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DOCUMENTOS

02 de Fevereiro de 2018

Encerramento da Sessão Solene do Dia da UCP

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  D. R.  

Qualidade e futuro da Universidade Católica Portuguesa
Palavras de encerramento da Sessão Solene do Dia da Universidade Católica Portuguesa

Ao concluir esta Sessão Solene, tão preenchida de importantes palavras e felizes acontecimentos – como o discurso da Senhora Reitora, os doutoramentos honoris causa, a entrega das cartas doutorais e a distribuição de medalhas a dedicados colaboradores da nossa Universidade – pretendo apenas apresentar de modo breve e mais sistemático o que já tive ocasião de esboçar na Gala comemorativa do cinquentenário. Mais concretamente, aquilo que julgo ser a razão da sua existência e a seiva fecunda que a manteve até hoje e lhe garante o futuro.
Sendo “Universidade”, compartilha com a generalidade dos estabelecimentos de ensino superior – os que o Estado administra diretamente e os que deve reconhecer e apoiar subsidiariamente – o ideal que lhes deu origem. Cultivar os saberes, transmitir conhecimentos e avançar na pesquisa, não só acompanhando, mas até criando a atualidade nos vários campos.
Quando relembramos os cinquenta anos passados, reparamos como pouco a pouco foi crescendo em quantidade e qualidade, de Braga para Lisboa, para o Porto, para Viseu – mencionando apenas a sua atual implantação. Da Filosofia à Teologia e às Ciências Humanas, desdobrou-se depois em dezenas de cursos que vão cobrindo a generalidade dos saberes e respetivas aplicações. Mais faria se fosse melhor apoiada por quem lucra afinal com a sua indiscutível contribuição para a sociedade, a economia e a cultura. Refiro-me naturalmente ao Estado, que há de ser o primeiro órgão ao serviço do bem comum, conjugando solidariedade (olhar por todos) com subsidiariedade (apoiar e estimular as boas iniciativas dos cidadãos), tudo em prol da dignidade e da dignificação da pessoa humana.            
Porque é também “Portuguesa”, a nossa Universidade. Localiza-se em várias das nossas cidades e dá-lhes uma contribuição específica, que já não dispensam. Mas a qualificação ultrapassa a geografia. Uma vez que tudo quanto interessa ao país lhe interessa também a ela. 
Da Teologia ao Direito, da Economia às Empresas, da Igreja às Famílias, tudo lhe interessa e há de interessar sempre mais, como serviço à sociedade que somos, com o recorte específico que a história e a atualidade nos dão. Não foi por acaso que, na primeira década da sua existência, quando profundas mudanças sociopolíticas deram azo a naturais fragilidades institucionais, especialmente no campo do ensino, a nossa Universidade foi intensamente procurada por famílias e alunos. Também aqui se consolidou o país que agora somos. E, desde então, são muitos milhares os diplomados da Universidade Católica Portuguesa que – sem dispêndio público de vulto na respetiva formação - nos garantem, dentro ou fora de fronteiras, como nação criativa e capaz.
Creio, finalmente, que o ser “Católica” lhe dá a particularidade que mais a sustenta e projeta. Como Estado que somos, ou seja, sociedade politicamente organizada, existimos vai para nove séculos. Antes e depois de tal marco, a nossa institucionalização sociopolítica foi sempre animada – evolutivamente, é claro, e por vezes em tensão - por outra que já existia, como persiste agora. Refiro-me à Igreja Católica e além do campo confessional estrito. Refiro-me ao que tem de essencial, ou seja, à figura e à mensagem de Jesus Cristo, que, tendo tradução cultual, é também culturalmente criativa. Respeita e ativa tudo quanto fazemos como seres humanos, acolhendo regras e práticas que são da sociedade de todos, crentes ou não crentes. E alarga-nos um horizonte que podemos chamar divino, não porque nos abstraia da terra, mas porque exatamente nela, no concreto das vidas e das coisas, abre caminho e oferece sentido – precisamente o do Verbo de Deus Incarnado.
Creio que aos protagonistas destes cinquenta anos da Universidade Católica Portuguesa, em especial aos que arcaram com maiores responsabilidades e conseguiram ultrapassar grandes obstáculos, foi esse sentido que os levou por diante, como impulsiona agora os que lhe dão corpo e alma. 
É esta a qualidade que nos garante. É este o futuro que nos chama. 

Lisboa, Universidade Católica Portuguesa, 2 de fevereiro de 2018
+ Manuel Clemente              


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