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Homilia de D. Joaquim Mendes, na Jornada Mundial da Juventude
24 de Janeiro de 2019
Homilia de D. Joaquim Mendes, na Jornada Mundial da Juventude

JMJ – Panamá


MISSA NA SEQUÊNCIA DA CATEQUESE


24 janeiro – Memória de São Francisco de Sales


1.Diz o evangelista São Lucas que enquanto Jesus falava, uma mulher, levantado a voz do meio da multidão, disse: “Felizes as entranhas que te trouxeram e os seios que te amamentaram!”. Era um elogio à Mãe de Jesus.


Jesus responde dizendo: “Diz antes: Felizes os que escutam a palavra de Deus e a põem em prática” (Lc 11,27-28).


A verdadeira grandeza de Maria, segundo Jesus, estava no ter escutado a palavra e a ter posto em prática. Esta será também a nossa grandeza, o que nos tornará grandes aos olhos de Jesus.


Sempre que nos reunimos para celebrar a Eucaristia o Senhor vem ao nosso encontro com Palavra proclamada, fala-nos. É uma Palavra para cada um de nós, seus discípulos, que devemos escutar, não só com os ouvidos, mas sobretudo com o coração, procurar compreender e pôr em prática.


2. Na primeira leitura, São Paulo falava de si mesmo, da sua vocação, da sua experiência de apóstolo, dando-nos um testemunho de humildade, considerando-se “o último de todos os santos”.


Santo biblicamente é sinónimo de apóstolo, de discípulo, de cristão.


São Paulo reconhece que a sua vocação e a sua missão são dom de Deus, escolha de Deus, não iniciativa própria.


Jesus no Evangelho dizia aos seus discípulos de então e di-lo hoje também a nós: “Não vos fostes vós que me escolhestes; fui Eu que vos escolhi”.


São Paulo tem esta consciência de ser escolhido gratuitamente, sem mérito próprio, para uma missão particular: “anunciar aos gentios a insondável riqueza de Cristo, e de manifestar a todos como se realiza o mistério escondido desde toda a eternidade”.


E refere que “é por meio da Igreja”, de quem se sente parte e enviado, que este mistério de dá a conhecer.


Embora Deus esteja em toda a parte, é na Igreja, comunidade dos seus discípulos que Ele nos dá a sua Palavra, a sua graça, a vida no Espírito.


São Paulo diz-nos que é pela fé e através da Igreja que nos podemos aproximar de Deus com todo a confiança.


É pela fé e através da Igreja que nos reconciliamos com Deus e fazemos a experiência do seu amor e da salvação.


3. Como o apóstolo São Paulo também nós fomos escolhidos, amados por Deus, antes mesmo de o conhecermos e amarmos.


Também a nós foi dado a conhecer “o mistério escondido”, para também nós o tornarmos conhecido.


Esta é uma grande graça, um grande dom, uma grande riqueza: a fé e o conhecimento de Jesus, que vem hoje vem ao nosso encontro no Evangelho e nos diz: “Assim como o Pai me amou, também Eu vos amei” e nos pede para permanecer no seu amor e guardar os seus mandamentos.


Não tenhamos medo de o fazer, porque os mandamentos de Jesus, a sua Palavra, não são um fardo que nos atrofia ou limita, mas um caminho de vida e de liberdade, fonte de alegria, da verdadeira alegria.


Não tenhamos medo de permanecer em Jesus, na sua graça, na sua amizade, como Ele nos pede. Estar com Ele é estar bem, é permanecer no amor, que é fonte de alegria.


4. Caríssimos jovens,


No nosso coração há uma grande sede de amor, de amar e de ser amado.


Esta sede só se satisfaz com um amor de qualidade, um amor à medida de Jesus.


Um amor humano permeado do amor divino.


Um amor que tem a sua fonte em Deus, que se alimenta do amor de Deus, que ama ao modo de Deus, que ama como o Pai amou Jesus e como Jesus nos ama.


Um amor de vem de Deus a Jesus, de Jesus a nós e de nós aos outros.


Um amor gratuito, que ama sem possuir, sem dominar, sem cobrar, sem buscar contrapartidas.


Um amor sem medida, sem limites.


Um amor até ao dom da vida.


Este é o amor maior, a medida do amor com que Jesus nos amou, por isso pôde dizer-nos: “Ninguém tem maior amor do que aquele que dá a vida pelos amigos”.


Jesus estabelece como condição para sermos seus amigos, fazer o que Ele manda, ou seja, amar assim, amar como Ele nos amou, amar como Ele nos ama.


5. Certamente estais a pensar: esta fasquia é demasiado alta, não consigo chegar lá. É verdade, se o pensarmos só a partir de nós, das nossas próprias forças.


O próprio Jesus o confirma quando diz: “Sem mim nada podereis fazer”.


Sem Jesus não vamos longe no caminho do amor, do serviço, do dom da vida.


Por isso, temos de abrir o nosso coração seu amor, deixarmo-nos amar por Ele, aprender a amar com Ele.


Na medida em que nos deixamos amar por Jesus, o seu amor purifica o nosso amor, transforma a nossa vida, tornando-a um dom para os outros.


E na medida em que amamos, que somos dom para os outros, cada dia, em pequenos gestos, nós crescemos no amor.


6. Celebramos hoje a memória de São Francisco de Sales.


Nasceu em 1567 e morreu em 1622. 


Viveu apenas 55 anos, uma vida curta, mas profundamente marcada pelo amor de Deus.


A vida não se mede pelos anos que se vive, mas pela intensidade de amor com que a vivemos. Foi assim com São Francisco de Sales.


Aliás ele escreveu uma obra intitulada “Tratado do amor de Deus” e outra “Introdução à vida devota”.


Era de uma família nobre, família Sales, do castelo de Sales, do Ducado de Saboia.


Tinha diante se si uma carreira promissora, sonhada pelo pai.


Estudou direito para agradar ao pai, mas também teologia para agradar a Deus que o chamava ao sacerdócio.


Venceu a resistência do pai, porque para ele Deus estava acima do pai.


Foi padre, foi bispo de Genebra, deixou um testemunho de um bom pastor, manso, humilde, paciente, dialogante, que inspirou e continua a inspirar muitos padres e bispos.


Um dos padres que inspirou foi São João Bosco, que fundou uma Congregação de padres e irmãos e lhe deu o nome de “Salesianos”, que vem de “Sales”, do seu apelido, que o inspirou sobretudo pela bondade do seu coração, plasmado pelo amor de Deus.


Peçamos-lhe que também nós nos deixemos plasmar pelo amor de Deus, para sermos sinais, testemunhos, portadores desse amor para todos, como ele foi.


† Joaquim Mendes


Bispo Auxiliar de Lisboa


e Presidente da Comissão Episcopal do Laicado e Família


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