
No dia em que a Junta Regional de Lisboa do Corpo Nacional de Escutas (CNE) comemorou 85 anos de fundação, D. José Policarpo presidiu à Eucaristia na igreja da Encarnação ao Chiado, o mesmo lugar onde há 85 anos atrás “os primeiros chefes da região faziam a sua promessa escutista”, recordou o assistente regional, padre Paulo Franco.
Dirigindo-se a mais de uma centena de escuteiros, o Patriarca de Lisboa sublinhava a essência comunitária do que é ser escuteiro: “No dia em que considerardes a vossa actividade, a vossa vocação, o vosso itinerário como uma coisa pessoal, como uma realização particular, estais a desperdiçar a fonte mesma da vossa dignidade. A vossa força é serdes membros da Igreja, deste povo maravilhoso, continuamente construído pelo Espírito que Jesus ama, por quem continua a dar a vida”, salientou o Cardeal-Patriarca.
Orientar a vida segundo a fé
Esta mesma dimensão espiritual do escutismo católico é acentuada ao Jornal VOZ DA VERDADE pelo chefe regional, José Carlos Oliveira, afirmando que o escuteiro “nunca se pode esquecer do seu primeiro princípio orientador: ‘o escuta orgulha-se da sua fé e por ela orienta toda a sua vida’. E se os jovens forem devidamente apoiados e educados nesses valores, mais tarde a sua vida terá essa dimensão de Igreja e serão eles próprios intervenientes na construção da Igreja e do Reino de Deus”, refere.
Segundo este responsável regional, “a educação de jovens é a missão do movimento escutista, enquanto movimento de educação não formal”. Mas no caso do CNE, o movimento “associa a pedagogia escutista, de inspiração do fundador, à fé e à dimensão espiritual católica”. “O nosso contributo enquanto movimento é fazer com que a educação que se vive e pratica tente dar aos jovens, nos agrupamentos, esses valores. Nem sempre é fácil, porque os jovens reflectem também as suas influências de casa, da escola e do meio em que vivem. Mas no movimento temos de tentar fazer com que a mensagem passe, e a Junta Regional procura estar atenta e colaborante a esse nível da animação da fé”, garante.
Apostar na formação
Ao comemorar os 85 anos de fundação na Região de Lisboa, o sentimento da Junta Regional é “de alegria” porque, “significa que estamos bem vivos, que temos uma história que nos conseguiu trazer até aqui, realizando um trabalho em prol do movimento”, comenta o chefe José Carlos Oliveira.
Ao olhar para o futuro, há desafios pela frente que vão procurar ser enfrentados. “Em termos de organização vamos tentar ser mais flexíveis, de modo a dar uma resposta mais rápida a todas as solicitações”, assegura o responsável regional. No entanto, a aposta na formação dos recursos adultos é prioridade. “Os grandes desafios da junta regional passam por apoiar o crescimento do movimento, não só nos novos agrupamentos que vão surgindo mas também ajudar o movimento, nomeadamente os adultos, a desenvolverem-se e a formarem-se, realizando projectos e programas de formação para os dirigentes e futuros dirigentes”.
José Carlos Oliveira aponta, ainda, como prioridade, “dar suporte aos agrupamentos para que eles consigam implementar, da melhor forma possível, a metodologia escutista”. “O grande desafio é conseguir que os cerca de 140 agrupamentos da Diocese de Lisboa implementem no terreno a prática e a metodologia escutista. A função da junta regional é conseguir dar suporte e apoio às estruturas para que cumpram a sua missão”, refere.