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Carta aos sacerdotes do Patriarcado de Lisboa
30 de Março de 2020
Semana Santa
Carta aos sacerdotes do Patriarcado de Lisboa

Caríssimos irmãos sacerdotes do Patriarcado de Lisboa: Esta carta dirige-se muito especialmente a vós, que sois «na Igreja e para a Igreja, uma representação sacramental de Jesus Cristo Cabeça e Pastor» (Pastores dabo vobis, 15), nas difíceis circunstâncias em que viveis estes dias, com a sociedade em geral. Faço-o com os meus irmãos Bispos ao serviço da Diocese.

Partilhamos convosco o sofrimento de não poder celebrar com o povo. Nem por isso deixamos de viver a Santa Quaresma, ainda que sem as manifestações habituais de piedade, tão fortes e expressivas como são. Quando as pudermos retomar noutros anos, ainda mais fortes e conversoras hão de ser! O mesmo acontecerá no tempo pascal que se aproxima, que certamente será vivido com iguais limitações, mas não menos fervor. 

No pensamento e na oração, temos muito presentes a cada um de vós, com especial lembrança dos mais idosos ou doentes. Contai com isso, certos de que a oração sacerdotal e recíproca é a alma do nosso presbitério.

É muito consolador o conhecimento que vamos tendo dos muitos modos como viveis este tempo e continuais a acompanhar os fiéis que vos estão confiados. Assim o fazeis pela oração e por muitas conexões de telefone, internet e outros meios, com que superais a inevitável separação física por várias formas criativas de contacto. 

O que vamos sabendo destas iniciativas, da parte do clero secular e regular da Diocese, deixa-nos a convicção de que se ganham novos hábitos para o trabalho pastoral futuro, mesmo quando a normalidade regressar e como regressar. Assim se articularão as várias formas de vida eclesial, complementando a indispensável presença física com outros contactos já viáveis. Não por acaso, uma das imagens evangélicas da Igreja é precisamente a da “rede”.

Chegam-nos felizes notícias de tempos de oração sacerdotal e de encontro pastoral pela internet ou telefone, intensificando ou mantendo o cuidado mútuo e o serviço dos fiéis. Igualmente sobre a vossa atenção aos mais sós e doentes, entre os vossos paroquianos ou outros, com mensagens que enviais e telefonemas que fazeis. E o mesmo se diga do cuidado em garantir o serviço de vários equipamentos socio-caritativos e dos respetivos colaboradores. 

Na verdade, este tempo difícil tem sido da parte do presbitério de Lisboa uma ocasião de reforço da ação pastoral, compensando a interrupção do habitual com a criação de um futuro ainda mais rico, em possibilidades e meios. Entretanto, os serviços diocesanos e as instituições a nós ligadas tudo farão para vos apoiar no que for mais necessário e urgente. As possibilidades, como sabeis, são limitadas, mas a boa vontade é certa.

Cremos também que as atuais condições, limitando a ação pastoral direta, reforçam a vossa qualidade sacerdotal. Redobram os motivos e o tempo de oração e intercessão, como aconteceu nos momentos cruciais de Cristo, consagrados ao Pai pela salvação de todos. 

Caros irmãos sacerdotes, temo-vos muito presentes nestes dias já tão próximos da Páscoa. A vós e aos estimados diáconos a quem saudamos e agradecemos a generosa colaboração. Não esquecendo os muitos que na vida consagrada ou laical, mantêm viva a ação da Igreja de Cristo, comunidade a comunidade, perante as dificuldades acrescidas. A todos manifestamos a absoluta certeza da nossa oração e companhia!

Sobre o modo de celebrar durante a Semana Santa e cumprindo o que está determinado pelas autoridades públicas, seguiremos as indicações do Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, de 25 deste mês, que abaixo se transcreve.  


Para todos, a muita gratidão e estima dos vossos irmãos Bispos


+ Manuel Clemente
+ Joaquim Mendes
+ Daniel Henriques
+ Américo Aguiar    


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Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos, 25 de março de 2020


«… Os Bispos e os Presbíteros celebrem os ritos da Semana Santa sem concurso do povo e num lugar adequado, evitando a concelebração e omitindo o gesto da paz. Os fiéis sejam avisados da hora de início das celebrações, de modo a poder unir-se em oração nas suas próprias casas. Poderão ajudar os meios de comunicação telemática em direto, não gravados. Em todo o caso, continua a ser importante dedicar um tempo oportuno à oração, valorizando, sobretudo, a Liturgia das Horas


1 – Domingo de Ramos. A Comemoração da entrada do Senhor em Jerusalém deve celebrar-se dentro do edifício sagrado; nas Igrejas Catedrais adote-se a segunda forma prevista pelo Missal Romano, nas igrejas paroquiais e demais lugares, a terceira.

2 – Missa Crismal. [no Patriarcado de Lisboa é transferida para o inicio do próximo ano pastoral, em data a precisar.]

3 – Quinta–Feira Santa. Omita-se o lava-pés, já de si facultativo. No final da Missa da Ceia do Senhor omita-se também a procissão e guarde-se o Santíssimo Sacramento no Sacrário. Neste dia, a título excecional, concede-se aos Presbíteros a faculdade de celebrar a Missa sem o concurso de povo, em lugar adequado.

 4 – Sexta-Feira Santa. Na Oração Universal, os Bispos terão o cuidado de preparar uma intenção especial pelos que se encontram em perigo, os doentes e os defuntos (cf. Missal Romano). O ato de adoração à Cruz com o beijo seja limitado apenas ao celebrante.

5 – Vigília Pascal. Celebra-se exclusivamente nas igrejas catedrais e paroquiais. Para a Liturgia batismal, mantenha-se apenas a renovação das promessas batismais (cf. Missal Romano).  

Para os seminários, as residências sacerdotais, os mosteiros e as comunidades religiosas sigam-se as indicações deste Decreto.

As expressões da piedade popular e as Procissões que enriquecem os dias da Semana Santa e do Tríduo Pascal, a juízo do Bispo diocesano, poderão ser transferidas para outros dias convenientes, por exemplo, 14 e 15 de setembro.»  



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