
Para os jovens atletas entre os 14 e os 17 anos, os Jogos da FISEC (Federação Internacional Desportiva do Ensino Católico) são uma oportunidade para conhecer outros países, outras culturas, fazer novos amigos e praticar desporto. Para os treinadores, os professores que os acompanham neste evento, esta é uma forma de demonstrar que “há muitas coisas em comum entre o desporto e a fé”. Esta é a opinião de António Carlos, professor de Educação Física no Colégio Diocesano de Nossa Senhora da Apresentação, em Calvão, na Diocese de Aveiro.
Para este professor, que lida no dia-a-dia com estes jovens atletas, “há valores, como a solidariedade, a entreajuda, a fé, o trabalhar ou seja, plantar uma semente para depois colher o fruto, que só são possíveis quando uma pessoa se apega a alguma coisa para dar algum sentido à sua vida. E essas coisas não concorrem, mas complementam-se ou reforçam-se pela positiva”, observa à VOZ DA VERDADE.
Fundada em 1948, a FISEC é uma organização profissional que organiza, anualmente, jogos desportivos para os jovens dos seus países membros. Abrange jovens do ensino secundário de todo o mundo e procura estimular o desporto, dentro de um quadro pedagógico bem definido, incluindo o espírito desportivo, os valores humanos, sociais e culturais.
Quanto à participação portuguesa neste evento desportivo, que já conta com 63 edições, é um prémio para as equipas campeãs no desporto escolar. “A equipa que ganha o campeonato nacional de desporto escolar representa o país neste evento internacional”, explica António Carlos.
Este ano, nos jogos da FISEC, participaram, para além de Portugal, mais dez equipas representativas da Áustria, Espanha, França, Flandres, Grã-Bretanha, Hungria, Itália, Malta, Holanda e Palestina.
Estes são jogos “onde os jovens vêm conviver e mostrar que o desporto é importante para ter uma cultura e um povo mais sadio”, salientou António Carlos. “Esses jovens têm uma outra forma de passar a mensagem cristã quando entram em campo, quando estão no balneário, quando estão num momento de competição. Por isso penso que o desporto não pode ser esquecido e deve ser entendido pela Igreja como mais uma ferramenta para criar e desenvolver uma educação que dê sentido à vida”, acrescentou.
Uma pastoral do desporto escolar
Se em Portugal a FISEC é representada pelo Gabinete Coordenador do Desporto Escolar, do Ministério da Educação, em Itália a federação é representada pela FISIAE (Federação Italiana Desportiva dos Institutos de Actividade Educativa), um organismo com ligação à Conferência Episcopal Italiana que assume esta missão como uma pastoral. “Somos uma federação católica que procura difundir a ideia do desporto através dos nossos ensinamentos e procuramos pedir aos nossos educadores um fundamento católico, mesmo com os rapazes que não o são”, disse à VOZ DA VERDADE, a Secretária Geral daquela federação italiana, Fedora Parisse.
“Propomos a Missa de vez em quando, propomos a nossa pertença à doutrina católica e procuramos ser exemplo, porque a nossa ideia é aquela de envolver os jovens, o mais possível, no nosso mundo para que não fiquem no meio do caminho ou não encontrem outros maus caminhos”, referiu. Para esta responsável italiana, esta é “uma pastoral não muito conhecida”, mas considera que tem a missão de “unir, através do desporto, as escolas católicas italianas”.
Quanto aos jogos da FISEC, Fedora Parisse afirma serem “um momento de encontro e de intercâmbio, não apenas desportivo mas também intelectual, moral e sobretudo uma partilha de amizade”. “Os jovens fazem novas amizades e conhecem, assim, realidades diferentes, pelo que penso que este é um pequeno milagre”, comenta.
Cardeal-Patriarca convida à escuta da Palavra e do outro
A terminar a 63º edição dos jogos da FISEC, D. José Policarpo presidiu à Eucaristia no Mosteiro dos Jerónimos. Na homilia proferida em português, francês e italiano, convidou os jovens atletas a aprender a escutar a Palavra de Deus. “O efeito da Palavra, que é uma semente, depende da maneira como é escutada”, referiu o Cardeal-Patriarca salientando, também, a importância de se “aprender a escutar os outros”. “Se Deus quer falar-me, é importante que eu esteja disposto a escutar. O que não é fácil – diz – mas implica uma atitude de abertura do coração para estabelecer relação”.
texto por Nuno Rosário Fernandes

