Youtube

NOTÍCIAS

17 de Outubro de 2014

D. João Marcos nomeado Bispo Coadjutor de Beja: “É sempre Ele o artista”

Imprimir
“Afasta-te de mim, Senhor, porque sou um homem pecador!” (Lc 5, 8). Estas palavras de Pedro para Jesus ressoaram no coração de D. João Marcos assim que recebeu a notícia, na passada semana, da sua nomeação para Bispo Coadjutor de Beja.

Até agora presbítero do Patriarcado de Lisboa, D. João Marcos revela ao Jornal VOZ DA VERADE ter sido “o primeiro a admirar-se com esta nomeação do Papa”, mas garante estar “muito confiante no Senhor, que tem feito coisas grandes” na sua vida. “Eu sou apenas o pincel ou a tinta que Cristo usa, mas é sempre Ele o artista”, salienta.
As reações à sua nomeação vieram de todo o mundo. “Surpreende-me ver que esta nomeação tenha provocado uma explosão de alegria em toda a diocese e também fora de Portugal. Houve gente que manifestou alegria por Beja mas que também chora por mim, porque sabem que isto é sério. Todas asseguraram-me a oração. Isso consola-me e fortalece-me muito”, frisa D. João Marcos. O novo Bispo Coadjutor de Beja, cuja ordenação episcopal será no dia 23 de novembro, afirma que tem como principal preocupação “aprender a ser Bispo” como aprendeu “a ser Padre”.
Nascido em 1949, em Monteperobolso, Concelho de Almeida, Distrito e Diocese da Guarda, D. João Marcos desde cedo se habituou a uma vida familiar “sem grandes luxos” e com um “ambiente próprio de uma aldeia, com muitas crianças”. O novo Bispo cita o filósofo e conterrâneo Eduardo Lourenço para retratar a população que o viu nascer: “Deus não era uma ideia abstrata. Era o centro da vida das pessoas”.


Arte na missão
Após a 4ª Classe, João Marcos é aceite no Seminário de Santarém que à data fazia parte da Diocese de Lisboa. “Fui estudar para o Seminário de Santarém e depois de três anos fui para o Seminário de Almada, entre 1963 e 1966, onde encontrei os então padres Albino Cleto e João Alves, mais tarde Bispos de Coimbra”. Questionado sobre o início da sua vocação, D. João Marcos revela que “tudo surgiu pela via estética”. “Sempre gostei do que é bonito... toda a gente gosta”, frisa, sorrindo. “Na minha terra, numa aldeia pobre, o que há de bonito e de diferente? A Igreja, com imagens dos santos, as talhas douradas, os cânticos... Foi nessa altura que as pessoas começaram a ver que tinha uma inclinação para ser padre. E eu não dizia o contrário, até porque com 6 ou 7 anos tive um sonho em que me vi como padre e acordei contentíssimo”, recorda.
Para o aluno João Marcos, o tempo no seminário foi conturbado. “Não fui um bom seminarista. Baldava-me muito e a certa altura os próprios padres encolhiam os ombros acerca de mim”, lembra. D. João Marcos, hoje, diz que se sente admirado pelo momento que está a viver: “Com esta nomeação, o primeiro a admirar-se sou eu! E os que me conhecem melhor, também se admiram muito”.
O gosto pela pintura sempre esteve presente na vida do novo Bispo. Em 1972, nos últimos anos como aluno do Seminário dos Olivais, o então reitor, padre José Policarpo, e outros padres do seminário tornaram-no estudante de pintura. E foi, precisamente, durante o 2º Ano do curso de Pintura, na Faculdade de Belas Artes, em Lisboa, que João Marcos se tornou, em 1974, no primeiro padre ordenado a seguir ao 25 de abril. Depois de um ano na paróquia dos Anjos, o padre João Marcos juntou-se à equipa de sacerdotes da Merceana, que era composta pelos padres Joaquim Martins e Joaquim Batalha e pelo ainda seminarista Teodoro Sousa, entretanto ordenado presbítero. “Quatro padres juntos deram um impulso diferente às paróquias da zona. Fomos muito apoiados pelo senhor Patriarca, D. António Ribeiro, e pelo Bispo Auxiliar de Lisboa D. António Marcelino, falecido em 9 de outubro de 2013, e cujas últimas palavras que ouvi dele, pouco tempo antes da sua morte, se referiam a esse trabalho pastoral: ‘João Marcos, lembro-me tantas vezes daquele tempo da Merceana. Aquilo que vocês estavam a fazer é o que o Papa Francisco manda agora toda a Igreja fazer’”, recorda.


Saiba mais na edição do dia 19 de outubro do Jornal VOZ DA VERDADE, disponível nas paróquias ou em sua casa.


Siga-nos em:
  • Facebook
  • YouTube
  • Sapo
  • Twitter
  • Flickr
Patriarcado de Lisboa
© 2019 - Patriarcado de Lisboa, todos os direitos reservados Desenvolvido por  zoomsi.com