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Patriarcado de Lisboa

Ano Europeu do Voluntariado 2011: Voluntariado desafia os cristãos a servir

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O voluntariado é entendido como o dar algo de si aos outros, de forma gratuita e sem esperar nada em troca. No início do Ano Europeu do Voluntariado 2011, a VOZ DA VERDADE apresenta três expressões de voluntariado na Igreja, em áreas tão distintas como a evangelização, a acção social e o arquivo documental.

Catequese: voluntariado em missão

Os catequistas são porventura o maior grupo de voluntários da Igreja. Neste caso, o voluntariado é entendido como missão. Uma missão de evangelização. “O que mais me preocupa é dar a conhecer Jesus às crianças, mostrar que Ele é o nosso grande amigo e Aquele que nos guia e nos dá a verdadeira felicidade. É uma missão complicada, pois eu própria estou constantemente a conhecer melhor este Jesus Cristo, Aquele que me dá a salvação e a vida eterna”. As palavras são de Purificação Guilherme, catequista há 25 anos e que este ano acompanha um grupo de 13 crianças, entre os 6 e os 7 anos, no primeiro Catecismo.

São, como é conhecida pelos amigos, pertence à paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Olivais Sul e é directora comercial e marketing da CTTExpresso. À pergunta ‘Porquê ser voluntária?’, Purificação sorri: “Boa pergunta! Penso que é um acto de amor. Amor, partilha e agradecimento. Porque tenho recebido muito de Cristo, da Igreja e nem sempre lhes sou fiel. No entanto, nunca me abandonaram e, pergunto muitas vezes porque recebo tanto! Que fiz eu para o merecer! E a única forma de dar um pouco de mim é prestar este serviço, que faço com muito carinho para com aqueles que estão à minha volta”.

A família e os amigos nem sempre entendem a sua dedicação a esta missão. “Posso dizer que em relação à família e amigos, nem sempre sou compreendida. Muitas vezes me perguntam porque me dedico tanto à Igreja! Por mim, penso que não dou muito, mas há quem diga que em alguns momentos, para me verem, têm que ir à Igreja!”. São lamenta que o seu voluntariado/missão nem sempre seja devidamente aceite. “Quando tenho alguma dificuldade ou problema chegam-me a dizer: ‘Então, porque não pedes agora ao teu Deus que te ajude!’. É muitas vezes difícil explicar que aquilo que acontece no dia-a-dia é obra do homem e não de Deus! Que o Amor infinito de Deus dá a liberdade ao homem para agir. Mas Cristo está sempre de braços estendidos à minha espera. É difícil fazer entender isto aos que estão à nossa volta, mas as crianças absorvem muito bem aquilo que lhes dizemos e, por isso, são uma fonte receptora, assim Jesus me ajude a chegar aos seus corações!”.

A missão evangelizadora de Purificação procura chegar também aos mais velhos. “O trabalho voluntário através da catequese implica que eu própria tenha catequese. Que eu tenha este desejo de conhecer cada vez mais Jesus Cristo, para o poder experimentar melhor no meu dia-a-dia e assim dar testemunho aos que me rodeiam. E aqui não falo só nas crianças, porque elas são uma ‘boa forma’ de chegar aos pais. A catequese é comunidade, é testemunho, é anúncio e é missão. E as crianças, com a sua curiosidade, a sua vontade de descobrir e a sua capacidade de absorção, são um meio de comunicação para chegar aos pais”.

Purificação vê o Ano Europeu do Voluntariado 2011 “com alguma expectativa”. Mas, em seu entender, é preciso agir. “Não basta dizer que é o Ano Europeu do Voluntariado e ficar à espera que aconteça alguma coisa. É preciso fazer acontecer e não esperar que outros o façam. O voluntariado começa muitas vezes na nossa família, na nossa paróquia. Como catequista proponho-me mostrar ao meu grupo de catequese que devemos ser solidários e ajudar aqueles que precisam”. Este ano desafia por isso toda a família. “Este é um desafio que começa em mim e que tem de me envolver a mim e ao meu grupo e não só as crianças, mas também aos seus pais. Muitas vezes é preciso dar o primeiro passo, porque eles só estão à espera de um desafio. E o desafio já me foi lançado e o tempo está a contar e a passar...”

 

Comunidade Vida e Paz leva palavras de esperança

Para Luísa Chaves, as ruas de Lisboa já não têm segredos. “Sou voluntária da Comunidade Vida e Paz há cerca de dois anos, faço parte da Equipas de Rua, e também auxilio nas Festas de Natal da Comunidade das Pessoas Sem Abrigo. Sou uma das coordenadoras da Volta D1, que efectua o percurso a partir da Sede, passando por Sete-Rios, Meia-Laranja, Algés, Docas, Museu do Oriente, parques de estacionamento do Restaurante Kais, Infante Santo, Mercado da Ribeira, Edifício Jacques Delors (Cais do Sodré), Ribeira das  Naus, Calçada do Combro, Largo de Camões, Chiado (cimo da Rua Garret e ruas adjacentes), Príncipe Real, Rua Castilho, Rua Mouzinho da Silveira, Cinemateca, Rua Alexandre Herculano e Rua das Amoreiras onde acaba o percurso”. Com 49 anos, Luísa refere que o seu trabalho voluntário com as Equipas de Rua tem como finalidade “levar uma palavra de esperança àqueles que se encontram nas ruas”, sejam tóxico-dependentes, alcoólicos ou tão-somente sem-abrigo. “É com muito coração e alma que todas as noites saímos para a rua, para dar viva voz àquilo que o presidente da Comunidade Vida e Paz definiu como sendo os cinco verbos que definem a nossa actuação: Procurar, Motivar, Recuperar, Inserir e Acompanhar”.

Formada em Gestão de Recurso Humanos e Psicologia do Trabalho, Luísa Chaves salienta que “uma Pessoa Sem-Abrigo é um Ser Humano a quem algures no tempo a vida levou a esperança, pelo que têm de ser tratados com a maior dignidade, respeito, amor e carinho” que os voluntários consigam dar.

Para Luísa, ser voluntária “é dar sem olhar a quem, dar tão-somente e duma forma desinteressada, é servir, tão-somente por servir”. Sente-se por isso uma privilegiada. “Ser voluntário de uma causa tão nobre como é a da Comunidade Vida e Paz é um privilégio, uma honra. Muitas vezes me questiono se estarei à altura de poder divulgar essa palavra de esperança, que é a mensagem principal da Comunidade”.

Família e amigos apoiaram-na desde o primeiro minuto. “A reacção mais importante foi a do meu filho, com 15 anos, que é escuteiro do CNE. O escuteiro tem como lema para toda a vida ‘Praticar uma Boa Acção “BA” todos os dias’, portanto foi nele que eu tive o maior apoio, embora ele saiba que de 15 em 15 dias a mãe não está, e sai sem saber a que horas volta”.

A Comunidade Vida e Paz é uma instituição tutelada pelo Patriarcado de Lisboa. Luísa realiza por isso o seu trabalho voluntário numa obra da Igreja. “Ser voluntário vem da visão cristã ‘Seja feita a Vossa vontade’, portanto faz todo o sentido na minha vida”. Nestes anos que leva como voluntária, Luísa Chaves tem procurado seguir um exemplo em particular. “Uma das pessoas que mais admiro e desde sempre tentei seguir o seu percurso foi Madre Teresa de Calcutá, que bem cedo foi chamada para servir os outros, sempre com a presença de Jesus Cristo na sua mente. Ela foi e será sempre um exemplo de servir”.

Sobre o Ano Europeu do Voluntariado 2011, Luísa Chaves considera que o voluntariado deverá ter um papel decisivo na transformação social. “Dizem que 2011 vai ser um ano muito difícil a vários níveis. Acredito que estas ditas dificuldades já vêm de há muito tempo e não são basicamente financeiras, como muitos querem fazer crer. Os valores Família, Amor, Partilha, Solidariedade, Respeito, Fé foram-se esbatendo com o passar do tempo, e 2011 poderá e deverá ser o ano em que todos devemos olhar em nosso redor e questionar o que andamos a fazer deste mundo. Por isso, 2011 Ano Europeu do Voluntariado deve despertar nas pessoas a importância da união e do amor pelo próximo”.

 

Arquivo documental diocesano: uma nova forma de voluntariado

Fernando Belchior é voluntário no Patriarcado de Lisboa desde há quatro anos. Colabora no arquivo documental, onde foi um dos primeiros a iniciar o voluntariado. Hoje são mais de trinta os voluntários a colaborar no arquivo diocesano.

Na sua missão, Fernando faz a inserção em base de dados digital dos documentos dos sumários matrimoniais. “É uma série do arquivo, que começou em 1800 e se prolonga até depois de 1930. É um trabalho moroso – que compreende a higienização, o carimbo da primeira e última página e o registo do sumário no computador –, mas actualmente vamos já em 1850!”, refere, satisfeito, este voluntário.

Fernando Belchior tem 67 anos e é licenciado em Sociologia. Reformou-se há cerca de seis anos e, tal como acontece a muitos recém-reformados, levantou-se a questão: ‘E agora?’. “Temos de preparar a reforma, porque é autenticamente um virar de página”. Fernando começou o trabalho voluntariado assim que se reformou. Por isso, acredita que os recém-reformados que não têm uma actividade voluntária “têm com certeza muito mais dificuldades de adaptação à nova realidade”. Hoje, em tom de brincadeira, garante: “Com o trabalho de voluntariado que faço, passei a ter uma vida ainda mais activa!”.

Casado, pai de três filhos e avô de nove netos, Fernando diz que gosta muito do trabalho voluntário que faz. E a família alinha pelo mesmo sentimento: “Assim o pai está ocupado!”, conta Fernando, lembrando a reacção dos filhos. “A minha mulher até lembrou que não há nada melhor que um homem ocupado!”.

O trabalho voluntariado de Fernando não se fica pelos serviços centrais da diocese. A nível paroquial colabora há três anos na sua freguesia de origem, Dois Portos, Torres Vedras. “Em trabalho conjunto com o pároco, padre Ricardo Jacinto, dedicamo-nos a fazer o inventário. É uma paróquia extensa, com peças muito ricas ao nível dos têxteis, sendo que actualmente estamos a fazer o inventariado documental, ao nível da preservação e higienização para futura catalogação”, conta Fernando.

Pertencente à paróquia de Santa Isabel, onde sempre residiu, Fernando Belchior faz questão de sublinhar que realiza “voluntariado cristão, que radica na pessoa e vida de Jesus Cristo”. “É uma questão de serviço”, garante.

Sobre o Ano Europeu do Voluntariado 2011, Fernando acredita ser uma oportunidade para as pessoas entenderem o que realmente recebem com o trabalho voluntário. “Ser voluntário tem exigências. Não podemos ir fazer voluntariado apenas quando queremos. Temos de assumir um compromisso! Temos de nos entregar totalmente! O voluntariado é uma dádiva que não tem a recompensa material, mas outro tipo de recompensa: o sentirmos que estamos a ser úteis”.

 

‘Sê voluntário! Faz a diferença’

A 27 de Novembro de 2009, o Conselho de Ministros da União Europeia (UE) declarou oficialmente 2011, Ano Europeu das Actividades Voluntárias que Promovam uma Cidadania Activa. O objectivo geral é incentivar e apoiar os esforços desenvolvidos pela Comunidade, pelos Estados-Membros e pelas autoridades locais e regionais tendo em vista criar condições na sociedade civil propícias ao voluntariado na UE e aumentar a visibilidade das actividades de voluntariado na União Europeia.

 

Informações: http://europa.eu/volunteering/pt-pt


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