco anos 
Os conflitos na República Centro-Africana – país localizado no centro de África com cerca de cinco milhões de habitantes – prolongam-se desde 2013, altura em que o ex-presidente, François Bozizé, foi afastado do cargo pelos ex-Sélékas, alegados defensores da minoria muçulmana. A queda do chefe de Estado desencadeou uma contra-ofensiva dos anti-Balaka, maioritariamente cristãos. Em cinco anos morreram quase seis mil pessoas e grande parte das construções ficou destruída. Em janeiro deste ano, os confrontos intensificaram-se, causando pelo menos 100 mortos, destruindo duas mil casas e deixando 60 mil pessoas deslocadas. Segundo a Human Rights Watch, a violência sexual tornou-se um problema preocupante, com centenas de casos de mulheres e até crianças violadas por elementos dos vários grupos que combatem. Desde Setembro de 2014, a Organização das Nações Unidas tem na República Centro-Africana uma missão de capacetes azuis composta por mais dez mil membros, entre os quais cerca de 150 militares portugueses.
Em outubro de 2017