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09 de Outubro de 2017

Ordenação. Uma “loucura missionária” de Cascais até Angola

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Foi em Cascais que deu os primeiros passos na sua vida cristã. Agora, aos 29 anos, o missionário da Congregação do Espírito Santo prepara-se para ser ordenado sacerdote na sua paróquia de origem e retornar, logo de seguida, para uma missão “radical”: ser padre em Malange, Angola, numa paróquia onde existem apenas dois padres para 140 comunidades.

Esta história tem um início comum a muitos relatos vocacionais. E, tal como muitas outras, começou cedo: aos cinco anos, João Paulo já olhava com admiração para o seu pároco, que não tinha mãos a medir no acompanhamento aos fiéis, e aos domingos celebrava Missas umas atrás das outras. Desde criança que assistiu, impressionado, à dedicação do então prior de Cascais e ao facto de este, já com alguma idade, ter tanto trabalho para fazer. Aqui cresceu a ver uma rotina agitada, num contexto de dedicação e entrega. Um padre para tanta gente.
“De forma silenciosa, isto foi mexendo comigo. Fui-me questionando: e eu, também posso ser assim?”, recorda. Quase 25 anos depois, e nas vésperas de ser ordenado sacerdote, João Paulo Machado de Freitas conhece, de forma ainda mais difícil, esta exigente realidade: está enviado para uma missão na Arquidiocese de Malange onde há apenas dois padres para 140 comunidades. Mas é nesta terra perdida em Angola, onde não há internet, e a eletricidade e a água não são bens disponíveis a toda a hora, que se sente chamado ao que diz ser uma “loucura missionária”.
Com 29 anos, o jovem diácono vai receber a ordenação sacerdotal no dia 15 de outubro, numa celebração presidida por D. Joaquim Mendes, Bispo Auxiliar de Lisboa, em Cascais, a terra onde deu os primeiros passos na vida espiritual. Mas como pertence à Congregação do Espírito Santo (Espiritanos), poucos dias depois regressará ao local onde tem desempenhado a sua vocação: a missão católica de Kalandula.
Voltemos ao início desta história. João Paulo nasceu a 29 de maio de 1988, na Baixa da Banheira, mas com apenas três meses foi viver para Cascais, ficando ao cuidado dos avós. Foram eles que o educaram na fé e o iniciaram na vivência cristã, pois eram pessoas crentes e muito empenhadas no serviço da comunidade. Baptizou-se na paróquia de Alcabideche mas foi em Cascais que frequentou a catequese e se tornou acólito.

Testemunhos missionários
Aos 10 anos, a vida familiar alterou-se com a morte do avô, a quem estava muito ligado e com quem se habituara a ir à missa do meio dia, todos os Domingos. Nessa altura, foi desafiado por uma amiga a conhecer um movimento missionário de leigos, ligado à Congregação do Espírito Santo. Quando viu o ambiente festivo em que conviviam, e escutou os apaixonantes testemunhos dos missionários que serviam Deus em terras longínquas, onde havia comunidades que estavam um ano sem Missa porque não havia padre, o jovem João Paulo ficou ainda mais sensibilizado. “Fiquei impressionado, a pensar, temos aqui um padre que celebra quatro missas ao Domingo e as pessoas podem ir e lá fora esperam um ano por uma Missa para viver a sua fé. Também quero ser como eles”, recorda. 
Decidiu entrar para um grupo vocacional, onde foi crescendo e participando nos encontros de fim de semana que se realizavam no Seminário da Torre d’Águilha. Num acampamento, surgiu a questão, colocada por um animador do grupo: “Se quiseres, podes entrar no seminário”. João Paulo tinha apenas 14 anos mas nem hesitou. Se a pergunta foi-lhe dirigida em agosto, em setembro anunciou em casa que ia arrumar as malas e entrar para o seminário.


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