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ENCERRAMENTO DO ANO SACERDOTAL
- Carta do Cardeal Patriarca
- Nota Pastoral de D. António Francisco dos Santos
- Guião para o Ano Sacerdotal
    - Mensagem
    - Programação
    - Acção Pastoral
    - Abertura do Ano Sacerdotal


 

 

Ano Sacerdotal

 

 

O Cardeal-Patriarca de Lisboa dá início ao “Ano Sacerdotal” no Patriarcado de Lisboa, com uma Celebração Eucarística na Basílica da Estrela, no próximo dia 19 de Junho às 19 horas. Para essa celebração estão especialmente convocados o Clero e os fiéis da cidade de Lisboa.

 

A assinalar o significado e importância deste novo Ano Jubilar, bem como as suas linhas programáticas, o Cardeal-Patriarca de Lisboa dirigiu, com data de 14 de Junho de 2009, uma Carta Pastoral aos párocos e comunidades eclesiais da diocese (ver anexo).

 

Efectivamente, de 19 de Junho de 2009 até ao mesmo dia do ano seguinte, celebra-se em toda a Igreja, o “Ano Sacerdotal”, em que os sacerdotes e todo o povo de Deus são convidados a ganhar uma nova consciência do que é o ministério sacerdotal ordenado.

 

Em Roma, nesse mesmo dia, Bento XVI, a quem se deve esta iniciativa, abrirá o “Ano Sacerdotal”, presidindo à celebração das Vésperas da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus.

 

O tema do Ano Sacerdotal é “Fidelidade de Cristo. Fidelidade do sacerdote” e o seu objectivo é “ajudar a perceber cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea”.

 

Em Portugal, a 19 de Junho, viver-se-á a “Jornada de santificação pelos sacerdotes”. A 4 de Agosto, por ocasião do aniversário da morte de S. João Maria Vianney, sacerdote, e modelo de santidade, reconhecido por toda a Igreja, a Conferência Episcopal Portuguesa deverá escrever uma Carta a todos os sacerdotes do País e, de 1 a 4 de Setembro, terá lugar no Santuário de Fátima o VI Simpósio do Clero.

 

 

 

 

 

 

CARTA DO CARDEAL-PATRIARCA DE LISBOA

AOS SACERDOTES E ÀS COMUNIDADES CRISTÃS DO PATRIARCADO DE LISBOA

ACERCA DO ANO SACERDOTAL

 

 

Rev.mo Senhor,

 

            1. O Santo Padre Bento XVI proclamou, para toda a Igreja, “um especial Ano Sacerdotal”. Relembremos as próprias palavras do Papa, no seu discurso à Assembleia Plenária da Congregação para o Clero, em 16 de Março de 2009: “A grande tradição eclesial desvinculou, justamente, a eficácia sacramental da situação existencial concreta de cada sacerdote, salvaguardando, assim, as legítimas expectativas dos fiéis. Mas esta justa especificação doutrinal nada tira à necessária, aliás indispensável, tensão para a perfeição moral, que deve habitar cada coração autenticamente sacerdotal.

            Precisamente para favorecer esta tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual, da qual depende também a eficácia do seu ministério, decidi proclamar um especial “Ano Sacerdotal”, que irá de 19 de Junho próximo, ao dia 19 de Junho de 2010. Efectivamente celebra-se o 150º aniversário da morte do Santo Cura d’Ars, João Maria Vianney, verdadeiro exemplo de pastor ao serviço da Grei do Senhor. Será tarefa da vossa Congregação, em sintonia com os Ordinários diocesanos (…) promover e coordenar as várias iniciativas espirituais e pastorais que parecerem úteis para compreender cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporâneas”.

            Estas palavras do Santo Padre encerram um dinamismo programático.

Um objectivo claro: tomar consciência da exigência de perfeição espiritual e moral que brota do ministério sacerdotal, tendo consciência de que a fecundidade pastoral desse ministério depende, em grande parte, dessa resposta espiritual, embora não dependa dela a eficácia salvífica dos sacramentos para os fiéis que os recebem, pois essa é fruto da própria acção salvífica de Cristo que eles representam.

Uma ocasião sugestiva: os 150 anos da morte do Santo Cura d’Ars.

Uma actualidade pastoral: compreender cada vez mais a importância da missão dos sacerdotes na Igreja e na sociedade contemporânea.

Um contexto indispensável: mais à frente, Bento XVI afirma: “A missão do presbítero realiza-se na Igreja. Esta dimensão eclesial, comunional, hierárquica e doutrinal é absolutamente indispensável para toda a missão autêntica e a única que garante a sua eficácia espiritual”.

            Por sua vez, o Prefeito da Congregação para o Clero pede às dioceses de todo o mundo que estabeleçam um programa concreto para a vivência deste Ano Sacerdotal. Esta é a razão de ser e o objectivo desta Carta.

 

            2. Tenhamos presente a maneira como o Concílio Vaticano II define a Diocese: “Uma diocese é uma porção do Povo de Deus confiada a um Bispo para que, com a ajuda do seu presbitério, seja o seu pastor. Assim a diocese, ligada ao seu pastor e por ele reunida no Espírito Santo, graças ao Evangelho e à Eucaristia, constitui uma Igreja Particular, na qual está verdadeiramente presente e actuante a Igreja de Cristo, una, santa, católica e apostólica” (C.D. nº11).

            O “Ano Sacerdotal” é, assim, um convite para aprofundar o mistério da Igreja que somos, a Igreja de Lisboa, na comunhão universal das Igrejas. No âmago do acontecer da Igreja está o sacerdócio apostólico, do Bispo que é o seu pastor, unido aos presbíteros que com ele participam do sacerdócio apostólico. O objectivo de Jesus Cristo é a Igreja, que Ele uniu a Si, tornando-a Seu corpo e faz participar do Seu sacerdócio, para poder oferecer o Seu sacrifício pascal. Ele quere-a “povo sacerdotal”, capaz de oferecer e de se oferecer. É da Eucaristia que brota a exigência de a Igreja ser una, santa, católica e apostólica. O sacerdócio apostólico existe para que toda a Igreja possa ser povo sacerdotal. O Senhor escolheu, consagrou e enviou os seus apóstolos, dando-lhes poder de O tornarem presente no seio da Igreja que se reúne para oferecer o sacrifício redentor.

            Desejo muito que na concepção e concretização deste “Ano Sacerdotal” se evitem dois extremos: o de fixarmos de tal maneira a nossa atenção nos sacerdotes, considerando-os um grupo à parte, isolados do povo sacerdotal. Tudo o que fizermos para descobrir o mistério do sacerdócio apostólico e merecer a santidade dos nossos sacerdotes, devemos fazê-lo em Igreja e com a Igreja. O outro extremo a evitar é o de diluir a especificidade do sacerdócio apostólico na pretensa valorização do sacerdócio comum de todos os fiéis. O próprio Papa nos adverte para este risco: “A centralidade de Cristo traz consigo a justa valorização do sacerdócio ministerial, sem o qual não haveria Eucaristia, e muito menos a missão e a própria Igreja. Neste sentido, é necessário velar para que as «novas estruturas» ou organizações pastorais não sejam pensadas para uma época em que se deveria «renunciar» ao ministério ordenado, partindo de uma interpretação errónea da justa promoção dos leigos, porque, em tal caso colocar-se-iam os pressupostos para a ulterior diluição do sacerdócio ministerial, e as eventuais presumíveis “soluções” viriam a coincidir dramaticamente com as verdadeiras causas das problemáticas contemporâneas ligadas ao ministério”.

 

            3. As concretizações programáticas para a vivência do “Ano Sacerdotal” na nossa Diocese estão a ser preparadas por um grupo por mim designado para o efeito, e serão, em devido tempo, tornadas públicas. Manifesto-vos, desde já, algumas intuições pessoais como vosso Bispo:

 

* Não se trata de substituir o Programa Diocesano de Pastoral: será, antes, uma perspectiva enriquecedora de quanto aí está previsto, porque a graça própria de um “Ano Sacerdotal”, pode enriquecer e exprimir-se em todas as linhas programáticas para a nossa diocese.

 

* A verdade, qualidade e densidade da celebração eucarística está no centro. É aí que encontramos, na harmonia do mesmo mistério, o povo sacerdotal e os seus sacerdotes. É na Eucaristia que se descobre e aprofunda o dom do sacerdócio. Isto sugere e exige que a celebração eucarística se prolongue na adoração eucarística. Aí se escuta o Senhor e se percebe o chamamento à santidade, dos sacerdotes e do povo sacerdotal. Espero que se reestruture a prática do Sagrado Lausperene, adoração continuada e ininterrupta na nossa diocese e que todas as comunidades encontrem, ao ritmo possível, a prática da adoração eucarística.

 

* Quando se adora com fé o Senhor na Eucaristia, escutamos melhor a sua Palavra. Só esta nos abrirá o coração para a compreensão deste maravilhoso dom de participação no sacerdócio de Cristo.

 

* Os sacerdotes são interpelados, durante este ano, a aprofundarem a experiência de oração. Mesmo quando o fazem sozinhos, façam-no sempre em Igreja e com a Igreja. Procuraremos valorizar os retiros anuais e as recolecções organizadas. É minha intenção orientar pessoalmente, pelo menos, um retiro para os nossos sacerdotes.

 

* Peço aos Movimentos e Associações de Fiéis que organizam habitualmente os seus retiros, que lhe imprimam esta densidade de descobrir, em oração, o dom do sacerdócio. Procurar-se-á organizar dias de oração e retiro para os fiéis que tenham dificuldade em inserir-se nesses retiros organizados.

 

* O aprofundamento teológico e espiritual do dom do sacerdócio é também necessário. Tanto para os sacerdotes, integrado na sua formação permanente, como para o Povo de Deus, organizar-se-ão momentos de aprofundamento doutrinal.

 

* Gostaria que se realizassem actividades específicas para as crianças e para os jovens. Peço aos respectivos Departamentos que as imaginem e preparem.

 

* A Pastoral Vocacional pode ser dinamizada, na sua verdade profunda, na vivência do “Ano Sacerdotal”. Quando se escuta o Senhor percebe-se que Ele continua a chamar e que, aqueles que chama, antes de lhes pedir um serviço, lhes comunica um dom, de participação na Sua própria intimidade e missão. O sacerdote é chamado a ser íntimo de Deus. Ouçamos mais uma vez o Santo Padre: “Deus é a única riqueza que, de modo definitivo, os homens desejam encontrar num sacerdote”.

 

4. Aos sacerdotes do nosso presbitério quero garantir que procurarei estar ainda mais unido a eles; é uma continuidade da nossa Assembleia de Fátima. Que São João Maria Vianney nos entusiasme a percorrer os caminhos da santidade que só podem ser os caminhos da doação total ao Povo de Deus, a que fomos enviados como pastores. E escutemos de Maria, a Rainha dos Apóstolos, os segredos do nosso sacerdócio.

 

 

            Lisboa, 14 de Junho de 2009

 

 

† JOSÉ, Cardeal-Patriarca

 

 

 

 

 

Nota Pastoral de D. António Francisco dos Santos para o Ano Sacerdotal


"Tempo favorável para os colaboradores de Deus" (cf. 2 Cor 6,2)

 

1. Na continuidade do Ano Paulino que nos ajudou a caminhar com S. Paulo ao ritmo do seu entusiasmo pelo Evangelho e da sua paixão por Cristo, o Santo Padre Bento XVI convida, agora, a Igreja a viver um Ano Sacerdotal.

Iniciado no dia do Sagrado Coração de Jesus, este Ano Sacerdotal conduzir-nos-á até à mesma solenidade litúrgica do próximo ano, a 11 de Junho de 2010.

"Da fidelidade de Cristo à fidelidade do sacerdote" é o lema deste Ano sacerdotal e João Maria Vianey, o Santo Cura d'Ars, é o modelo de vida e de missão que o Santo Padre propõe aos sacerdotes de todo o mundo.

Queremos viver este Ano Sacerdotal com alegria e esperança: como tempo abençoado para agradecermos o amor de Deus pelo seu Povo, revelado no dom e na vida dos sacerdotes dados à Igreja; como tempo necessário para integrarmos no horizonte do nosso viver e do nosso agir a alegria da fidelidade aprendida com Cristo, o Bom Pastor; como tempo propício para intensificarmos o trabalho já iniciado de uma pastoral vocacional mobilizadora de toda a Diocese.

No sentido de dinamizar toda a Diocese para vivermos com alegria e entusiasmo este Ano Sacerdotal, constituo um Serviço Diocesano, formado por Monsenhor João Gonçalves Gaspar, Padre Joaquim Martins e Padre João Miguel Araújo Alves que tem por missão promover e coordenar as várias iniciativas a programar neste âmbito.

As iniciativas e propostas pastorais deste Ano Sacerdotal integrar-se-ão na programação pastoral inscrita no Plano Diocesano de Pastoral, envolvendo toda a Igreja Diocesana. Assim se concretizarão os grandes objectivos que nos propomos ao longo deste tempo vivido no horizonte da Missão Jubilar Diocesana, para que sejamos verdadeiramente "Igreja renovada na caridade, esperança no mundo".

2. Como primeira iniciativa de dimensão nacional deste Ano Sacerdotal, a Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios, promove de 1 a 4 de Setembro próximo, em Fátima, o VI.º Simpósio do Clero de Portugal.

Centrado na exortação de S. Paulo: "Reaviva o dom que há em ti" (2 Tim. 1, 6), o Simpósio do Clero destina-se aos presbíteros das dioceses e dos institutos religiosos de Portugal e oferece-nos a todos, no contexto deste Ano Sacerdotal, uma oportunidade única a não perder.

Ouso solicitar aos sacerdotes da nossa Diocese que tudo façam para que possam desde já organizar o trabalho pastoral e o necessário tempo de férias para aproveitar esta oportunidade que nos é dada.

3. Anuncio-vos com alegria que no próximo dia 12 de Julho, às 16 horas, na Sé de Aveiro, será ordenado presbítero o diácono João Manuel Marques Gonçalves.

A ordenação de um novo presbítero constitui uma bênção para a Igreja de Aveiro, tão necessitada de sacerdotes.

Queremos olhar o futuro com confiança e afirmar o valor da fidelidade e a beleza da santidade do ministério sacerdotal. O testemunho de jovens generosos que acolhem o chamamento do Senhor e se decidem a ser pastores segundo o Coração de Cristo, o Bom Pastor, diz-nos em linguagem viva o amor de Deus pelo seu povo e animam-nos a todos a prosseguir no caminho da esperança.

Preparemos, por isso, este dia e esta celebração em cada uma das comunidades cristãs e nos institutos religiosos da Diocese, para que a oração, a alegria e o sentido de comunhão fraterna ajudem o novo presbítero a viver o sacramento que vai receber como um dom e uma graça transformados em ministério e em missão de entrega ao povo de Deus que a partir de agora vai servir.

Não esqueço nesta hora de acção de graças a família do novo presbítero, assim como a paróquia de Nossa Senhora da Assunção de Espinhel, onde nasceu e foi baptizado, o Seminário que o acolheu e ajudou no discernimento e na afirmação vocacional e todas as instituições e pessoas que ao longo do tempo estiveram a seu lado neste caminho de vocação sacerdotal.

Na mesma celebração serão ordenados seis diáconos permanentes.

Terá, assim, a Igreja de Aveiro, a partir desse dia, trinta e quatro diáconos permanentes. Eles revelam-nos um longo caminho de abertura eclesial e de renovação conciliar da Igreja diocesana, de experiência sólida de formação e de testemunho reconhecido dos membros da comunidade diocesana que se sentiram vocacionados para este ministério ordenado.

Cumpre-nos saber preparar e viver cada ordenação como momento único de acção de graças e oportunidade privilegiada de iniciativas vocacionais que mobilizem as nossas comunidades cristãs em torno do sentido e do valor de vidas dadas a Deus para o serviço da Igreja.

Que a presença dos presbíteros e dos diáconos assim como das comunidades da Diocese na celebração das Ordenações do próximo dia 12, na Sé de Aveiro, signifique a nossa comunhão vivida na fé e na alegria, ao acolhermos no coração da Igreja Diocesana este dom que Deus nos concede.

4. A decisão de construir uma Casa Sacerdotal em Aveiro encontrou no coração da comunidade diocesana imediato acolhimento e significativa generosidade.

Foi anunciada à Diocese pela primeira vez no dia 8 de Dezembro de 2007 e a partir daí deram-se os primeiros passos no sentido da concretização desta decisão rezada, ponderada e bem recebida.

Teve lugar desde logo nas instâncias próprias de participação da Igreja diocesana uma reflexão aberta e participada.

 A Casa Sacerdotal surge como resposta necessária e urgente dada a toda a Igreja e a todo o Presbitério diocesano, mas particularmente aos sacerdotes idosos e doentes assim como às pessoas que dedicadamente os acompanharam ao longo da vida e do ministério.

Uma Comissão Instaladora, para o efeito nomeada, assumiu determinada e corajosamente esta ideia. Decidiu-se desde início entregar a concepção e a elaboração do Projecto ao Arquitecto Manuel Cravo Machado a quem se devem já a conclusão da Igreja e as obras de restauro do Seminário assim como o edifício do Centro Universitário Fé e Cultura.

Entre todas as hipóteses de localização sugeridas, a escolha quase unânime incidiu no espaço envolvente do Seminário. Aí construiremos, querendo Deus, a Casa Sacerdotal, que confiamos à protecção de Santa Joana Princesa, padroeira do Seminário e da Diocese.

No passado dia 28 de Junho, Dia da Igreja Diocesana, foi dado a conhecer à Diocese no amplo espaço do Santuário de Nossa Senhora de Vagos, o Projecto prévio da Casa Sacerdotal, como um dos muitos projectos de índole social em que a Diocese está envolvida ao lado de tantos outros que são iniciativa das instituições diocesanas e das comunidades paroquiais.

No dia seguinte este mesmo Projecto foi apresentado em Assembleia do Clero diocesano.

A alegria, a confiança e a determinação aqui sentidas e expressas dizem-nos que esta é já a hora de avançar no sentido da construção, tão rápida quanto possível. Acolhendo a generosidade de todos. Promovendo iniciativas que nos ajudem a dar sustentabilidade a este audacioso empreendimento. Conto com toda a Diocese.

O Santuário de gratidão aos sacerdotes que queremos erguer ao construir a Casa Sacerdotal tem aqui uma das expressões mais nobres, configura em perfeição o espírito do Ano Sacerdotal que vivemos e afirma a alegria que sentimos ao acolher um novo sacerdote diocesano dado por Deus à Sua Igreja.

 5. Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja, Rainha dos Apóstolos e nossa Mãe, ilumine o caminho desta Igreja diocesana renovada na caridade, esperança no mundo, e sustente os passos do novo presbítero, dos novos diáconos e de todos nós para que encontremos sempre na fidelidade de Cristo o alicerce da nossa própria fidelidade e as razões da nossa esperança.

Aveiro, 5 de Julho de 2009
+António Francisco dos Santos,
Bispo de Aveiro

 

 

 

GUIÃO para o ANO SACERDOTAL

 

A Comissão Episcopal Vocações e Ministérios da Conferência Episcopal Portuguesa editou um Guião para o Ano Sacerdotal,com a Mensagem do respectivo Presidente,a que se seguem orientações relativas à Programação do Ano Pastoral.com especial destaque para a celebração da Abertura..

 

 

 

 

 

 

 

Mensagem

O nosso ideal é Cristo, o Bom Pastor

 

1. Inicia-se o Ano Sacerdotal no próximo dia 19 de Junho, Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, dia celebrado, já em anos anteriores, como Jornada Mundial de Oração pela Santificação dos

Sacerdotes.

O Ano Sacerdotal foi proposto pelo Papa Bento XVI, no passado dia 16 de Março, ao anunciar a celebração dos 150 anos da morte de S. João Maria Vianey, Cura d’Ars, em França, e ao manifestar

o desejo de o declarar padroeiro dos sacerdotes.

Como tema de reflexão e de vivência do Ano Sacerdotal, o Santo Padre escolheu a bela expressão: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do sacerdote”.

O Ano Sacerdotal vem continuar o Ano Paulino. Vem ajudar-nos a redescobrir com alegria, à maneira de Paulo, o encanto da vida dos apóstolos e a beleza da missão dos sacerdotes. O Santo Padre

deseja com esta iniciativa sensibilizar as comunidades cristãs para os grandes ideais da vida sacerdotal acolhidos, nestes tempos que são os nossos, com renovado ardor e constante fidelidade.

Reencontrar-nos-emos, assim, com maior proximidade ao longo deste Ano, com o mistério da vocação e da doação que o sacerdote transporta em si e nos é revelado a cada momento que ele

participa da missão de Jesus.

Tem particular sentido meditar a verdade das palavras do Mestre: “sem Mim nada podereis fazer” (Jo 15, 5). É na fidelidade de Cristo ao Pai que o sacerdote aprende a razão da sua própria missão e

alicerça o segredo da sua igual fidelidade.

 

 

2. Este amor fiel manifestado em Jesus Cristo chegou até nós presbíteros pelas mãos da Igreja, depois de longos anos de discernimento procurado e de formação recebida nos nossos Seminários.

Os Seminários são chamados a viver, mais do que qualquer outra instituição, o Ano Sacerdotal com criativo acolhimento e com renovado sentido de missão, dedicando-se com acrescido entusiasmo e

exigente lucidez à formação inicial e abrindo-se de forma humilde e fraterna ao acompanhamento humano, espiritual e pastoral de todos os sacerdotes.

Este amor de Deus por nós sacerdotes, que na Igreja e pela Igreja se afirma no momento primeiro da ordenação, segue-nos e acompanha-nos ao longo de toda a vida e deve tornar-se visível na

comunhão permanente com o bispo, na vida fraterna com o presbitério e no serviço generoso ao povo santo de Deus, que é a razão de ser do nosso ministério.

O sacerdócio é dom e mistério de amor recebido e entregue que se actualiza na Eucaristia, diariamente celebrada, e se afirma em cada gesto e em cada momento da dádiva da vida “até ao

extremo” (Jo 13,1).

É na fecundidade deste amor total a Deus e aos irmãos que tem sentido o acolhimento dos valores e dos conselhos evangélicos que fazem dos sacerdotes, homens de Deus e pastores por Ele dados por

inteiro e para sempre ao Seu povo.

Frágil e vulnerável como todo o ser humano, cada um dos sacerdotes sabe que “ transporta em si um tesouro em vaso de barro” (2 Cor 4, 7).

A consciência desta realidade apela para a necessária e contínua formação ao longo do tempo e para a constante urgência de centralizar a vida espiritual e o exercício do ministério em Cristo, procurando

reavivar o dom de Deus que cada um recebeu” (2 Tim 1,6).

 

 

3. Destina-se o Ano Sacerdotal a toda a Igreja. As dioceses, os institutos religiosos, os seminários, as comunidades cristãs e os movimentos apostólicos devem ocupar-se e preocupar-se com a vivência

deste Ano Sacerdotal.

Centremo-nos na oração e no trabalho de semear e de cultivar o terreno da vocação. Demos prioridade ao testemunho de santidade onde a fidelidade se fortalece e o louvor a Deus pelos

sacerdotes que nos envia encontra pleno sentido. Tenhamos sentimentos de perdão e de misericórdia e gestos de dor compassiva manifestados aos nossos irmãos nos momentos de fragilidade ou de

desânimo. Sejamos voz dada ao anúncio da esperança sempre renascida diante do ícone “do pastor bom e belo, que dá a vida pelos irmãos (Jo 10,11), que conhece os cristãos do seu rebanho (Jo 10,

14), que caminha diante da sua comunidade peregrinante (Jo 10,3) e lhe dá o alimento necessário a seu tempo (Lc 12,42) (Enzo Bianchi – Aos presbíteros, pág. 15).

Vão ser muitas as iniciativas programadas para este Ano Sacerdotal, no campo da celebração, da vivência e da formação dos presbíteros.

Estamos conscientes de que a beleza da vida e da missão do sacerdote consiste essencialmente naquilo que ele é, mais do que naquilo que ele faz.

Pela sacramentalidade do ministério, o sacerdote encontra em Cristo, de quem é discípulo, a paz e a santidade, cresce na fé e aprofunda a vida espiritual pelo exercício do seu ministério.

É no coração, na vida e no ministério de cada um dos sacerdotes que este Ano Sacerdotal encontra o mais indicado e necessário ambiente de acolhimento e a mais densa e sentida forma de celebração.

As ordenações ao longo destes tempos mais próximos têm um valor de particular significado a não perder. Os novos presbíteros revelam-nos o dom fecundo por Deus concedido à Igreja no limiar

destes tempos novos que o Ano Sacerdotal desde já anuncia.

O Simpósio, a realizar de 1 a 4 de Setembro, em Fátima, constitui para os presbíteros de Portugal um momento integrante deste Ano Sacerdotal a acolher e a valorizar.

O programa divulgado, com os temas e intervenientes já indicados e confirmados, dizem-nos da importância de aproveitarmos este momento de bênção e de graça que o Espírito de Deus nos

oferece.

 

 

4.Iniciamos este Ano sacerdotal em comunhão com o Santo Padre Bento XVI e com os nossos bispos, em dia de oração pela santificação dos sacerdotes, recolhendo-nos nesta aprendizagem feita

na escola de Cristo, para que sejamos pastores segundo o seu Coração. Ajudaram-nos na elaboração do guião pastoral para esta Jornada de oração os Sacerdotes da Fraternidade dos Operários Diocesanos do Sagrado Coração de Jesus, do Seminário Maior de Évora.

Muitos serão também os sacerdotes, diáconos, consagrados (as) e leigos (as) que no decurso do tempo vão ajudar os presbíteros de Portugal e as comunidades cristãs a optimizarem o sentido e o

valor do Ano Sacerdotal. A todos deve a Comissão Episcopal das Vocações e Ministérios uma palavra de comunhão fraterna onde está impressa e expressa a gratidão de todos os sacerdotes.

 

 

5. A Igreja olha com atenta solicitude para os sacerdotes e quer dedicar-se com particular afecto aos doentes, aos idosos e aos que vivem momentos dolorosos de provação.

A Igreja vê como sinal de grande esperança os jovens sacerdotes e os alunos dos Seminários de Portugal. Uns e outros nos desvendam caminhos de generosidade e de fidelidade.

O Ano Sacerdotal é o tempo favorável recebido de Deus para darmos visibilidade a belos e necessários testemunhos de santidade que na vida discreta ou em missões heróicas de sacerdotes

de todos os tempos e das nossas terras nos ensinaram os dinamismos da história futura e nos abriram caminhos dos tempos novos escrevendo com a vida a própria história da Igreja e do mundo.

A intercessão do Santo Cura d’Ars afirma-se e multiplica-se no rosto e na vida dos membros dos nossos presbitérios, de santidade reconhecida e de testemunho exemplar. É este, também, o tempo

de acordarmos em nós a memória viva de tantos para fazermos das suas vidas, sementes de esperança e fermento de vidas novas em Cristo.

Confiemos os sacerdotes à Mãe de Deus, Mãe dos sacerdotes e Senhora do Cenáculo.

Rezemos-Lhe com as palavras e os sentimentos do Santo Padre Bento XVI, na encíclica “Salvos pela Esperança”:

“ Estrela do mar, brilhai sobre nós e guiai-nos no nosso caminho!” (Spe salvi, n.º 50)

 

 

Aveiro, 11 de Junho de 2009, Solenidade do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo


+António Francisco dos Santos

Bispo de Aveiro,

Presidente da Comissão Episcopal Vocações e Ministérios

 

 

 

 

 

 

PROGRAMAÇÃO DO ANO SACERDOTAL

 

Que é o Ano Sacerdotal?

„Ã É um ano especial proclamado pelo Papa Bento XVI no Discurso durante a audiência concedida à Congregação para o Clero, de 16 de Março de 2009.

„Ã Vai de 19 de Junho de 2009 ao 19 de Junho de 2010. No dia de abertura do Ano Sacerdotal, 19 de Junho de 2009, celebra-se a Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, data já instituída como “Dia de oração pela santificação dos sacerdotes”.

„Ã A referência principal durante a celebração do Ano Sacerdotal é São João Maria Vianney, Santo Cura d’Ars, padroeiro mundial dos sacerdotes, cujo 150º aniversário da morte cumpre-se no próximo dia 4 de Agosto.

 

Lema do Ano Sacerdotal

„Ã Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote

[O nome do amor, no tempo, é: fidelidade] (Carta do Cardeal Hummes)

 

Pressuposto doutrinal irrenunciável, fundamento do Ano Sacerdotal

„Ã A centralidade de Jesus Cristo encarnado, crucificado e ressuscitado na missão da Igreja, que valoriza o sacerdócio ministerial, sem o qual não haveria a Eucaristia, nem muito menos a missão e a própria Igreja (Discurso do Papa).

 

Objectivos do Ano Sacerdotal

O Papa, no referido Discurso, marca três objectivos:

1. Favorecer a tensão dos sacerdotes para a perfeição espiritual da qual sobretudo depende a eficácia do seu ministério.

2. Recuperar com urgência a consciência que impele os sacerdotes a estar presentes e ser identificáveis e reconhecíveis quer pelo juízo de fé, quer pelas virtudes pessoais, quer também pelo hábito, nos âmbitos da cultura e da caridade (Objectivos ‘ad intra’).

3. Fazer compreender cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e na sociedade contemporânea (Objectivo ‘ad extra’).

O Cardeal Hummes, na sua Carta, como Prefeito da Congregação para o Clero, acrescenta dois:

4. Redescobrir a beleza e a importância do Sacerdócio e de cada um dos ordenados (Objectivo misto).

5. Renovar-se interiormente os sacerdotes na redescoberta feliz da própria identidade, da fraternidade do próprio presbitério e da relação sacramental com o próprio Bispo (Objectivo ‘ad intra’).

 

 

Destinatários e actores do Ano Sacerdotal

1. Em primeiro lugar os Bispos.

A consciência das mudanças sociais radicais das últimas décadas deve levá-los a:

1.1 Dedicar as melhores energias eclesiais à formação dos candidatos ao ministério.

1.2 Ter uma solicitude constante pelos seus primeiros colaboradores:

„h Quer cultivando relacionamentos humanos verdadeiramente paternais;

„h Quer preocupando-se com a sua formação permanente, sobretudo sob o perfil doutrinal e espiritual, desenvolvida em comunhão com a Tradição eclesial ininterrupta.

2. Em segundo lugar, os próprios sacerdotes

Todos os objectivos do Ano Sacerdotal lhes dizem respeito

3. Todo o povo santo de Deus:

» Paróquias;

» Âmbitos da formação sacerdotal;

» Os consagrados e as consagradas;

» As famílias cristãs;

» As Associações e os Movimentos;

» As Escolas católicas;

» Os doentes;

» E principalmente os jovens.

4. Os meios de comunicação social

„Ã O Site Internet da Congregação para o Clero: www.clerus.org

 

 

ACÇÃO PASTORAL

 

1. Propostas específicas para padres

1.1 Valorizar os Retiros de padres e incrementar a participação neles.

1.2 Valorizar os encontros e recolecções mensais dos padres, com um tema de estudo, meditação e oração para cada encontro, relativo à identidade e espiritualidade do ministério presbiteral (1).

1.3 Programar uma semana de estudo sobre a natureza, espiritualidade e missão do ministério presbiteral (os temas podem ser os assinalados na nota (1) ou outros.

1.4 Valorizar o acompanhamento espiritual dos Padres.

1.5 Promover outros eventos de fraternização sacerdotal (passeios, desporto, encontros de lazer).

1.6 Participar maciçamente no Simpósio do Clero, de 1 a 4 de Setembro de 2009.

1.7 Dar este ano um especial realce à Missa crismal da Quinta-feira da Semana Santa.

1.8 Organizar peregrinações de sacerdotes a Ars ou a Fátima ou outros santuários

 

2. Plano geral

2.1 Cada diocese, paróquia o comunidade estabelecerá, quanto antes, um verdadeiro e próprio programa para este ano especial.

2.2 Celebrações ou outro tipo de eventos que levem o povo de Deus e as comunidades a rezar, a meditar, a festejar e a prestar uma justa homenagem a seus sacerdotes, por ocasião de:

„h Quintas-feiras de oração pelos sacerdotes e pelas vocações sacerdotais.

„h Semanas dos seminários e das vocações

„h Domingo do Bom Pastor (IVº da Páscoa)

„h Aniversários dos sacerdotes (sobretudo da ordenação sacerdotal).

„h Memórias dos santos sacerdotes do calendário litúrgico geral da Igreja

(resenhas biográficas, pregação, encenações).

2.3 Celebrar este ano com especial realce o 150º aniversário da morte de S. João Maria Vianney (no dia 4 de Agosto ou noutro dia mais propício).

2.4 Dispor dum elenco variado de textos bíblicos, de formulários de oração dos fiéis e de excertos da Patrística, do Magistério e de autores espirituais, para serem utilizados nas:

 

„h Missas (há quatro formulários de missas especiais pelos sacerdotes, ministros da Igreja e as vocações às ordens sacras)

„h Liturgia das Horas

„h Celebrações da Palavra

„h Adoração eucarística

„h Oração do rosário

(1) Sugerimos nove temas para estes encontros, um por mês, desde Setembro de 2009 a Maio de 2010. Podem ser estes ou outros. Estes estão tirados da Exortação Pastores dabo vobis, com o intuito de que os padres leiam o Documento e preparem

previamente o tema. No encontro mensal dialoga-se sobre o tema, apresentado no encontro anterior. A seguir, um padre, previamente designado, apresenta brevemente o tema do encontro sucessivo.

{A Comissão Vocações e Ministérios facilitará este trabalho enviando mensalmente algumas orientações para a apresentação do tema}.


Tema 1: Os desafios do tempo presente à identidade e à missão dos presbíteros. O discernimento evangélico (PDV, 5-7.10)).

Tema 2: A configuração a Jesus Cristo Cabeça e Pastor e a caridade pastoral (PDV, 21-23).

Tema 3: A vida espiritual no exercício do ministério (PDV, 19-20; 24-26)

Tema 4: A existência sacerdotal e a radicalidade evangélica (PDV, 27-30).

Tema 5: Ao serviço da Igreja e do mundo: Servidores do mistério, da comunhão e da missão (PDV12 e 16).

Tema 6: A pertença e a dedicação à Igreja particular (PDV, 31).

Tema 7: A “forma comunitária” do ministério ordenado e a fraternidade sacerdotal (PDV, 17).

Tema 8: A vocação sacerdotal na pastoral da Igreja (PDV, 34-41).

Tema 9: Formação permanente e direcção espiritual (PDV, 70s).

Tema especial: O Papa Bento XVI propõe como tema de estudo: Reconhecer como intimamente correlacionadas as quatro dimensões da missão do presbítero: eclesial, comunional, hierárquica e doutrinal

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Abertura do Ano Sacerdotal

Como abrir o Ano Sacerdotal?

Oferecem-se subsídios para três modalidades de abertura do Ano Sacerdotal, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, no dia 19 de Junho de 2009. Pode-se abrir com uma celebração solene da Eucaristia, com uma Adoração eucarística, ou com a reza do Rosário oferecido pelos sacerdotes.

Aos padres aconselha-se que façam, particularmente ou, se possível, em grupo, a renovação das promessas sacerdotais, utilizando, com as devidas adaptações, o formulário da Missa crismal da Quinta-feira da Semana Santa.

 

Eucaristia da Solenidade do Sagrado Coração de Jesus

Acrescentar ao que habitualmente faça cada comunidade uma admonição introdutória (1) e a seguinte prece na Oração dos fiéis:

 

„Ã Por todos os sacerdotes da Igreja, pelos sacerdotes da nossa Diocese e pelos padres que nos são mais próximos, para que este Ano Sacerdotal seja para eles um grande impulso de renovação interior e de dedicação gozosa ao seu ministério.

Oremos ao Senhor.

 

Rosário sacerdotal

 

 

 

 

Rezar o rosário segundo o costume em cada comunidade, iniciando-o com a admonição introdutória (1) e oferecendo cada mistério por uma das intenções do Ano Sacerdotal, tal como se indica a seguir:

Primeiro mistério:

„Ã Rezemos este mistério para que no Ano Sacerdotal os padres cresçam em perfeição espiritual e assim o seu ministério seja mais eficaz.

Segundo mistério:

 

 

 

 

 

„Ã Rezemos este mistério para que no Ano Sacerdotal os padres recuperem com urgência a consciência da sua identidade e presença visível e reconhecida nos âmbitos da cultura e da caridade.

Terceiro mistério:

„Ã Rezemos este mistério para que no Ano Sacerdotal todo o Povo de Deus compreenda cada vez mais a importância do papel e da missão do sacerdote na Igreja e  a sociedade contemporânea.

Quarto mistério:

„Ã Rezemos este mistério para que no Ano Sacerdotal todo o Povo de Deus redescubra a beleza e a importância do Sacerdócio em cada um dos padres.

Quinto mistério:

 

 

 

 

 

„Ã Rezemos este mistério para que no Ano Sacerdotal todos os padres se renovem interiormente na redescoberta feliz da própria identidade, da fraternidade do próprio presbitério e da relação sacramental com o próprio Bispo.

 

(1) Admonição introdutória ao Ano Sacerdotal:

Fazemos hoje em toda a Igreja, na Solenidade do Sagrado Coração de Jesus, a abertura solene do Ano Sacerdotal, declarado pelo Papa Bento XVI, e que vai de 19 de Junho de 2009 a 19 de Junho de 2010.

A ocasião para esta escolha é a celebração, no próximo dia 4 de Agosto, dos 150 anos da morte de santo sacerdote São João Maria Vianney, padroeiro mundial dos sacerdotes, popularmente mais conhecido como Santo Cura d’Ars.

O objecto principal deste ano é favorecer, por todos os meios, principalmente mediante a oração de todo o Povo de Deus, o aumento das vocações sacerdotais e a santificação dos padres no exercício gozoso de seu ministério. Tem como lema: “Fidelidade de Cristo, fidelidade do Sacerdote”. Peçamos ao Pai que, pela acção do Espírito Santo derramado por Jesus Cristo em nossos corações, nos encha do amor ardente do Coração de Cristo, para que seja este amor que nos impulsione a fazer tudo o que estiver de nossa parte em prol de todos os sacerdotes da Igreja neste Ano Sacerdotal.

 

Adoração eucarística

1. Admonição de motivação

{Pode ler-se também a admonição de introdução (1), mais o que se segue}

Começamos o Ano Sacerdotal com esta Adoração ao Santíssimo Sacramento da Eucaristia. Nela queremos crescer na consciência da “importância do papel e da missão do sacerdote na igreja e na sociedade contemporânea (Bento XVI), que possa ajudar aos sacerdotes a “renovar-se interiormente...na redescoberta feliz da própria identidade” (Card. Hummes).

Queremos agradecer, eucaristicamente, a presença deles na Igreja e a sua função imprescindível por desígnio de Cristo. Intercedemos por eles para que possam viver cada vez com maior gozo a significação do mistério de Cristo Pastor a eles encomendada. Escutaremos a Palavra de Deus, iluminada com a leitura da Exortação “Pastores dabo vobis”, de João Paulo II.

 

2. Exposição do Santíssimo. Aclamações. Cântico Eucarístico.

 

3. Primeira Leitura Bíblica: “Cristo, o Bom Pastor”: Jo 10, 11-18

3.1. Silencio

3.2. Texto-comentário: PDV 13 d; 15 b c(a) d; 22 b

 

 

 

 

[13] […] Jesus é o Bom Pastor pré-anunciado (cf. Ez 34),

Aquele que conhece as suas ovelhas, uma a uma, que dá a sua vida por elas e que a todos quer reunir num só rebanho sob um único pastor (cf. Jo 10, 11-16). É o pastor que veio "não para ser servido mas para servir" (Mt 20, 28), que, na acção pascal do lava-pés (Jo 13, 1-20), deixa aos seus o modelo de serviço que deverão realizar uns aos outros, e que livremente se oferece como "cordeiro inocente" imolado para a nossa redenção (cf. Jo 1, 36; Ap 5, 6.12).

Com o único e definitivo sacrifício da cruz, Jesus comunica a todos os seus discípulos a dignidade e a missão de sacerdotes da nova e eterna Aliança. Cumpre-se assim a promessa que Deus fizera a Israel: "Sereis para mim um reino de sacerdotes e uma nação santa" (Ex 19, 6). É todo o povo da nova Aliança - escreve S. Pedro - a ser constituído como "um edifício espiritual", um "sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por meio de Jesus Cristo" (1 Ped 2, 5).

Os baptizados são as "pedras vivas", que constroem o edifício espiritual, unindo-se a Cristo "pedra viva (...) escolhida e preciosa diante de Deus" (1 Ped 2, 4-5). O novo povo sacerdotal, que é a Igreja, não só tem em Cristo a sua própria e autêntica imagem, mas d'Ele recebe também uma participação real e ontológica do seu eterno e único sacerdócio, ao qual o mesmo povo se deve conformar em toda a sua vida.

[15] […] O Novo Testamento é unânime no sublinhar que foi o próprio Espírito de Cristo a introduzir no ministério, estes homens, escolhidos de entre os irmãos. Por meio do gesto da imposição das mãos (cf. Act 6, 6; 1 Tim 4, 14; 5, 22; 2 Tim 1, 6), que transmite o dom do Espírito, eles são chamados e habilitados a continuar o mesmo ministério de reconciliar, de apascentar o rebanho de Deus, e de ensinar (cf. Act 20, 28; 1 Ped 5, 2).

Portanto os presbíteros são chamados a prolongar a presença de Cristo, único e sumo Pastor, actualizando o Seu estilo de vida e tornando-se como que a Sua transparência no meio do rebanho a eles confiado

Os presbíteros são, na Igreja e para a Igreja, uma representação sacramental de Jesus Cristo Cabeça e Pastor, proclamam a Sua palavra com autoridade, repetem os seus gestos de perdão e oferta de salvação, nomeadamente com o Baptismo, a Penitência e a Eucaristia, exercitam a sua amável solicitude, até ao dom total de si mesmos, pelo rebanho que reúnem na unidade e conduzem ao Pai por meio de Cristo no Espírito. Numa palavra, os presbíteros existem e agem para o anúncio do Evangelho ao mundo e para a edificação da Igreja em nome e na pessoa de Cristo Cabeça e Pastor.

[22] […] Pedro chama a Jesus o "Príncipe dos Pastores" (1 Ped 5, 4), porque a sua obra e missão continuam na Igreja através dos Apóstolos (cf. Jo 21, 15-17) e seus sucessores (cf. 1 Ped 5, 1-4), e através dos presbíteros. Em virtude da sua consagração, estes são configurados a Jesus Bom Pastor e são chamados a imitar e a reviver a sua própria caridade pastoral.

 

4. Cântico

 

5. Segunda Leitura Bíblica: “Dar-vos-ei pastores”: Jer 3,14-15; 23,3-4; 31, 10-14

5.1. Silencio

5.2. Texto comentário: PDV 1 a b c; 22 a; 23 a b f; 82 a b c h

 

 

 

 

 

[1] “Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração” (Jer 3, 15).

Com estas palavras do profeta Jeremias, Deus promete ao seu povo que jamais o deixará privado de pastores que o reúnam e guiem: «Eu estabelecerei para elas (as minhas ovelhas) pastores, que as apascentarão, de sorte que não mais deverão temer ou amedrontar-se» (Jer 23, 4).

A Igreja, Povo de Deus, experimenta continuamente a realização deste anúncio profético e, na alegria, continua a dar graças ao Senhor. Ela sabe que o próprio Jesus Cristo é o cumprimento vivo, supremo e definitivo da promessa de Deus: «Eu sou o Bom Pastor» (Jo 10, 11). Ele, «o grande Pastor das ovelhas» (Heb 13, 20), confiou aos apóstolos e aos seus sucessores o ministério de apascentar o rebanho de Deus (cf. Jo 21, 15-17; 1 Ped 5, 2).

Sem sacerdotes, de facto, a Igreja não poderia viver aquela fundamental obediência que está no próprio coração da sua existência e da sua missão na história - a obediência à ordem de Jesus:

«Ide, pois, ensinai todas as nações» (Mt 28, 19) e «Fazei isto em minha memória» (Lc 22, 19; cf. 1 Cor 11, 24), ou seja, a ordem de anunciar o Evangelho e de renovar todos os dias o sacrifício do seu Corpo entregue e do seu Sangue derramado pela vida do mundo.

[22] A imagem de Jesus Cristo Pastor da Igreja, seu rebanho, retoma e repropõe, com novos e mais sugestivos matizes, os mesmos conteúdos da de Jesus Cristo Cabeça e servo. Tornando realidade o anúncio profético do Messias Salvador, cantado jubilosamente pelo Salmista e pelo profeta Ezequiel (cf. Sal 22; Ez 34, 11-31), Jesus auto-apresenta-se como "o Bom Pastor" (Jo 10, 11.14) não só de Israel mas de todos os homens (Jo 10, 16).

E a sua vida é uma ininterrupta manifestação, melhor, uma quotidiana realização da sua "caridade pastoral": sente compaixão pelas multidões porque estão cansadas e esgotadas como ovelhas sem pastor (cf. Mt 9, 35-36);

procura as dispersas e tresmalhadas (cf. Mt 18, 12-14) e festeja o tê-las reencontrado, recolhe-as e defende-as, conhece-as e as chama uma a uma pelo seu nome (cf. Jo 10, 3), condu-las aos pastos verdejantes e às águas refrescantes (cf. Sal 22), para elas põe a mesa, alimentando-as com a Sua própria vida. Esta vida a oferece o Bom Pastor com a sua morte e ressurreição, como canta a liturgia romana da Igreja: "Ressuscitou o bom Pastor que deu a vida pelas suas ovelhas, e pelo Seu rebanho se entregou à morte. Aleluia"

[23] O princípio interior, a virtude que orienta e anima a vida espiritual do presbítero, enquanto configurado a Cristo Cabeça e Pastor, é a caridade pastoral, participação da própria caridade pastoral de Cristo Jesus: dom gratuito do Espírito Santo, e ao mesmo tempo tarefa e apelo a uma resposta livre e responsável do sacerdote.

O conteúdo essencial da caridade pastoral é o dom de si, o total dom de si mesmo à Igreja, à imagem e com o sentido de partilha do dom de Cristo. "A caridade pastoral é aquela virtude pela qual nós imitamos Cristo na entrega de si mesmo e no seu serviço. Não é apenas aquilo que fazemos, mas o dom de nós mesmos que manifesta o amor de Cristo pelo seu rebanho. A caridade pastoral determina o nosso modo de pensar e de agir, o modo de nos relacionarmos com as pessoas.

E não deixa de ser particularmente exigente para nós"[…] A caridade pastoral, que tem a sua fonte específica no sacramento da Ordem, encontra a sua plena expressão e supremo alimento na Eucaristia: "Esta caridade pastoral - diz-nos o Concílio - brota sobretudo do sacrifício eucarístico, o qual constitui, portanto, o centro e a raiz de toda a vida do presbítero, de modo que a alma sacerdotal se esforçará por espelhar em si mesma o que é realizado sobre o altar do sacrifício". É na Eucaristia, de facto, que é re-presentado, ou seja, de novo tornado presente o sacrifício da cruz, o dom total de Cristo à sua Igreja, o dom do seu Corpo entregue e do seu Sangue derramado, qual testemunho supremo do seu ser Cabeça e Pastor, Servo e Esposo da Igreja.

Precisamente por isto, a caridade pastoral do sacerdote não apenas brota da Eucaristia, mas encontra na celebração desta a sua mais alta realização, da mesma forma que da Eucaristia recebe a graça e a responsabilidade de conotar em sentido "sacrificial" a sua inteira existência.

[82] "Dar-vos-ei pastores segundo o meu coração" (Jer 3, 15).

Ainda hoje esta promessa de Deus está viva e operante na Igreja: esta sente-se, em todos os tempos, feliz destinatária destas palavras proféticas; vê a sua realização quotidiana em tantas partes da terra, melhor, em tantos corações humanos, sobretudo de jovens.

E deseja que, frente às graves e urgentes necessidades próprias e do mundo, às portas do terceiro milénio, esta divina promessa se cumpra de um modo novo, mais amplo, intenso, eficaz: como uma extraordinária

efusão do Espírito do Pentecostes.

A promessa do Senhor suscita no coração da Igreja a oração, a súplica ardente e confiante no amor do Pai de que, tal como mandou Jesus o Bom Pastor, os Apóstolos, os seus sucessores e uma multidão inumerável de presbíteros, assim continue a manifestar aos homens de hoje a sua fidelidade e a sua bondade […]

A promessa de Deus é a de assegurar à Igreja não quaisquer pastores, mas pastores "segundo o seu coração". O "coração" de Deus revelou-se-nos plenamente no Coração de Cristo Bom Pastor.

E o Coração de Jesus continua hoje a ter compaixão das multidões e a dar-lhes o pão da verdade e o pão do amor e da vida (cf. Mc 6, 30-44), e quer palpitar noutros corações - o dos sacerdotes:

"Dai-lhes vós mesmos de comer" (Mc 6, 37). As pessoas têm necessidade de sair do anonimato e do medo, precisam de ser conhecidas e chamadas pelo nome, de caminharem seguras nas estradas da vida, de serem encontradas se se perderem, de serem amadas, de receberem a salvação como supremo dom do amor de Deus: é isto, precisamente, o que faz Jesus, o Bom Pastor; Ele e os presbíteros com Ele.

 

6. Cântico

 

7. Oração Mariana (PDV, n, 82)

Maria,

Mãe de Jesus Cristo e Mãe dos sacerdotes,

recebei este preito que nós Vos tributamos

para celebrar a Vossa maternidade

e contemplar junto de Vós o Sacerdócio

do Vosso Filho e dos Vossos filhos,

ó Santa Mãe de Deus.

Mãe de Cristo,

ao Messias Sacerdote destes o corpo de carne

para a unção do Espírito Santo

e salvação dos pobres e contritos de coração,

guardai no vosso Coração

e na Igreja os sacerdotes,

ó Mãe do Salvador.

Mãe da fé,

acompanhastes ao templo o Filho do Homem,

cumprimento das promessas feitas aos nossos Pais;

entregai ao Pai, para Sua glória,

os sacerdotes do Filho Vosso,

ó Arca da Aliança.

Mãe da Igreja,

entre os discípulos no Cenáculo,

suplicastes o Espírito

para o Povo novo e os seus Pastores;

alcançai para a ordem dos presbíteros

a plenitude dos dons,

ó Rainha dos Apóstolos.

Mãe de Jesus Cristo,

estivestes com Ele nos inícios

da Sua vida e da Sua missão;

Mestre O procurastes entre a multidão,

assististe-l'O levantado da terra,

consumado para o sacrifício único eterno,

e tivestes perto João, Vosso filho;

acolhei desde o princípio os chamados,

protegei o seu crescimento,

acompanhai na vida e no ministério

os Vossos filhos,

ó Mãe dos sacerdotes. Amen!

8. Renovação promessas ordenação (Se for o caso)

 


9. Cântico Eucarístico. Bênção. Aclamações.