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Comunicação ao Conselho Presbiteral: A Pastoral das Grandes Cidades
13 de Janeiro de 2015
Comunicação ao Conselho Presbiteral: A Pastoral das Grandes Cidades
O Patriarca de Lisboa partilhou, no primeiro dia do Conselho Presbiteral da diocese, que decorreu nos passado dia 13 de janeiro, no Seminário dos Olivais, a sua reflexão sobre o Congresso Internacional sobre a Pastoral das Grandes Cidades, onde participou, em Barcelona e em Roma, em novembro passado.
Comunicação ao Conselho Presbiteral

Partilho convosco os pontos mais relevantes do Congresso Internacional sobre a Pastoral das Grandes Cidades, em cuja segunda fase tive oportunidade de participar (Barcelona – Roma, 24 – 27 de novembro de 2014). Organizado pelo Cardeal Martínez Sistach, Arcebispo de Barcelona, e concluído pelo Papa Francisco, reuniu uma vintena de Bispos de vários continentes, com o apoio de reputados sociólogos e pastoralistas, tendo estes participado numa primeira fase, de estudo e preparação. O conjunto das reflexões será certamente publicado em breve e constituirá uma base sólida para o que adiante se fizer em termos de pastoral decididamente urbana e no atual contexto local e mundial: desde 2007, a maioria da população do globo vive em cidades, que irão crescer cada vez mais, com toda a novidade sociológica, cultural e religiosa que tal implicará. Aliás, perspetiva-se uma Fundação de Pastoral das Grandes Cidades que prosseguirá os trabalhos do Congresso.
 
Resumo em algumas alíneas as reflexões do Congresso:
a) Requer-se um “olhar contemplativo” sobre o mundo urbano, com dupla incidência: duma parte, ter o mesmo olhar de Jesus sobre a cidade; doutra, ver o próprio Jesus nos outros, em cada um dos habitantes da cidade.
b) Seguindo o modelo missionário de Jesus, o modelo da Igreja deve ser o da “saída”, não se limitando a manter o que já existe, mas comunicando o Evangelho da misericórdia nas periferias existenciais da cidade.
c) Tal “saída” há de realizar-se pelo contacto pessoal, a capilaridade e o testemunho. Trata-se de pastoral realmente personalizada, o contacto pessoa a pessoa, a conversa e a pregação informal. 
d) As grandes cidades tanto requerem “igrejas domésticas”, nas famílias cristãs, como paróquias que sejam “comunidades de comunidades” e centros de atenção pastoral permanente e criativa.
e) A Igreja na cidade proporá uma cultura cristãmente inspirada, que dialogue com as outras culturas existentes; não como multiculturalidade sobreposta, mas interculturalidade de aproximação e partilha, também nas redes de comunicação social.
f) Não se trata de ser apenas Igreja “na” cidade, mas Igreja “da” cidade, compreendendo e assumindo a unidade urbana, conjugando todas as particularidades de lugares, centrais ou periféricos.
g) A formação e responsabilização do laicado, pessoal ou associado e presente nos vários setores da vida da cidade, é uma exigência básica da pastoral urbana, que não avançará doutro modo.
h) A memória pastoral da cidade, a experiência acumulada do presbitério, a exigência de ser pobre e humilde, o sonho missionário que empolga – tudo isto se requer aos pastores da cidade atual.
i)A liturgia e a comunhão prática dos crentes oferecerão à cidade a previsão atual da Jerusalém celeste, em que ela se transfigurará. É este o modelo a exercitar e a oferecer, para uma “cidade” sem excluídos sociais ou espirituais.
j) A pastoral urbana tanto requer a proximidade episcopal junto dos sacerdotes e fiéis, como a proximidade e disponibilidade das comunidades, de portas abertas a quem passa e procura.   

Na audiência conclusiva, o Papa Francisco acentuou especialmente os seguintes pontos: 1) Urge mudar a nossa mentalidade pastoral, pois já não somos os únicos que produzimos cultura na cidade, nem os primeiros, nem os mais escutados. Façamos uma pastoral audaz, porque os habitantes da cidade esperam de nós a Boa Notícia de Jesus e do seu Evangelho. 2) Mantenhamos uma atitude contemplativa, que, com todas as contribuições para conhecer o fenómeno urbano, melhor descubra o fundamento das culturas, que no seu núcleo mais profundo se mantêm abertas e sedentas de Deus. 3) Descubramos na religiosidade do povo e dos pobres o seu fundo cristão e católico, enorme potencial para a evangelização das áreas urbanas. 4) Atendamos ao clamor dos pobres, dos excluídos e “descartados”, sem fazer o jogo de quem os quer fazer “invisíveis”. 5) Pensemos tudo em chave de missão, saindo ao encontro de Deus na cidade e nos pobres, e facilitando o encontro de todos com o Senhor, com igrejas abertas, atendimentos acessíveis para quem trabalha, catequeses e horários adaptados à cidade. 6) Finalmente, ligando testemunho e cultura urbana: «O testemunho concreto da misericórdia e a ternura que se faz presente nas periferias existenciais e pobres, atua diretamente sobre os imaginários sociais, criando orientações e sentido para a vida da cidade».  

Estou certo que estas reflexões nos ajudarão criativamente no caminho que agora prosseguimos, rumo ao sínodo diocesano de 2016. 

+ Manuel Clemente

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