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04 de Julho de 2019

Padre Tiago Neto apresenta ‘Say Yes – Aprender a dizer sim’

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“A um grande dom, que é a JMJ, responde-se com uma grande responsabilidade”

A nova proposta de formação dos adolescentes ‘Say Yes – Aprender a dizer sim’, criada pelo Setor da Catequese do Patriarcado de Lisboa, propõe uma caminhada pela história das Jornadas Mundiais da Juventude. Em entrevista ao Jornal VOZ DA VERDADE, o diretor da Catequese da diocese, padre Tiago Neto, fala desta “oportunidade a não perder”, que se alargou a todas as dioceses e que oferece aos adolescentes a oportunidade de “serem protagonistas” com a criação de “formas concretas de evangelização”.

Como nasceu a proposta ‘Say Yes – Aprender a dizer sim’, com vista à preparação dos adolescentes para a Jornada Mundial da Juventude (JMJ) Lisboa 2022?
A origem desta proposta tem a ver com esta realidade de perceber que a JMJ é um grande dom para a Igreja de Portugal e para a Igreja de Lisboa, e que a um grande dom responde-se com uma grande responsabilidade. Esta proposta de catequese com adolescentes, intitulada ‘Say Yes – Aprender a dizer sim’, procura ser uma proposta pedagógica para preparar a Jornada Mundial da Juventude. Pensou-se que era necessário e, talvez, uma oportunidade a não perder, propor aos adolescentes que frequentam a catequese e que participarão na JMJ, uma caminhada de preparação, um caminho para chegar a esse grande acontecimento. 

Como é que esta proposta pedagógica está estruturada?
O ‘Say Yes’ está estruturado em três anos, cada ano com cinco etapas, o que perfaz um total de 15 etapas. Estas etapas correspondem aos encontros dos jovens com o Papa, nas Jornadas Mundiais da Juventude que, entre 1986 e 2019, aconteceram 15 vezes. Temos um esquema de trabalho que, fundamentalmente, é um esquema mensal. Preside a este esquema aquilo que são as componentes essenciais da catequese: a pessoa colocar-se diante da sua experiência de vida, iluminar a experiência de vida com a força da Palavra de Deus, com os desafios que a Palavra de Deus passa, rezar aquilo que vai experimentando e vivendo à luz da Palavra e comprometer-se em atitudes, em ações de vida que ajudem a transformar a própria vida e o mundo. Portanto, cada esquema mensal corresponde a esta dinâmica catequética. Na primeira semana, os adolescentes irão tomar contacto com a mensagem que o Papa escreveu aos jovens, para um determinado encontro. Por exemplo, em Roma, em 1986, o Papa João Paulo II escolheu como tema ‘Estai sempre dispostos a dar a razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la peça’. Na segunda semana, eles irão trabalhar um texto bíblico fundamental sobre esta temática da esperança, depois de serem confrontados com a mensagem, com aqueles desafios que a mensagem traz, hoje. Na terceira semana, os adolescentes têm uma experiência de oração e, na quarta semana, começam a desenhar e a construir um projeto de intervenção. Essa é a grande novidade deste projeto com adolescentes: ao envolvê-los e dar-lhes a possibilidade de serem protagonistas do seu próprio caminho catequético. Os adolescentes vão poder escolher formas concretas para pôr em prática aquilo que são os exercícios de missão, de evangelização, de serviço à comunidade e de crescimento em grupo. 

Como é que esta dinâmica vai ser implementada? Esta é também uma proposta para grupos de jovens?
Aquilo que está pensado, em termos de materiais e conteúdos, é que seja uma proposta de tal modo abrangente que permita ao catequista, independentemente da faixa etária dos seus adolescentes, adaptar, tendo em conta aquilo que é realidade cada grupo. Quando pensamos nos adolescentes do 7.º ao 10.º ano, estamos a falar de uma franja de gente muito diversa, em termos do seu desenvolvimento, das suas competências eclesiais, da sua forma de integração no mundo... Esta proposta permite aos grupos, que desejarem, prepararem-se para a JMJ, conhecendo a história da jornada, por um lado, e, por outro, quebrar aquele ‘ciclo’ de chegar ao 10.º ano e não existir uma ideia de continuidade. Pode ser útil para experimentar algumas práticas que ajudem a quebrar uma espécie de ‘abismo’ que se cria após os 10 anos de catequese.

Esta proposta vai substituir o habitual percurso catequético?
Podemos dizer que o ‘Say Yes’ é o percurso de catequese com adolescentes para os próximos três anos. Inspira-se no programa nacional de catequese, seguindo os objetivos e temas do itinerário nacional. O material que vai ser disponibilizado segue algumas propostas dos catecismos atuais. Por outro lado, os catequistas podem complementar a sua formação com uma leitura atenta dos atuais guias da catequese, particularmente no estudo dos temas.  O itinerário é um percurso pela história das jornadas, seguindo aquilo que são os passos essenciais da catequese: a atenção à experiência da vida, a iluminação dessa experiência no encontro com a Palavra de Deus e na oração, o compromisso generoso na missão. Neste sentido, este projeto assume-se como um contributo humilde que a diocese de Lisboa quer dar à renovação da catequese com adolescentes e no acompanhamento das novas gerações. 

Para os grupos de catequese que assumirem esta proposta, como está pensada a vivência dos tempos litúrgicos?
Seguindo a tradição catequética em Portugal, iremos ter este percurso das jornadas e iremos garantir, aos grupos, espaço suficiente para que os catequistas possam valorizar aquilo que são os tempos litúrgicos fortes, como o Natal e a sua preparação, a Páscoa e a sua preparação… No fundo, os grupos vão ter uma proposta para ‘ocupar’ o que são os tempos habituais da catequese, mas há tempos livres, ou seja, há semanas onde não há uma catequese específica, podendo o catequista, com o seu grupo, desenvolver o projeto que vai ser realizado na paróquia ou na comunidade. Propomos que, em cada ano, se realizem três projetos: um no Natal, outro na Páscoa e outro no final de ano (verão). Temos esse tempo para os projetos, para viver a liturgia, no sentido em que valorizamos as celebrações litúrgicas de cada tempo e as celebrações propostas nos atuais catecismos. Por exemplo, se um catequista tem um grupo do 7.º ano, deve fazer a celebração do Natal, própria do catecismo. Também vamos dar propostas de datas para associar a cada etapa deste percurso com os adolescentes a celebração do catecismo. Imaginemos que há um grupo que vai fazer a celebração do compromisso, festa da vida ou festa das bem-aventuranças... estas celebrações estão contempladas, se bem que cada catequese pode, livremente, associá-la ao momento que achar mais indicado.

Esta proposta surgiu no contexto do Patriarcado de Lisboa, mas vai ser alargada a todas as dioceses. Como é que isso aconteceu?
Aconteceu, simplesmente, porque nós estamos num processo de reflexão relativamente à catequese com adolescentes. A nível nacional foram revistos, nos últimos anos, os materiais da catequese da infância. Há uma reflexão, feita ao nível dos secretariados diocesanos da catequese, e apoiada pelo Secretariado Nacional da Educação Cristã (SNEC), no sentido de reformular, repensar a catequese com adolescentes. Por isso, muitas das ideias que encontramos aqui – no fundo, a dinâmica projetual, a dinâmica de uma catequese que envolve os adolescentes –, seguem aquilo que são as indicações do episcopado português e também parte da reflexão que tem sido feita a nível nacional pelo SNEC. 
Neste momento, está a ser preparado, a nível nacional, um programa de catequese com adolescentes que há de sair depois da JMJ. Por isso, pensou-se que seria útil propor este projeto, para que servisse para todos os adolescentes se prepararem para a jornadas e, também, por outro lado, como uma espécie de laboratório de práticas que nos possam ajudar a caminhar, no sentido de descobrir o que é que Deus hoje diz aos adolescentes e como podem, hoje, ter acesso à realidade da fé. Portanto, situa-se numa espécie de contributo intermédio que a Diocese de Lisboa dá a esta reflexão que, a nível nacional, está a ser feita. A ideia é que, quando acabar a JMJ, existam já novos materiais para a catequese com adolescentes.
Este projeto tem uma coisa interessante que é ajudar a combater aquela noção da catequese muito escolar e que acaba. O facto de treinarmos um projeto pode dar pistas para projetos mais alargados. Esse é um dos objetivos: o de os adolescentes, em grupo, se habituarem a construir coisas à sua medida, ao seu nível, mas que os ajude a sonhar aquilo que são os seus projetos maiores, pessoais e comunitários, no sentido de uma certa continuidade do grupo de fé, na vida. 

O Papa Francisco anunciou, no dia 22 de junho, o tema da JMJ Lisboa 2022 [‘Maria levantou-se e partiu apressadamente’ (Lc 1, 39)]. De que maneira este tema pode contribuir para esta proposta com os adolescentes?
O lema deste projeto é ‘Say Yes – Aprender a dizer sim’. Nossa Senhora parte apressadamente depois de ter dito ‘sim’. Há aqui uma clara nota vocacional que nós queremos dar ao projeto com adolescentes, muito na linha daquilo que foi a reflexão feita pelo último Sínodo dos jovens e que está presente na Exortação Apostólica ‘Cristo Vive’. Por isso, muitos dos fundamentos teológicos e objetivos que nós temos para este programa inserem-se naquilo que são as perspetivas apontadas pelo Papa nessa exortação. Uma das dimensões essenciais é a descoberta da vida como vocação. Todos os momentos da vida, sobretudo os momentos basilares de fundação de uma vida, são essenciais para descobrirmos o que Deus quer de nós. A adolescência, como uma fase de desconstrução daquilo que foi recebido na infância e que é recebido, no geral, pelos adolescentes, quer apontar para esta certeza que Deus sempre nos acompanha, sempre nos chama e nos desafia a dizer ‘sim’ ao projeto que tem para nós. Podemos dizer que, ao trabalharmos esta dimensão da vocação, estamos a aproximar-nos da figura de Maria, naquilo que é a sua disponibilidade para dizer ‘sim’.




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