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O ICNE continuado na renovação pastoral da
Diocese
Documento de Reflexão
1. O
ICNE foi um grande acontecimento da Igreja, manifestação clara da acção do
Espírito. Não foi só um Congresso sobre a Nova Evangelização; foi um momento
forte de evangelização. E é, sobretudo nessa qualidade, que ele nos interpela a
captar sinais dos caminhos por onde o Espírito quer conduzir a Sua Igreja, na
fidelidade a Cristo e à missão. Na celebração de encerramento, o senhor Cardeal
Patriarca exprimiu-o assim:
“Neste momento uma interrogação, que é um anseio, brota do coração de todos
nós: que novos caminhos se abrem para a missão da Igreja, depois deste
Congresso?”
2. Um
olhar sobre a realidade do Congresso, desde a sua longa preparação, as suas
principais expressões e o magistério episcopal que o acompanhou, pode
inspirar-nos os caminhos de renovação pastoral.
2.1. As
suas principais expressões:
ü
A longa
preparação das comunidades, pela oração e descoberta do sentido de missão;
ü
O
enfoque em Cristo Vivo e no mistério da vida. Toda a missão da Igreja se resume
a isso: descobrir a vida, anunciar a vida, aprender a viver;
ü
A força
das celebrações litúrgicas;
ü
A
ousadia de novas formas de missão;
ü
A
mensagem do amor, através de Santa Teresinha de Lisieux;
ü
O papel
único de Maria, na congregação das pessoas à volta de Jesus Cristo;
ü
A
possibilidade de falar de Cristo através da cultura;
ü
A
importância da mediatização.
2.2. Do
Magistério do Patriarca de Lisboa, Cartas Pastorais e Homilias, ressaltam
algumas linhas de força, que poderão inspirar a missão evangelizadora da Igreja
de Lisboa:
ü
A
evangelização é uma expressão da caridade, amor de Deus derramado nos nossos
corações. Para evangelizar é preciso aprender a amar.
ü
A
evangelização é cristocêntrica e sacramental. A capacidade evangelizadora é uma
graça baptismal e eucarística e é expressão do desejo da Igreja de ser fiel a
Jesus Cristo.
ü
As suas
concretizações são as da fidelidade da Igreja e de cada cristão a Jesus Cristo,
nas diversas situações da vida e nas várias expressões da fé e da missão.
ü
A
evangelização é um serviço do homem e da sociedade. Trata-se de “humanizar”
a cidade. A missão da Igreja é serviço da pessoa humana, respeitada na sua
dignidade, ajudada nas suas carências, reconhecida nas suas diferenças.
Evangelizar é uma forma de a Igreja dialogar com a cidade, num diálogo que é
sobretudo cultural, pois é na cultura que se exprime o que de mais belo e nobre
existe na comunidade humana.
ü
A
evangelização exige, por isso, o crescimento das pessoas e das comunidades na
sua identidade cristã e o refrescar das estruturas e serviços de pastoral.
3. As
linhas de força da renovação pastoral da Diocese de Lisboa, na sequência do
Congresso, supõem novidade, sobretudo na pastoral evangelizadora, e
aprofundamento da qualidade, nas expressões habituais da acção apostólica da
Igreja. Enumeramos a seguir as principais linhas de força da renovação pastoral,
onde se devem conciliar a novidade e a qualidade.
PRIMEIRA
Manter vivo o sentido missionário
Manter
vivo, dando-lhe formas concretizadas e continuadas, o entusiasmo pela missão, o
gosto de evangelizar, a ousadia de ensaiar caminhos novos. O Papa, referindo-se
às paróquias, pediu que “assumam um comportamento mais missionário na pastoral
quotidiana e se abram a uma colaboração mais intensa com todas as forças vivas
de que a Igreja hoje dispõe”.
SEGUNDA
Comunicação e aprofundamento da fé
Só uma Igreja evangelizada, que aprofunda a fé e a vive numa dinâmica
de fidelidade, será evangelizadora. Concretizações desta opção pastoral:
Ø
Caminhos renovados de catequese.
A catequese tem de ser um caminho que comunique a fé e fidelize as pessoas a
Jesus Cristo e à Igreja. Não ter medo de “rever”, de forma criativa, a catequese
da infância e da adolescência e de encontrar formas, adaptadas à vida das
pessoas, de “catequese de adultos”. A formação dos catequistas é um elemento
decisivo deste processo.
Ø
A
iniciação teológica:
Tem-se feito um grande esforço. Não se pode desligar da vivência da fé, deve ser
vista, não como curiosidade intelectual, mas como busca da sabedoria, da
“inteligibilidade da fé”, da luz que brota da fé para iluminar a vida do homem e
da sociedade.
Ø
O pão
da Palavra distribuído a todos.
Entre os baptizados há muitos descrentes, ou que mantêm um “sentido de
religiosidade”, sem a densidade da descoberta de Cristo Vivo.
Descobrir formas simples, a oferecer a quem quiser, de fazer esse primeiro
anúncio de Cristo Vivo. Propor isso aos jovens, sobretudo aos universitários, às
famílias, a outros grupos da população.
As
Paróquias, os Movimentos, as Congregações e Institutos Seculares, devem dar-se
as mãos para este anúncio ao alcance de todos. Dar preparação adequada àqueles
que o vão fazer.
Ø
Os
sacramentos preparados e iluminados pela Palavra.
Os sacramentos são momentos decisivos na edificação da Igreja e na santificação
das pessoas. Além de bem celebrados, eles podem ser melhor preparados, de modo
particular o baptismo, a confirmação, o matrimónio.
TERCEIRA
A
Liturgia tem de ser o foco irradiador da profundidade
A Liturgia é a fé celebrada. A fé acreditada e vivida, exprime-se no
louvor de Deus. A Liturgia é elemento decisivo na formação dos cristãos e
momento forte de evangelização. Linhas de acção sugeridas:
Ø
Continuar o esforço de formação litúrgica;
Ø
Equilibrar criatividade com qualidade e unidade da Igreja na celebração da fé;
Ø
Um
esforço renovado para dar maior qualidade ao canto litúrgico, como forma de
oração;
Ø
Cuidar
particularmente as celebrações transmitidas pela TV, e garantir na cidade
“celebrações de referência” pela sua qualidade.
QUARTA
Uma comunidade que celebra, aprende a rezar
A
Liturgia é escola de oração. “Deste Congresso pode surgir um grande dinamismo de
aprendizagem da oração”. Isto sugere:
Ø
Manter
e alargar os “missionários da oração”, criando um grupo de cristãos que se
comprometem a rezar. Acompanhá-los com elementos sugestivos e formativos;
Ø
Valorizar a adoração eucarística;
Ø
Desenvolver a “Escola de oração”, alargando o dinamismo de iniciação à oração;
Ø
Valorizar a oração das crianças;
Ø
Valorizar os templos como espaços abertos ao recolhimento. Fazer esforço para
manter as Igrejas abertas. No caso da cidade de Lisboa, escolher algumas Igrejas
de referência, onde o acolhimento, mesmo sacerdotal, seja particularmente
cuidado;
Ø
A
própria pastoral vocacional vive, em grande parte, desta pedagogia da oração.
QUINTA
A
fantasia da caridade
A primeira concretização da sinceridade da fé é o amor fraterno; a
caridade cristã é o primeiro anúncio do Evangelho. O aprofundamento desta
exigência passa pelo amor de cada cristão, mas também pela “caridade
organizada”.
Ø
Levantamento de todas as expressões de serviço dos irmãos, sobretudo os mais
necessitados, na Igreja de Lisboa;
Ø
Evangelização contínua de quantos servem nessas instituições;
Ø
Valorização da pastoral hospitalar;
Ø
Incentivar o espírito de “vizinhança” e proximidade nas relações
fraternas;
Ø
Alargar
as fronteiras da caridade e da nossa partilha, em comunhão inter-eclesial.
SEXTA
Harmonia entre carismas e paróquia
Este é
um aspecto concreto da mensagem do Santo Padre ao Congresso.
Ø
Cada
Paróquia e cada Movimento devem fazer a análise da sua realidade concreta, neste
aspecto, e sugerir vias de acção pastoral;
Ø
Ter
esta perspectiva em conta no discernimento vocacional;
Ø
Valorização do carisma feminino, sobretudo na formação para o amor, para a
oração e para o serviço apostólico.
SÉTIMA
Revitalização das estruturas pastorais
Estas
devem ser o mais aptas possível para realizar a missão da Igreja e o seu
dinamismo evangelizador. Nenhuma estrutura pastoral se pode considerar
dispensada desta exigência. Apontam-se, desde já, duas concretizações:
a) A
revisão das Bases Estatutárias da Cúria, já em curso, deve ter em conta as
actuais exigências da missão.
b) A
Paróquia, estrutura fundamental e principal referência da “pertença” dos
cristãos à Igreja, deve ser a “casa da comunhão”, escola da fé, e foco de
irradiação da fé. Deve ser missionária. Deve valorizar dois dinamismos
complementares: o acolhimento e o envio.
Na
cidade de Lisboa, devido ao fenómeno da mobilidade e à evolução cultural do
sentido de “pertença”, a Paróquia merece uma reflexão particular.
É
importante que cada cristão tenha uma comunidade de referência, à qual considera
“pertencer”. Hipóteses a estudar:
Ø
Comunidade de referência que pode não ser a Paróquia da sua residência.
Ø
Outras
“comunidades de referência”.
Em
ambas estas hipóteses, será preciso estudar as condições para essa “pertença
habitual”, as implicações canónicas, e o relacionamento com a Paróquia clássica.
OITAVA
Evangelizar a cultura
Continuar o esforço em ordem a manter um diálogo fecundo da Igreja com os meios
culturais; mostrar que o anúncio do Evangelho se pode fazer através da cultura.
NONA
As técnicas de comunicação ao serviço da evangelização
Ø
Continuar o trabalho do “Grupo Media” do Departamento da Comunicação e da
Cultura;
Ø
Reforçar a comunicação via “Internet”.
Lisboa,
11 de Janeiro de 2006
Secretariado de Acção Pastoral
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