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CONGRESSO
INTERNACIONAL PARA A NOVA EVANGELIZAÇÃO
“Evangelizar é abrir as fontes da salvação”
Homilia na Capelinha das Aparições
por ocasião do ICNE em Fátima
Santuário de Fátima, 9 de Novembro de 2005
1. Neste dia
em que o nosso Congresso se fez peregrino do Santuário da Virgem, Senhora do
Rosário, celebramos a Festa da Dedicação da Basílica de São João de Latrão, a
Catedral da Igreja de Roma, a primeira entre as Igrejas, porque construída sobre
os túmulos dos Apóstolos Pedro e Paulo, a que preside o Bispo de Roma, o
Sucessor de Pedro. Esta coincidência litúrgica convida-nos a meditar sobre a
evangelização como construção da unidade da Igreja, porque toda ela, enquanto
anúncio do Evangelho, encontra o selo da sua autenticidade na unidade com o
Magistério de Pedro. Evangelizar é proclamar a mensagem da salvação e a sua
autenticidade é garantida pela comunhão sincera e obediente com a verdade
proclamada na Igreja de Roma, a que tem a primazia da verdade e da caridade.
Nada enfraquece mais a missão evangelizadora da Igreja do que a quebra desta
unidade, garantia da objectividade da verdade, reduzindo a mensagem à verdade de
cada um, ao sabor de correntes de pensamento, sujeitando-a aos ditames de uma
racionalidade mal compreendida. Passa por aqui a fidelidade à verdade de todos
os anunciadores do Evangelho, em primeiro lugar a nossa fidelidade de Pastores,
que unidos ao Bispo de Roma no Colégio Apostólico, somos, com ele, esse templo
vivo donde jorra a água viva que recria e transforma. A nossa fidelidade é a
garantia da fidelidade de todo o povo dos crentes, que na adesão sincera à
verdade proclamada pela Igreja, constituem aquele “sentido da fé” de todo
o Povo de Deus, enquadramento seguro de toda a evangelização.
2.
Na visão de Ezequiel estão já enunciadas algumas características essenciais de
toda a proclamação da verdade: a sua fonte é divina e sacramental, porque brota
como água viva, do próprio Santuário; o seu fruto não é apenas convencer mas
recriar, dando uma vida nova a tudo o que é fecundado por esse rio de água viva.
Na
Igreja esse santuário donde jorram, abundantemente, esses rios de água viva,
autêntica “fonte da salvação” é Jesus Cristo Vivo, que se dá à Igreja e
ao mundo em cada Eucaristia. O próprio Senhor se considerou a Si Mesmo o
verdadeiro Templo, destruído e definitivamente reconstruído na Sua ressurreição.
Como o Evangelista São João anteviu, simbolicamente, na água que jorrou do lado
aberto do crucificado, é de Cristo morto e ressuscitado que brota toda a água
viva da verdade, com a força transformadora própria de um acto criador. No
centro desse santuário, tornado fonte inexaurível de vida e de graça, está
Maria, pela misteriosa união co-redentora ao seu Filho Jesus Cristo. Em Maria, a
co-redenção é o novo rosto e a nova dimensão da sua maternidade. Neste novo e
definitivo santuário, Ela, que a Tradição viu figurada na “Arca da Aliança”,
que no Antigo Testamento ocupava o centro do santuário, não é apenas a água que
jorra e purifica, ela é também a fonte, porque mediadora da graça, a sua ternura
maternal é fonte da graça da redenção.
3.
Quanto acabámos de dizer convida-nos a tomar consciência de algumas qualidades
fundamentais de toda a evangelização:
*
A sua fonte é divina e sacramental. A fonte donde jorra a água viva, que
é Palavra e Sacramento, é Jesus Cristo ressuscitado, que nos dá continuamente o
Espírito que vivifica e transforma. O santuário donde brota a salvação, é Cristo
e a Igreja, sobretudo no Sacramento da Eucaristia, donde brota a força
recriadora da Páscoa. Evangelizar não é simples tarefa humana, com os critérios
de eficácia que lhe são próprios. A sua fecundidade é a de Cristo ressuscitado,
que actua, em ritmo sacramental, através da acção da Igreja. A evangelização é
expressão da caridade, do infinito amor redentor de Jesus Cristo.
*
Os agentes da evangelização têm de mergulhar, continuamente, na fonte da graça e
da verdade. A capacidade evangelizadora é uma graça baptismal e eucarística e é
expressão do anseio de santidade.
*
A evangelização exprime o que de mais profundo existe na Igreja, na sua
fidelidade a Jesus Cristo, na sua fé que desabrocha em comunhão, no seu desejo
de diálogo com o mundo. O anúncio do Evangelho, se visa a salvação das pessoas,
é fundamentalmente expressão da vitalidade da Igreja, da sua fidelidade e busca
de autenticidade. Quem evangeliza é a Igreja, que cresce na sua autenticidade,
evangelizando.
*
Por isso a evangelização tem uma dimensão marial. Nossa Senhora, que no dizer do
Concílio “é um membro super-eminente e absolutamente único da Igreja para quem
é, modelo e exemplar admiráveis da fé e da caridade” (LG. nº 53) é parte
constitutiva da riqueza da Igreja. “Sede da Sabedoria”, ela ajuda a
Igreja a mergulhar na Páscoa de Jesus, única fonte dessa água viva que pode
recriar o homem e o mundo. Aqui aos seus pés, no seu Santuário, dizemos-lhe, com
confiança filial, que queremos partir dela e com ela, no anúncio da salvação.
† JOSÉ, Cardeal-Patriarca
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