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Bispos propõem cultura de proximidade e de novas vizinhanças
04 de Janeiro de 2021
Desafios pastorais
Bispos propõem cultura de proximidade e de novas vizinhanças

A Conferência Episcopal Portuguesa (CEP) divulgou, no dia 1 de janeiro, a reflexão “Desafios pastorais da pandemia à Igreja em Portugal”, com 53 pontos, sublinhando a necessidade de uma cultura de proximidade e de novas vizinhanças. O documento, aprovado a 13 de novembro de 2020, na Assembleia Plenária da CEP, defende também uma maior participação das famílias, dos jovens no mundo digital. 
O texto divulgado vem no seguimento do documento “Recomeçar e Reconstruir – Reflexão da CEP sobre a sociedade portuguesa a reconstruir depois da pandemia Covid-19”, aprovado a 16 de junho do último ano e destaca que a suspensão das celebrações comunitárias, em março de 2020, desafiou a “descortinar um outro modo de ser Igreja, feito não só de liturgia e de oração, mas de vida quotidiana”, convidando todos a “redescobrir a oração doméstica, promover uma autêntica espiritualidade familiar e levar a sério a liturgia da Palavra no lar”. “A nossa sociedade precisa de uma Igreja que seja ‘hospital de campanha’ pronta a socorrer, a cuidar, a abrigar, como já o foi em tantos momentos de crise”, escrevem os bispos portugueses.

Liturgia evangelizadora

A CEP desafia as comunidades católicas a avaliar os seus “dinamismos de integração, criatividade e generatividade”, deixando orientações para “construir a fraternidade universal” e “comunicar nos ambientes digitais”, para anunciar a mensagem cristã de forma renovada. “O Papa Francisco tem-se revelado um especialista nesta arte de pensar o Evangelho dentro da cultura e das grandes questões da humanidade: a crise ecológica e climática, o problema dos refugiados e da pobreza, a educação, a economia”, precisa o organismo episcopal, considerando também que muitos cristãos ainda são “analfabetos do Evangelho” e ignoram a “gramática” utilizada na Igreja, desde os seus documentos ao que “realmente se celebra na liturgia”. “A liturgia pode e deve ser evangelizadora, desempenhando um papel de iniciação para muitos que, sem formação, participam nas celebrações em momentos especiais da existência humana”, realça o texto.

“Oxalá por todo o lado – das dioceses às paróquias, dos movimentos aos consagrados, do simples fiel aos professores, teólogos, eclesiólogos ou pastoralistas – se iniciem percursos sinodais de escuta prolongada, autênticos laboratórios de reflexão em ordem a uma ‘nova etapa da evangelização’”.


A reflexão assume “novos desafios de serviço e missão”, considerando que a pandemia “mostrou a importância dos grupos de acolhimento na Eucaristia” e a necessidade de recuperar o tradicional serviço dos “ostiários”, “acolhendo e saudando as pessoas em nome da comunidade, dando indicações e encaminhando-as para o respetivo lugar nos espaços celebrativos”.
Os bispos destacam ainda o serviço da comunicação, “pela presença nas redes sociais e no uso dos meios digitais, contribuindo para a unidade da comunidade cristã e para a abertura missionária”.
A CEP desafia as comunidades católicas a “pensar a pastoral a partir dos últimos” e “preparar os planos pastorais a partir das periferias”, para envolver todos os serviços paroquiais “num plano integrador, mais que assistencial”. “Passar de uma pastoral de manutenção a uma pastoral missionária é uma conversão que vai durar o seu tempo. Não pode haver pressa, mas é necessário planear, definir objetivos e percursos para lá chegar”, sustenta o organismo episcopal.

Jovens, “agentes de evangelização”

O documento sublinha ainda a importância da participação das novas gerações para uma “renovação e conversão pastoral”. “O domínio do digital dá-lhes uma forma nova de ver a realidade. Além disso, são peritos na abertura à novidade, ao diferente, às pessoas e aos povos. Com eles a fraternidade é mais possível”, lê-se.
A CEP aponta ainda à edição internacional da Jornada Mundial da Juventude (JMJ), que Lisboa vai receber no verão de 2023, pedindo que os jovens sejam “agentes da evangelização”. 
“Que Maria, a Mãe do Evangelho, acompanhe todos os seus filhos, os assista nos perigos desta pandemia e lhes dê a saúde esperada, juntamente com a paz, a solidariedade e o conforto do amor recíproco. Todos irmãos e irmãos de todos”, conclui o documento.

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