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17 de Março de 2017

Jovens profissionais católicos desafiados a “ser sinal de Cristo no trabalho”

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Nascido no seio da ACEGE (Associação Cristã de Empresários e Gestores), o ACEGE NEXT é um projeto que pretende “motivar os jovens profissionais” a “viverem o cristianismo no mundo do trabalho”. Ao Jornal VOZ DA VERDADE, Luís Lobo Xavier fala dos objetivos do ACEGE NEXT, cujo ponto de partida está marcado para o próximo dia 25 de março, em Lisboa.

A ACEGE NEXT é dirigido a todos os que chegam, ou que entraram recentemente, no mercado de trabalho. O que levou a ACEGE a olhar para este público e a criar este núcleo jovem?
A ACEGE NEXT foi criada como um núcleo da ACEGE que pretende representar as gerações mais novas dos seus associados e futuros associados. A ACEGE decidiu olhar para este público de uma forma particular ao constatar que a geração entre os 20 e os 40 anos vive realidades e desafios profissionais próprios, como por exemplo as questões da conciliação da vida pessoal e profissional com filhos pequenos, a justiça intergeracional no mercado de trabalho, os desafios em evoluir profissionalmente mantendo os valores católicos, etc. 
Estes temas podem até ser vistos como transversais a qualquer pessoa que trabalhe, no entanto achamos que têm uma abordagem particular nesta faixa etária, e portanto merecem respostas e abordagem mais específicas.

Que respostas e abordagens poderão os novos profissionais encontrar na comunidade ACEGE NEXT?
A ACEGE NEXT tem como grandes objetivos conhecer, explorar mais a fundo e procurar respostas para as inquietações das gerações mais novas relativamente ao mundo profissional; criar oportunidades de aprofundar e viver o cristianismo no mundo do trabalho e, finalmente, transmitir uma mensagem ativa e inspiradora que seja um ponto de partida para cada um transformar o ambiente/mundo de trabalho onde está inserido.
Para atingir estes objetivos, a ACEGE NEXT propõe-se organizar diversas iniciativas que incluem um inquérito a jovens profissionais, eventos temáticos, a promoção de grupos de reflexão e partilha para jovens profissionais e a criação de uma comunidade online aberta a todos.

Que outras iniciativas, organizadas pela ACEGE NEXT, estão previstas? 
O nosso primeiro passo foi realizar um inquérito às preocupações dos jovens profissionais (licenciados entre os 20 e os 40 anos), que nos permitiu ficar a conhecer melhor as inquietações das gerações mais novas relativamente ao mundo profissional, dando insights para os temas a trabalhar e discutir futuramente. Nalguns casos confirmámos preocupações, mas também tivemos algumas surpresas. Estamos ainda a analisar os resultados deste estudo e faremos a sua divulgação no evento que estamos a organizar, sendo que posteriormente disponibilizaremos essa análise no site da ACEGE. 
Seguidamente estão previstos Encontros e Eventos da ACEGE NEXT: o primeiro é já no sábado, dia 25 de março, de manhã, no Museu do Oriente (estão abertas inscrições no site). Estes encontros serão uma oportunidade para reunir jovens trabalhadores e para discutir e aprofundar os temas que nos preocupam relativamente ao ser cristão em contexto profissional. Pretendem também ser momentos inspiradores e servir como ponto de partida para cada um de nós poder agir e transformar a nossa maneira de estar no mundo do trabalho.
Pretendemos também dinamizar mais grupos de Cristo na Empresa, direcionados a profissionais em início de carreira, e finalmente pretendemos criar um comunidade online, com o objetivo de agregar textos, pensamentos, reflexões e outras propostas para ir vivendo o ser cristão no trabalho.

Apesar de ser organizada pela ACEGE, esta iniciativa dirige-se igualmente a profissionais de outras áreas, para além da gestão? 
Sim, a ACEGE dirige-se a todos os que procurem viver e promover o trabalho profissional de acordo com os valores cristãos, no fundo que pretendam ser “sinal de Cristo no trabalho”. Assim, os destinatários destas iniciativas são todos os profissionais que trabalham numa organização (sejam médicos em hospitais, professores em escolas ou universidades, advogados em escritórios de advogados, gestores em empresas, etc.) e também freelancers, empreendedores, entre outros. Isto porque os temas e os desafios abordados são comuns: relações humanas no trabalho, liderança, conciliação da vida pessoal e profissional, dilemas éticos, etc.
Estas iniciativas dirigem-se inclusivamente também a profissionais não católicos, na medida em que se revejam na mensagem de Cristo e considerem que esta pode ser mais uma ajuda para viverem melhor o seu trabalho.

O sucesso profissional e a independência financeira são alguns dos objetivos da maioria dos jovens que ingressam no mercado de trabalho. Pode uma matriz cristã ajudar a cumprir esses objetivos?Pode. Mas mais que tudo pode ajudar estes jovens a olharem um pouco para além disso. A matriz cristã pode ajudar a encontrar um sentido para o trabalho que fazemos, olhando para o trabalho como uma das formas de assumirmos a nossa missão no mundo. Pode também, por exemplo, ajudar a ambicionar uma conciliação da vida pessoal e profissional que promova a construção de um projeto de família, um maior equilíbrio pessoal e espiritual e uma gestão de tempo que inclua atividades de voluntariado ou outras que nos permitam contribuir com os nossos dons e tempo para a construção de um mundo melhor.

Como conheceu a ACEGE, que funções desempenha atualmente na associação e como é que isso tem contribuído para o seu percurso profissional?
Conheci a ACEGE em 2010, altura em que participei num grupo Cristo na Empresa. Para quem não conhece, os grupos de Cristo na Empresa são grupos de reflexão e partilha que desafiam os seus membros a viver como gestores à luz dos critérios de Cristo, e que podem ser uma referência para as decisões e práticas profissionais. Cada grupo é constituído por 10 jovens profissionais, com dois orientadores seniores, tendo reuniões mensais sobre temas concretos da gestão.Ter participado neste grupo foi uma experiência que me ajudou no meu percurso profissional, não só porque me pôs em contacto com outras pessoas que viviam desafios semelhantes aos meus, mas também porque tínhamos o acompanhamento de duas pessoas mais experientes com as quais podíamos discutir situações concretas do nosso dia-a-dia de trabalho, e receber feedback muito útil.
Desde 2016 que faço parte da Direção da ACEGE, com a responsabilidade da ACEGE NEXT, e este novo vínculo tem contribuído para aumentar o meu compromisso em ser um motor de mudança no ambiente profissional onde estou inserido. Ao mesmo tempo tem-me feito estar mais consciente e querer aprofundar uma série de temas que desafiam a nossa geração em termos profissionais. 

Que marca é que a comunidade ACEGE NEXT pode deixar nos novos profissionais católicos? Gostávamos de motivar os jovens profissionais católicos e cristãos a um maior compromisso com a missão de ser um sinal de Cristo no trabalho – afinal é no trabalho que passamos a maior parte do tempo em que estamos acordados, portanto é um importante campo de Missão!
Gostávamos também de os entusiasmar a terem uma maior esperança e empenho em construir uma realidade empresarial sustentável para todos. Todos sabemos que a realidade empresarial é difícil para os mais novos (precariedade, poucas oportunidades profissionais, dificuldade em conciliar com família, etc.), mas precisamos de sair da negatividade, da queixa não construtiva e de uma luta cega pelos nossos direitos, para um novo impulso de sermos mais proactivos, mais positivos, mais confiantes. Acreditamos que é possível encontrar soluções sustentáveis e equilibradas para todos os que estão no mercado de trabalho, mais novos e mais velhos, contratados com e sem termo, solteiros e pais/mães de família, etc., procurando ser inclusivos dentro do nosso contexto e capacidade, isto é, não deixando ninguém para trás.


Perfil
Membro-fundador da ACEGE NEXT, Luís Lobo Xavier tem 34 anos, é casado, tem 1 filho e é licenciado em Economia e em Direito, respetivamente pelas Faculdades de Economia e de Direito da Universidade Nova de Lisboa.De 2007 a 2014 trabalhou no Grupo EDP e, desde 2014, trabalha na Fundação Calouste Gulbenkian, no apoio estratégico ao Conselho de Administração e na coordenação e supervisão de projetos no âmbito da Saúde, Sustentabilidade, Desenvolvimento Humano e Inovação Social. Foi diretor e organizador de vários projetos de voluntariado, ligados à Companhia de Jesus, a Schoenstatt e a outros movimentos e, desde 2016, é membro da Direção da ACEGE. Foi também nesse ano que foi desafiado, em conjunto com cinco amigos, a fundar um núcleo jovem da ACEGE, o ACEGE NEXT. 



  • Leia a reportagem completa na edição do dia 19 de março do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.


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