Youtube

NOTÍCIAS

03 de Outubro de 2019

Entrevista ao Diretor do Sector da Animação Missionária

Imprimir
O diretor do Sector da Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa revela “o sonho” de poder proporcionar aos jovens, aos candidatos ao sacerdócio e aos presbíteros da diocese uma “verdadeira experiência de imersão em campos missionários ‘ad gentes’”.

O Papa Francisco convocou, para este mês de outubro, um Mês Missionário Extraordinário, com o tema ‘Batizados e enviados: a Igreja de Cristo em missão no mundo’. O que o Papa pretende com esta iniciativa?
Foi uma feliz coincidência do Papa Francisco em aproveitar o centenário da ‘Maximum illud’, de Bento XV, como luz do constante do alvorecer da missão e como provocação a rezar e reflectir a missão neste novos tempos. O Papa Francisco, na sua intuição muito singular, desde o início do Pontificado quis dar um novo ardor, um novo entusiasmo, uma renovação nos processos e fundamentalmente, conduzindo-nos para as periferias, que afinal são a centralidade da missão. O mês de outubro é um tempo abençoado em que mãos, pés e bolsa se unem em momentos de consciencialização, de formação e de oração, naquilo que é a coluna nevrálgica da Igreja – a razão primária e original de ser da Igreja. Esta é a experiência mais radical de todos os tempos e para todos os tempos da Igreja: anunciar Cristo. Este é o grande desafio, desta tomada de consciência de que realmente todos somos missionários pelo nosso batismo. Daí esta relação umbilical entre Baptismo e Missão ou, talvez, entre Missão e Baptismo.

Acredita que entre os leigos, em especial os das paróquias do Patriarcado de Lisboa, há essa consciência de que a missão é exigência do batismo?
Há já experiências significativas que nos dão alento dessa esperança de um dia seremos mais e, quem sabe todos, nessa consciência. Contudo, e com objetividade, ainda há muita indiferença e desconhecimento dessa identidade inseparável. Ainda se vê na pastoral esse desfasamento entre estas duas realidades, entre o batismo e a vocação que nasce daí. Sermos Igreja para anunciarmos Cristo ainda não desceu ao coração de muitos, e, também o digo, acerca de muitas estruturas. A mensagem do Papa é muito expressiva nessa leitura: ou abraçamos a missão com o coração, ou a Igreja esfumaça-se diante dos nossos olhos

De que forma as paróquias podem viver este Mês Missionário Extraordinário?
Há vários níveis em que as paróquias podem ter vida e ganhar dinâmicas muito interessantes relativamente à questão de avivar esta consciência missionária, porque tudo isto passa pela oração. Sem oração não há missão. Olhemos para o exemplo e padroeira das missões, Santa Teresinha. Deve haver um clima de oração em que esta intenção missionária esteja em todos os atos litúrgicos, em todos os momentos devocionais da própria paróquia, desde as celebrações da Eucaristia, à celebração do terço, às meditações, à ‘lectio divina’… tudo aí pode ter uma leitura e uma chave missionária. O guião missionário preparado pelas OMP e ANIMAG é um bom recurso. Por outro lado, há um ponto que considero sempre importante que é penetrar, em todo o percurso de catequese – através de vídeos, de testemunhos missionários, de artigos ou de outro tipo de experiência formativa –, para que os nossos catequizandos possam ter uma maior sensibilidade e um despertar para uma dimensão que, muitas vezes, parece distante e só reservada a alguns. Eles também são missionários, no grupo de catequese, no grupo de amigos, na escola. Há também uma dimensão que, não sendo a mais importante, tem a ver com a dimensão mais solidária, mais altruísta, de caridade e partilha, em que as paróquias podem colaborar monetariamente, não só no Dia Mundial das Missões – dado que é um dia de ofertório consignado –, mas também de outras formas, com missionários da diocese, da paróquia ou eventualmente ligados a algum instituto, e que possam oferecer aquilo a que nós podemos chamar também uma pequena renúncia, sinal de partilha, de compromisso e comprometimento da parte da paróquia. Um gesto muito simples era conhecermos quantos missionários trabalham fora da nossa paróquia e diocese. 

Na sequência desta convocação do Papa, os Bispos portugueses, na nota pastoral ‘Todos, Tudo e Sempre em Missão’, convocaram um ano missionário que vai encerrar com uma peregrinação nacional a Fátima, a 20 de outubro. Qual a importância desta ação?
Quando os senhores Bispos convocaram Portugal para este ano missionário, há por trás um outro conjunto de realidades que não são de menor importância. Não só o regressar à Carta pastoral da Conferência Episcopal Portuguesa, de 2010, sobre a dimensão missionária da Igreja em Portugal; depois a expectativa da Jornada Mundial da Juventude, em 2022, nos faz caminhar para outros espaços e com outras linguagens, e neste sentido, com ouvidos atentos às palavras  da Exortação Apostólica ‘Christus vivit’, do Papa, que veio na sequência do Sínodo dos jovens… tudo isto – e, no caso da Diocese de Lisboa, deste sonho missionário de chegar a todos, consequência do Sínodo Diocesano –, trouxe para a vontade de todos,  de tudo e de sempre vivermos a missão com alegria. Todos devemos estar envolvidos, tudo deve ser feito em chave missionária e sempre com sangue novo da missão, porque será a missão que nos renovará. É um grande desafio, uma grande provocação, que vai ter dia bonito e simbólico no 20 de outubro, em Fátima, aos pés de Nossa Senhora. Todas as dioceses, nesta peregrinação, são convidadas a tomarem consciência e olharem para Maria como a discípula missionária, onde nos podemos inspirar e aprender a discernir os caminhos da missão, para sermos melhores e mais santos missionários. 

Há cerca de dois anos foi nomeado diretor do Sector da Animação Missionária do Patriarcado de Lisboa. Como se encontra a animação missionária na diocese?

O departamento tem tido uma existência contínua, embora o seu trabalho tenha tido bastantes intermitências, porque as equipas vão mudando e nem sempre tem sido possível ter um trabalho contínuo. Nos primeiros meses, foi um pouco difícil até conseguirmos perceber o que é o nosso Patriarcado (desconhecia por completo a realidade eclesial – acho que só conhecia o senhor Patriarca) e compreender os planos pastorais da diocese e daquilo que estava a ser feito e se esperava deste sector. Hoje, temos uma equipa, alguns trabalhos já estão a ser executados, em colaboração com as paróquias, nomeadamente da cidade. Temos vários projetos entre mãos, concretamente um Fórum Diocesano das Missões, que prevemos realizar no próximo ano, no dia 19 de janeiro, em Mafra, onde vamos tentar, com dinâmicas novas, trazer a realidade missionária e espelhá-la de uma maneira mais viva e mais dinâmica. Neste sentido, vamos trabalhando, em ligação com os vigários, tentando fazer um trabalho de coordenação. Efetivamente, há muita coisa que é feita, em termos missionários, na diocese, com uma dimensão muito interessante. É verdade que muitas vezes não é conhecida por todos, mas que vai marcando as comunidades, as paróquias e as vigararias. Não podemos dizer que o Patriarcado de Lisboa não está a ter esta sensibilidade e consciência missionária. O Sínodo é prova disso! Mas é evidente que podemos todos em conjunto fazer muito mais. Está a ter, mais a nível local, mais a nível de vigararias, mas agora é necessário dar uma panorâmica geral para que todos se sintam provocados no sentido positivo, para todos termos uma atitude mais missionária.

  • Leia a entrevista completa na edição do dia 6 de outubro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.


Siga-nos em:
  • Facebook
  • YouTube
  • Sapo
  • Twitter
  • Flickr
Patriarcado de Lisboa
© 2019 - Patriarcado de Lisboa, todos os direitos reservados Desenvolvido por  zoomsi.com